Criminal
MPF realiza 3º Seminário de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes em SC
O evento promoveu debate sobre o tema, com painel sobre rotas clandestinas e oficina de escuta qualificada
Foto: Comunicação/MPF.
Na sexta-feira (18), o auditório do Ministério Público Federal (MPF) em Florianópolis (SC) sediou o III Seminário de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e ao Contrabando de Migrantes. O evento reuniu especialistas, autoridades e representantes da sociedade civil para discutir a complexidade desses crimes, as rotas clandestinas e as estratégias de acolhimento e resposta integrada às vítimas.
O seminário foi organizado pelo MPF em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Organização Internacional para as Migrações (OIM), a organização Círculos de Hospitalidade, a Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), com o apoio do Fórum de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas de Santa Catarina. O objetivo principal foi reforçar a capacitação profissional e qualificar o atendimento e a escuta qualificada das populações vulneráveis no estado.
Durante o painel "Rotas Invisíveis: os Desafios do Enfrentamento ao Contrabando de Migrantes", especialistas detalharam o modo de operação das redes criminosas no Brasil. Marina Bernardes de Almeida, coordenadora-geral de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), explicou a atuação nacional do órgão no combate a esse tipo de crime e as principais medidas em curso.
A professora Luciene Dal Ri (Univali) abordou o contrabando de imigrantes haitianos, detalhando as rotas de fuga e de entrada no país. Carolina Becker Peçanha (OIM) e Luciana Campos (Agência Brasileira de Inteligência – Abin) apresentaram dados inéditos de um relatório de inteligência sobre o fluxo e o funcionamento das redes que atuam no transporte irregular de migrantes haitianos e cubanos. De acordo com as palestrantes, o estudo é fruto de convênio entre a OIM e a Abin e marca a primeira parceria da agência de inteligência nessa área.
Complementando a discussão sobre os trajetos de entrada, Bruna Kadletz, da Círculos de Hospitalidade, compartilhou sua experiência de campo na fronteira do Amapá. Ela descreveu a realidade operacional local e as rotas reais utilizadas por migrantes cubanos na tentativa de ingressar no Brasil.
Capacitação, cidadania e cultura – Além das discussões conceituais e análises de rotas, a programação contou com uma oficina dedicada ao Protocolo de Escuta Qualificada para Grupos Vulneráveis ao Tráfico de Pessoas, voltada ao atendimento humanizado, focado na pessoa e sensível a traumas.
Também foi apresentado o projeto "Likes que Engajam, Laços que Protegem", do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), que trabalha com estratégias de abordagem preventiva em rede para promover a cidadania digital contra o tráfico de pessoas. Ao final do evento, foi realizada uma apresentação cultural e um coffee break com o tema “Sabores do Mundo”.
Desafios regionais – A 3ª edição do seminário destacou que Santa Catarina se consolida como rota e destino para migrantes e refugiados, o que exige respostas integradas entre os governos federal, estadual e municipal. O evento trouxe mais uma vez a urgência de políticas públicas eficazes de regularização migratória e a necessidade de combater o contrabando de migrantes como um crime invisibilizado, a fim de garantir a proteção aos direitos dessa população.
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