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Direitos do Cidadão

MPF participa de vistoria a abrigos de migrantes e atua para garantir direitos humanitários na fronteira do Acre

Condições de acolhimento e assistência em Assis Brasil e Epitaciolândia foram verificadas por MPF, governo estadual e agência da ONU

Data: 01/07/2026 • 16:49 Unidade: Procuradoria da República no Acre
Uma imagem conceitual em plano médio e horizontal mostra, em primeiro plano, uma escada feita de pequenos blocos retangulares de madeira clara disposta sobre uma mesa rústica. No topo dessa escada, está uma pequena peça verde em formato de silhueta humana. Atrás da estrutura, sobrepostos por uma forma circular azul-escura no centro, há linhas curvas brancas que sugerem movimento em direção à peça verde. Ao fundo, ocupando a maior parte da imagem contra um fundo amarelo vibrante, aparece o torso de um homem vestindo terno preto, camisa branca e gravata azul-escura. A mão direita do homem está estendida sobre a escada com os dedos semiabertos, em um gesto que simula a manipulação ou o controle direto sobre a pequena figura humana verde.

Foto: Fernando Santtos/SEASDH.

O Ministério Público Federal (MPF) participou de vistoria nos abrigos de migrantes nos municípios de Assis Brasil e Epitaciolândia, no Acre, durante as ações da 7ª Semana Estadual do Migrante, Refugiado e Apátrida. O período marca duas datas de relevância internacional: o Dia Mundial do Refugiado, celebrado em 20 de junho, e o Dia do Imigrante, comemorado em 25 do mesmo mês. A vistoria foi realizada em conjunto com o governo do Acre e a Agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para Refugiados (Acnur).

A visita teve como objetivo acompanhar as condições de acolhimento e identificar demandas de assistência humanitária prestada às pessoas em situação de mobilidade na região de fronteira.

De acordo com o governo estadual, atualmente, o abrigo de Assis Brasil, município localizado na tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Bolívia, acolhe cerca de 50 migrantes e refugiados de diferentes nacionalidades, entre as quais venezuelanos, colombianos, peruanos e cubanos. Já a unidade de Epitaciolândia, na fronteira com a Bolívia, atende aproximadamente 35 pessoas.

Ambos os espaços funcionam como ponto de apoio temporário para pessoas que ingressam no Brasil pela fronteira acreana e necessitam de assistência enquanto aguardam o processo de regularização migratória ou o deslocamento para outros estados.

MPF-vistoria-abrigos-migrantes-Assis-Brasil-Epitaciolandia-2026-06-lucasabrigo.jpgTrabalho conjunto – O procurador regional dos Direitos do Cidadão no Acre, Lucas Costa Almeida Dias, participou da vistoria em Epitaciolândia em conjunto com a diretora de Direitos Humanos da Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), Joelma Pontes. O membro do MPF destacou que “o órgão atua em diversas frentes para assegurar os direitos de migrantes, refugiados e apátridas, garantidos pela legislação e por tratados internacionais, por meio de inquéritos, recomendações e ações civis públicas”.

Segundo a equipe técnica, a escuta qualificada é uma ferramenta para compreender a realidade de quem enfrenta o deslocamento forçado e para garantir que as políticas públicas sejam desenvolvidas de forma mais eficiente e humanizada. Lucas Guimarães, chefe da Divisão do Migrante, Refugiado e Apátrida da SEASDH, destacou que o trabalho conjunto entre o governo estadual e os organismos internacionais é essencial para assegurar um acolhimento digno às pessoas que chegam ao Acre.

“A parceria com a Acnur fortalece nossa capacidade de resposta diante dos desafios migratórios. Nosso compromisso é garantir que essas pessoas tenham acesso aos seus direitos, recebam atendimento humanizado e encontrem no Acre uma rede de proteção preparada para acolhê-las”, afirmou Guimarães. O chefe da divisão da SEASDH informou que, após ouvir as demandas dos dois municípios, serão feitos os encaminhamentos para os órgãos competentes para a regularização de documentos, serviços de saúde e suporte aos que desejam sair do estado.

A chefe do Acnur no Amazonas, Juliana Serra, acompanhou a missão. “Estamos nessa atividade de monitoramento e reconhecimento no Acre. Dialogamos com as pessoas acolhidas para entendemos seus desafios e ouvir as necessidades da população migrante e refugiada durante esse processo de deslocamento. Também explicamos os direitos que essas pessoas têm no Brasil e oferecemos proteção”, destacou.

Desafios na fronteira – A fronteira acreana é uma das principais portas de entrada de migrantes no Brasil, especialmente nos municípios de Assis Brasil, Brasileia e Epitaciolândia. Cerca de 9 milhões de venezuelanos já deixaram seu país de origem em busca de segurança e melhores condições de vida, fugindo de um colapso econômico, político e institucional em seu país. Esta é a maior crise de deslocamento da história da América Latina e um dos maiores êxodos globais da atualidade. Muitos deles têm buscado refúgio no Brasil.

No Acre, o MPF ajuizou ação civil pública sobre implementação de medidas estruturais para garantir o acolhimento digno de migrantes na fronteira e celebrou Termos de Acordo Extrajudicial (TAE), em parceria com o Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) e a Defensoria Pública da União (DPU), para organizar a Rede de Proteção Social aos Migrantes e Refugiados nos municípios fronteiriços.

Ação Civil Pública nº 1012771-43.2023.4.01.3000, em trâmite no TRF1

Consulta Processual

*Com informações da Agência de Notícias do Acre


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