Pular para o conteúdo

Meio Ambiente

Audiência pública debate soluções para proteger manguezais ameaçados na APA da Barra do Rio Mamanguape (PB)

MPF reuniu comunidades, usinas, pesquisadores e órgãos ambientais para discutir causas da mortalidade do mangue e definir medidas de recuperação

Data: 29/05/2026 • 15:33 Unidade: Procuradoria da República na Paraíba
Homem fala ao microfone no palco de um auditório do MPF, diante de uma plateia vista de costas, com uma pessoa de chapéu de safári em destaque no primeiro plano.

Fotos: Comunicação MPF

A recuperação dos manguezais da Área de Proteção Ambiental (APA) da Barra do Rio Mamanguape, no Litoral Norte da Paraíba, foi tema de audiência pública realizada nesta quinta-feira (28) pelo Ministério Público Federal (MPF), em João Pessoa. Presidido pelo procurador da República Renan Paes Felix, o encontro reuniu representantes de comunidades locais, usinas de cana-de-açúcar, órgãos ambientais, pesquisadores, universidades e organizações da sociedade civil para discutir as causas da degradação do ecossistema e construir soluções conjuntas para sua recuperação.

Durante a audiência, especialistas apresentaram estudos que apontam que a mortalidade dos manguezais – fenômeno conhecido como dieback está associada principalmente à redução do fluxo de água doce que abastece os rios e estuários da região. O problema é agravado pelo desmatamento de nascentes e matas ciliares, represamentos de cursos d'água, aumento da salinidade, assoreamento dos rios, mudanças climáticas, espécies invasoras e práticas predatórias que afetam o equilíbrio ambiental.

Os participantes destacaram que os manguezais funcionam como berçários naturais de inúmeras espécies marinhas, ajudam a proteger o litoral contra a erosão, armazenam grandes quantidades de carbono e garantem renda e alimentação para comunidades que dependem da pesca artesanal e da coleta de recursos naturais. Por isso, a perda dessas áreas representa não apenas um problema ambiental, mas também social e econômico.

audiencia_manguezais1.pngProjeto Replanta Mangue – As discussões tiveram como base os diagnósticos e as propostas desenvolvidos pelo Projeto Replanta Mangue, iniciativa da SOS Sertão apoiada pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Petrobras. O projeto busca restaurar a dinâmica natural dos manguezais por meio da recuperação de nascentes, da recomposição de matas ciliares e da restauração hidrológica de áreas degradadas. A meta é recuperar pelo menos 220 hectares de manguezal, restinga e Mata Atlântica ao longo dos próximos anos.

Uma das principais estratégias apresentadas é a abertura e desobstrução manual de microcanais dentro do manguezal. Esses canais permitem que a água das marés volte a circular adequadamente, reduzindo a hipersalinidade que provoca a morte da vegetação. Segundo os pesquisadores, em áreas degradadas, a salinidade já alcança índices muito superiores aos encontrados normalmente na água do mar.

Os especialistas explicaram que a restauração hidrológica é o primeiro passo para a recuperação do ecossistema, pois, sem o restabelecimento da circulação da água, o plantio de mudas isoladamente tende a fracassar. Com os canais reabertos, as próprias marés transportam sementes e favorecem a regeneração natural do manguezal.

Comunidades e usinas têm papel decisivo – Outro tema amplamente debatido foi a importância da participação das comunidades locais e das usinas na conservação ambiental.

Representantes das comunidades destacaram iniciativas de turismo de base comunitária, monitoramento ambiental e produção de mudas nativas. Atualmente, moradores capacitados pelo projeto atuam como viveiristas, produzindo mudas destinadas às ações de restauração e gerando renda a partir da recuperação ambiental.

Já as usinas foram apontadas como atores estratégicos por concentrarem grande parte das áreas onde se localizam as nascentes que abastecem os rios da região. Durante a audiência, foi ressaltada a importância da regularização e da recuperação das áreas de preservação permanente, além da adoção de medidas que garantam a proteção dos recursos hídricos necessários à própria atividade produtiva.

audiencia_manguezais2.pngAlternativas para agricultores familiares – As discussões também abordaram os desafios enfrentados por agricultores familiares que ocupam áreas próximas às nascentes por falta de alternativas produtivas. Entre as soluções propostas estão a destinação de áreas adequadas para agricultura fora das APPs, a implantação de infraestrutura para produção sustentável, como sistemas de irrigação, o fortalecimento do turismo de base comunitária e a ampliação de iniciativas de pagamento por serviços ambientais.

Os participantes destacaram que a recuperação das nascentes não pode ocorrer sem considerar a realidade das famílias que vivem nesses territórios, defendendo a construção de soluções que conciliem preservação ambiental e geração de renda.

Parque Estadual do Pindobal – A criação do Parque Estadual do Pindobal também foi apontada como uma medida importante para garantir a proteção permanente de áreas estratégicas para o abastecimento hídrico da APA. A proposta prevê a proteção de uma das principais áreas de nascentes da região, contribuindo para aumentar a infiltração da água no solo, fortalecer o abastecimento dos rios e reduzir os impactos da seca sobre os manguezais. Além da conservação ambiental, a iniciativa poderá impulsionar atividades de turismo sustentável e educação ambiental.

Encaminhamentos – Ao final da audiência, foram definidos diversos encaminhamentos para transformar os diagnósticos apresentados em ações concretas. Entre eles estão a criação de um grupo de trabalho coordenado pelo MPF, com participação de órgãos ambientais, universidades, representantes das usinas, organizações da sociedade civil e lideranças comunitárias; a realização de visita técnica em 15 de junho às principais áreas críticas identificadas pelos estudos; a identificação de passivos ambientais e proprietários de áreas prioritárias; o apoio institucional à criação do Parque Estadual do Pindobal; e a busca por soluções negociadas para garantir a recuperação das nascentes sem comprometer a subsistência das famílias locais.

Durante a audiência, o procurador Renan Felix informou que pretende atuar como mediador do diálogo entre usinas, agricultores, comunidades tradicionais e órgãos públicos, buscando construir acordos que permitam proteger os recursos hídricos e os manguezais sem desconsiderar as necessidades econômicas e sociais das populações que vivem no território.

A ata da audiência será encaminhada aos participantes e servirá de base para o acompanhamento das medidas e compromissos assumidos pelos diversos atores envolvidos.

audiencia_manguezais3.png


Assessoria de Comunicação
Ministério Público Federal na Paraíba
Telefone fixo: (83) 3044-6222
WhatsApp: (83) 9.9132-6751 (exclusivo para atendimento a jornalistas - das 10h às 17h)
Telefone para atendimento ao cidadão em geral: (83) 9.9108-0933 (das 7h às 17h)
Youtube: MPFPB

Tags