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Criminal

Operação Cesura: MPF e PF miram canal de comunicação entre líder de facção preso em presídio federal e cúpula em liberdade

Investigação apura se liderança de facção criminosa de atuação nacional continua a dar ordens a partir da Penitenciária Federal de Campo Grande (MS)

Data: 29/10/2026 • 08:48 Unidade: Procuradoria-Geral da República

Arte: Comunicação MPF

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) deflagraram, nesta quinta-feira (29), a Operação Cesura, para desarticular canal de comunicação utilizado por uma das principais lideranças de facção criminosa de atuação nacional e transnacional custodiada na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS). Esse canal é utilizado pelo líder preso, por meio de sobrinhos, para manter contato com integrantes da cúpula em liberdade e continuar exercendo a liderança da facção.

A investigação é conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso do Sul (Ficco/MS) em conjunto com o Grupo Nacional de Apoio ao Enfrentamento ao Crime Organizado do MPF (Gaeco Nacional). Por decisão da 3ª Vara Federal de Campo Grande, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária e dois de busca e apreensão em Belford Roxo (RJ) e no Rio de Janeiro (RJ). A Justiça também decretou a prisão preventiva do líder da facção. O mandado foi cumprido na própria penitenciária, onde ele seguirá custodiado.

Investigação – De acordo com os elementos reunidos até o momento, visitantes levariam ao parlatório do presídio federal mensagens de integrantes da cúpula da facção em liberdade. Entre eles está uma das principais lideranças da organização, foragida da Justiça. Em um dos episódios apurados, em janeiro de 2025, um dos investigados encontrou-se pessoalmente com essa liderança no Rio de Janeiro. No dia seguinte, viajou a Campo Grande, visitou o líder preso no parlatório e, ao retornar, prestou contas sobre o recado transmitido. As visitas se repetiram com frequência até agosto de 2026, sempre em dias úteis e, em algumas ocasiões, com ida e volta no mesmo dia.

Mensagens analisadas indicam ainda que integrantes da facção em liberdade continuam a reconhecer e tratar o custodiado como liderança atual da organização. As apurações indicam que, mesmo submetido ao regime mais rigoroso do sistema prisional, ele teria mantido a capacidade de transmitir e receber orientações do grupo criminoso.

Um dos investigados ocupa cargo comissionado em uma Câmara Municipal da Baixada Fluminense. Nos últimos dois anos, ele adquiriu patrimônio que, em princípio, se mostra incompatível com a renda declarada.

Origem – A investigação teve início a partir de provas obtidas na Operação Red Fox, conduzida pelo Gaeco do MPF no Rio de Janeiro. A Red Fox investiga o tráfico internacional de armas de grosso calibre e de drogas que entram pela fronteira norte do país. Com autorização judicial, as provas foram compartilhadas com o Gaeco Nacional. A análise de dados da liderança foragida revelou que dois familiares do líder preso atuariam como mensageiros entre ele e a organização.

Lei Antifacção – Os investigados podem responder, na medida de suas participações, por crimes previstos na Lei nº 15.358/2026, conhecida como Lei Antifacção. Entre eles estão promover, integrar ou apoiar organização criminosa ultraviolenta e fornecer informações em apoio a ela. As penas variam de 12 a 20 anos de prisão e os crimes são considerados hediondos. Os investigados também podem responder por colaborarem, como informantes, com organização destinada ao tráfico de drogas, crime previsto na Lei de Drogas. O processo tramita sob sigilo.

Nome – O nome da operação vem da palavra cesura, que designa corte ou pausa. É uma alusão à ruptura do fluxo de comunicação entre a liderança presa e a facção em liberdade.

Atuação do MPF – Criado em 2025, o Gaeco Nacional reúne 15 membros, além do coordenador nacional, e apoia os procuradores da República em casos de maior complexidade envolvendo o crime organizado.


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