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Especialistas abordam desenvolvimento e inclusão de pessoas autistas em evento na PRR4
Debate promovido pelo Plan-Assiste na sede da unidade abrangeu temas como família, escola, equipes transdisciplinares e acessibilidade
Ascom/PRR4
Servidores e membros da Procuradoria Regional da República da 4ª Região (PRR4), bem como o público externo, puderam aprender um pouco sobre a inclusão e o desenvolvimento de pessoas autistas nesta última quarta-feira (15), no auditório da sede da Procuradoria Regional da 4ª Região. Promovido pelo Plan-Assiste, o evento “Vamos falar sobre autismo? Os quatro pilares para o desenvolvimento TEA: família, terapia, escola e sociedade” contou com a presença de especialistas na área para debater uma temática tão cara, tanto para as pessoas com deficiência, quanto para o sistema de saúde e para a sociedade.
A procuradora-chefe adjunta da PRR4, Cristianna Dutra Brunelli Nacul, destacou a relevância do tema na atualidade. “É um assunto realmente preocupante, que está envolvendo autoridades do mundo inteiro e merece um olhar muito sensível, muita dedicação de todos nós que estamos envolvidos, não só o Estado, mas também a sociedade”, declarou a procuradora regional da República, abrindo as falas do evento, cuja mediação ficou a cargo do diretor regional Sul do Plan-Assiste, Marcelo dos Santos Maidana.
O diretor nacional de Saúde e Assistência do Plan-Assiste, Alexandre Teixeira de Oliveira, também parabenizou a iniciativa. “Tratar deste tema é algo extremamente importante, não só pra quem vive isso no dia a dia, mas para nós do Plan-Assiste, porque para a gente prestar aos nossos beneficiários, que estão no Brasil inteiro, um tratamento de qualidade tem sido pra gente um desafio. Porque nem sempre e nem em todas as localidades a gente tem muitas clínicas credenciadas ou profissionais habilitados para realizar esse tipo de tratamento”.
O evento contou com palestras de três especialistas na área. A psicóloga Elisângela Modena apresentou pontos relevantes sobre os pilares do desenvolvimento da criança autista. Ela explicou que a família é a base do desenvolvimento afetivo de qualquer pessoa, seja ela típica ou atípica. Segundo ela, é na família que está o “fator humano” deste processo, algo que está fora do consultório e tem a sua própria dinâmica.
“A família precisa ter também o seus momentos de ser família, de utilizar do seu fator humano: o carinho, o abraço, a brincadeira, a gargalhada. A família nunca vai deixar de ser família, nunca vai deixar de ter a sua cultura, os seus costumes, e a gente precisa também como terapeutas ajudar essa família a não perder sua característica de família”, explicou a psicóloga, que é pós-graduada em Psicologia Positiva pela PUCRS.
Ela enfatizou também que a família é o laboratório para ensinar autonomia e comunicação funcional que será praticada fora do ambiente familiar, e destacou a importância do reforço positivo dos familiares, com carinho e consistência, para o desenvolvimento e bem-estar da criança. Sobre o segundo pilar do desenvolvimento da criança autista - a escola - Elisângela ressaltou a importância da adaptação curricular e do manejo comportamental, bem como da mediação nas interações sociais.
A terapeuta ocupacional Luiza Lima da Silva falou sobre a importância da equipe transdisciplinar para a promoção da autonomia e da funcionalidade no desenvolvimento da pessoa autista, inclusive de adultos e adolescentes. “A equipe que transcende a clínica é a melhor proposta para o paciente. É aquela que vai fazer a relação dar certo com a questão da escola, do trabalho, das atividades de lazer, principalmente relacionamentos”, declarou a terapeuta, que tem formação em Transtorno do Espectro Autista e TDAH.
Ela explicou que essas equipes desenvolvem estratégias sensoriais, comportamentais e comunicacionais reguladoras, além de promoverem um apoio à autonomia nas atividades do dia-a-dia, resultando, portanto, em uma abordagem muito mais ampla do que a clínica. Essas equipes são formadas por profissionais de diversas áreas, como psicólogo, psicomotricista, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, entre outros.
Por fim, a fonoaudióloga Eduarda Winter Malcorra lembrou das dificuldades relacionadas à identificação de uma pessoa autista, o que pode gerar barreiras para a acessibilidade. “O autismo é a única deficiência que a gente não vê, porque ela não é adquirida e ela não é uma deficiência física”, destacou a fonoaudióloga, que tem atuação em TEA e é pós-graduanda em intervenção ABA para TEA e deficiência intelectual (CBI of Miami). Mas ela lembrou também que a inclusão deve existir para todas as deficiências. “Eu acredito que para além do autismo a gente precisa de um mundo que seja adaptado para todas as dificuldades”, completou.
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