Geral
Livro sobre crimes culturalmente motivados é lançado no MPF na Paraíba
Obra do procurador da República Rodrigo Gomes Teixeira analisa a relação entre diversidade cultural e Direito Penal
Foto: Ascom/MPF
O procurador da República e doutor em Direito Penal Rodrigo Gomes Teixeira lançou, na tarde desta quinta-feira (17), o livro “Crimes Culturalmente Motivados: O Argumento Cultural na Dogmática Penal”. O evento reuniu autoridades, professores, estudantes e integrantes da comunidade jurídica na sede do Ministério Público Federal (MPF) na Paraíba, em João Pessoa.
Resultado da tese de doutorado do autor, a obra analisa os desafios enfrentados pelo Direito Penal em situações nas quais uma conduta considerada criminosa pela legislação estatal está relacionada a valores, costumes ou práticas de determinado grupo cultural.
O estudo investiga de que maneira os fatores culturais podem ser considerados na avaliação jurídico-penal de uma conduta, especialmente em sociedades marcadas pela diversidade. A pesquisa também aborda os conflitos que podem surgir quando diferentes sistemas de valores convivem em um mesmo espaço social e jurídico.
Durante o lançamento, Rodrigo Gomes Teixeira falou sobre a obra e destacou as principais reflexões e contribuições da pesquisa para o debate sobre diversidade cultural e Direito Penal.
O autor explicou que a questão central que orientou o trabalho foi compreender como o Direito Penal deve lidar com práticas que surgem de tradições culturais distintas. “O que almejamos é que esta obra auxilie a inserir na pauta um tema que, embora intrínseco ao cotidiano forense, raramente ocupou o devido lugar de destaque nos debates científicos e jurídicos. Se este livro lograr abrir esse espaço de discussão, terá cumprido seu propósito”, afirmou.
Diferentes perspectivas sobre a obra - O conteúdo e as contribuições da obra também foram debatidos pelo professor e subprocurador-geral da República Luciano Mariz Maia; pela professora e subprocuradora-geral da República aposentada Ela Wiecko; pelo professor, procurador federal dos Direitos do Cidadão e subprocurador-geral da República Paulo Gomes da Silva; e pelo professor e juiz federal Bruno Teixeira de Paiva.
Luciano Mariz Maia destacou a incorporação de uma perspectiva multicultural à dogmática penal como uma das principais contribuições da pesquisa. “A proposta de Rodrigo é que a dogmática penal integre essa sensibilidade em todas as suas etapas, desde a criação da norma até a aferição da culpabilidade e da consciência da ilicitude”, afirmou. Para ele, a abordagem busca conciliar o respeito às decisões da maioria com a preservação da identidade e dos direitos de grupos minoritários.
Ela Wiecko ressaltou especialmente a relevância da discussão para os povos indígenas e a possibilidade de aplicação prática das reflexões apresentadas. “Seu trabalho serve como um verdadeiro protocolo para membros do Ministério Público e da magistratura, em diversas instâncias e jurisdições, fornecendo diretrizes fundamentais para uma atuação e julgamento pautados pela perspectiva étnico-racial”, declarou.
Na avaliação de Paulo Gomes da Silva, a obra preenche uma lacuna na produção jurídica brasileira ao tratar o tema de forma aprofundada e a partir da experiência profissional do autor. “O fato de o autor ser um brasileiro que produz a partir de nossa realidade cotidiana confere à obra um valor diferenciado, podendo servir, inclusive, como uma espécie de protocolo de atuação para operadores do Direito”, afirmou.
Bruno Teixeira de Paiva abordou as contribuições da obra sob a perspectiva da magistratura. Para ele, o livro chama a atenção para a necessidade de compreender o contexto cultural antes do julgamento. “A obra ressalta a importância de enxergar o ‘diferente’ não como alguém incapaz ou inferior, mas como um indivíduo que se expressa a partir de um sistema de significados próprio, o qual deve ser devidamente decodificado pelo julgador”, destacou.
Sessão de autógrafos - Após o debate, a programação prosseguiu no Memorial do MPF, onde Rodrigo Gomes Teixeira recebeu os convidados para uma sessão de autógrafos. O momento também permitiu a aproximação entre o autor e o público, com a troca de impressões sobre os temas discutidos na obra. Um coquetel encerrou o evento.
Destinada a estudantes, pesquisadores e profissionais do Direito, a publicação oferece subsídios para a compreensão dos crimes culturalmente motivados e para a análise dos limites e das possibilidades de utilização do argumento cultural no campo penal.
O livro “Crimes Culturalmente Motivados: O Argumento Cultural na Dogmática Penal” tem 470 páginas, foi publicado pela editora Tirant Lo Blanch e está à venda no site da editora.
Assessoria de Comunicação
Ministério Público Federal na Paraíba
Telefone fixo: (83) 3044-6222
WhatsApp: (83) 9.9132-6751 e (83) 9.9370-5065 (atendimento por mensagem exclusivo para jornalistas - das 10h às 17h, de segunda a sexta)
Telefones para atendimento ao cidadão em geral - das 7h às 17h:
(83) 3044-6200 - opção 1 / (83)9.9375-2295
0800 000 5640
Youtube: MPFPB