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Livro sobre crimes culturalmente motivados é lançado no MPF na Paraíba

Obra do procurador da República Rodrigo Gomes Teixeira analisa a relação entre diversidade cultural e Direito Penal

Data: 18/09/2026 • 14:35 Unidade: Procuradoria da República na Paraíba
Auditório institucional lotado, com público sentado diante de um palco. Ao fundo, uma grande tela exibe duas pessoas por videoconferência. No palco, há autoridades sentadas, um homem falando ao púlpito e uma intérprete de Libras. As paredes exibem a identificação do MPF na Paraíba.

Foto: Ascom/MPF

O procurador da República e doutor em Direito Penal Rodrigo Gomes Teixeira lançou, na tarde desta quinta-feira (17), o livro “Crimes Culturalmente Motivados: O Argumento Cultural na Dogmática Penal”. O evento reuniu autoridades, professores, estudantes e integrantes da comunidade jurídica na sede do Ministério Público Federal (MPF) na Paraíba, em João Pessoa.

Resultado da tese de doutorado do autor, a obra analisa os desafios enfrentados pelo Direito Penal em situações nas quais uma conduta considerada criminosa pela legislação estatal está relacionada a valores, costumes ou práticas de determinado grupo cultural.

O estudo investiga de que maneira os fatores culturais podem ser considerados na avaliação jurídico-penal de uma conduta, especialmente em sociedades marcadas pela diversidade. A pesquisa também aborda os conflitos que podem surgir quando diferentes sistemas de valores convivem em um mesmo espaço social e jurídico.

Durante o lançamento, Rodrigo Gomes Teixeira falou sobre a obra e destacou as principais reflexões e contribuições da pesquisa para o debate sobre diversidade cultural e Direito Penal.

O autor explicou que a questão central que orientou o trabalho foi compreender como o Direito Penal deve lidar com práticas que surgem de tradições culturais distintas. “O que almejamos é que esta obra auxilie a inserir na pauta um tema que, embora intrínseco ao cotidiano forense, raramente ocupou o devido lugar de destaque nos debates científicos e jurídicos. Se este livro lograr abrir esse espaço de discussão, terá cumprido seu propósito”, afirmou.

Diferentes perspectivas sobre a obra - O conteúdo e as contribuições da obra também foram debatidos pelo professor e subprocurador-geral da República Luciano Mariz Maia; pela professora e subprocuradora-geral da República aposentada Ela Wiecko; pelo professor, procurador federal dos Direitos do Cidadão e subprocurador-geral da República Paulo Gomes da Silva; e pelo professor e juiz federal Bruno Teixeira de Paiva.

Luciano Mariz Maia destacou a incorporação de uma perspectiva multicultural à dogmática penal como uma das principais contribuições da pesquisa. “A proposta de Rodrigo é que a dogmática penal integre essa sensibilidade em todas as suas etapas, desde a criação da norma até a aferição da culpabilidade e da consciência da ilicitude”, afirmou. Para ele, a abordagem busca conciliar o respeito às decisões da maioria com a preservação da identidade e dos direitos de grupos minoritários.

Ela Wiecko ressaltou especialmente a relevância da discussão para os povos indígenas e a possibilidade de aplicação prática das reflexões apresentadas. “Seu trabalho serve como um verdadeiro protocolo para membros do Ministério Público e da magistratura, em diversas instâncias e jurisdições, fornecendo diretrizes fundamentais para uma atuação e julgamento pautados pela perspectiva étnico-racial”, declarou.

Na avaliação de Paulo Gomes da Silva, a obra preenche uma lacuna na produção jurídica brasileira ao tratar o tema de forma aprofundada e a partir da experiência profissional do autor. “O fato de o autor ser um brasileiro que produz a partir de nossa realidade cotidiana confere à obra um valor diferenciado, podendo servir, inclusive, como uma espécie de protocolo de atuação para operadores do Direito”, afirmou.

Bruno Teixeira de Paiva abordou as contribuições da obra sob a perspectiva da magistratura. Para ele, o livro chama a atenção para a necessidade de compreender o contexto cultural antes do julgamento. “A obra ressalta a importância de enxergar o ‘diferente’ não como alguém incapaz ou inferior, mas como um indivíduo que se expressa a partir de um sistema de significados próprio, o qual deve ser devidamente decodificado pelo julgador”, destacou.

dr rodrigo.jpgSessão de autógrafos - Após o debate, a programação prosseguiu no Memorial do MPF, onde Rodrigo Gomes Teixeira recebeu os convidados para uma sessão de autógrafos. O momento também permitiu a aproximação entre o autor e o público, com a troca de impressões sobre os temas discutidos na obra. Um coquetel encerrou o evento.

Destinada a estudantes, pesquisadores e profissionais do Direito, a publicação oferece subsídios para a compreensão dos crimes culturalmente motivados e para a análise dos limites e das possibilidades de utilização do argumento cultural no campo penal.

O livro “Crimes Culturalmente Motivados: O Argumento Cultural na Dogmática Penal” tem 470 páginas, foi publicado pela editora Tirant Lo Blanch e está à venda no site da editora.


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