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Criminal

Operação com atuação do MPF mira esquema bilionário de desvio de dendê e lavagem de dinheiro no Pará

Ação conjunta cumpriu ordens de prisão e bloqueou R$ 153 milhões em bens dos investigados

Data: 23/09/2026 • 09:31 Unidade: Procuradoria da República no Pará
Mãos de pessoas manuseiam notas de R$ 100 ao lado de maços de dinheiro presos por elásticos amarelos sobre uma superfície clara.

Foto: Polícia Federal

O Ministério Público Federal (MPF), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), atuou na investigação que resultou na Operação Termidor, realizada na última quinta-feira (17) no Pará e em São Paulo. A ação conjunta com a Polícia Federal e a Receita Federal mirou um esquema criminoso bilionário na cadeia produtiva do dendê, com o cumprimento de nove mandados de prisão preventiva e o bloqueio de R$ 153 milhões em bens dos investigados.

As ordens judiciais foram expedidas pela Justiça Federal no Pará. As equipes cumpriram ainda 26 mandados de busca e apreensão nos municípios paraenses de Belém, Ananindeua, Castanhal e Tomé-Açu, além de Indaiatuba, no interior paulista. A decisão também determinou a suspensão das atividades econômicas de 11 empresas ligadas aos suspeitos.

As investigações começaram a partir dos conflitos agrários e da violência na região nordeste do Pará, conhecida como a ‘guerra do dendê’. O território abrange áreas dos municípios de Concórdia do Pará, Tomé-Açu, Acará, Moju e Tailândia, marcadas pela monocultura da planta e pela presença histórica de povos indígenas e comunidades quilombolas.

Segundo a apuração, uma organização criminosa armada se instalou na região para furtar, receptar e vender o fruto do dendê de forma ilegal. Do fruto do dendê é extraído o azeite de dendê, também chamado de óleo de palma, utilizado na indústria de alimentos e de biocombustíveis.

O esquema contava ainda com a colaboração de servidores públicos da área de segurança do estado.

Movimentação bilionária e empresas de fachada – Os levantamentos apontam que os grupos empresariais sob investigação movimentaram pelo menos R$ 1 bilhão entre 2023 e 2026. A organização misturava dinheiro limpo com recursos obtidos de forma criminosa para tentar legalizar os lucros ilícitos – prática conhecida como lavagem de dinheiro.

Para esconder os verdadeiros responsáveis e a origem da renda, o grupo usava nomes de terceiros (conhecidos popularmente como ‘laranjas’) para registrar empresas e patrimônio. A Receita Federal identificou também que o grupo comercializava produtos sem notas de entrada e movimentava valores incompatíveis com o patrimônio declarado à fiscalização.

Os documentos, celulares e computadores apreendidos na operação foram recolhidos para perícia técnica. O material passará por análise detalhada, junto aos dados bancários e fiscais dos envolvidos, para fundamentar as próximas etapas da denúncia criminal à Justiça.

*Com informações da Polícia Federal e da Receita Federal


Ministério Público Federal no Pará
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