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Direitos do Cidadão

MPF defende políticas de memória e reparação para vítimas da covid-19 em debate no Conselho Nacional de Saúde

Reunião foi realizada no Dia Mundial da Saúde, celebrado no dia 7 de abril; participaram especialistas e associações de vítimas e familiares

Data: 09/04/2026 • 13:26 Unidade: Procuradoria da República no Pará
captura de tela mostra três pessoas sentadas em bancada sob logo do Conselho Nacional de Saúde. Sadi Flores Machado fala ao microfone. Priscila Torres da Silva e Francisca Silva observam. Intérprete de Libras no canto

Foto: captura de tela da transmissão da reunião no YouTube

O Ministério Público Federal (MPF) defendeu a implementação de políticas públicas de memória, verdade e justiça para as vítimas da covid-19, durante a 79ª Reunião Extraordinária do Conselho Nacional de Saúde (CNS). No debate realizado na terça-feira (7), Dia Mundial da Saúde, o órgão apresentou um diagnóstico que aponta a impunidade de agentes públicos e a falta de assistência aos sobreviventes como os principais legados negativos da crise sanitária no Brasil.

De acordo com o representante do MPF, o procurador regional dos Direitos do Cidadão no Pará, Sadi Flores Machado, o país carece de um reconhecimento oficial das falhas na condução da pandemia. Segundo ele, a análise institucional indica que a ausência de uma coordenação centralizada e o uso do negacionismo como estratégia política resultaram em mortes evitáveis e em um cenário de “desassistência silenciosa” para quem convive com as sequelas da doença.

O debate também contou com a presença de especialistas e representantes de associações de vítimas e familiares.

Atuação jurídica e impunidade – Durante o evento, o MPF relembrou iniciativas judiciais pioneiras, como a ação civil pública ajuizada no Pará, em abril de 2020, para obrigar a União a seguir diretrizes científicas. Embora decisões favoráveis tenham sido obtidas, a instituição manifestou preocupação com a resistência do estado em assumir a responsabilidade objetiva pelos danos causados à população e com o arquivamento de denúncias contra autoridades.

Dados apresentados pelo órgão mostram ainda uma redução na fiscalização interna. Em menos de um ano, o número de procedimentos disciplinares que tramitam no Ministério da Saúde para apurar condutas de agentes públicos durante a pandemia caiu de sete para três. Segundo o MPF, a manutenção dessa impunidade gera riscos de repetição de erros em emergências futuras.

Propostas de reparação e memória – Sadi Machado anunciou a publicação, prevista para maio, de um parecer jurídico elaborado em parceria com o Centro de Pesquisas e Estudos em Direito Sanitário da Universidade de São Paulo (USP). O documento servirá de base para recomendações que visam institucionalizar o direito à memória, incluindo:


- Reconhecimento de responsabilidade: atos públicos de desculpas e admissão das falhas estatais;

- Datas e memoriais: instituição do Dia Nacional em Memória das Vítimas da covid-19 (12 de março) e criação de memoriais nos serviços de saúde;

- Reparação econômica: efetivação da Lei nº 14.128/2021, que prevê indenização a profissionais de saúde incapacitados pela pandemia;

- Proteção à orfandade: estruturação de políticas para crianças e adolescentes que perderam os responsáveis.

Desafios do SUS – Além das medidas reparatórias, o MPF elencou desafios estruturais para o Sistema Único de Saúde (SUS), como o subfinanciamento, a hesitação vacinal e a falta de diretrizes nacionais para o diagnóstico e monitoramento da “covid longa”. A instituição recomendou que o Ministério da Saúde aproveite o atual período de trégua epidemiológica para consolidar uma política nacional de preparação para novas pandemias, baseada em evidências científicas e direitos humanos.

Íntegra da reunião no Youtube

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Ministério Público Federal no Pará
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