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Geral

Especialistas abordam desenvolvimento e inclusão de pessoas autistas em evento no MPF

Debate realizado em Porto Alegre (RS) abrangeu temas como família, escola, equipes transdisciplinares e acessibilidade

Data: 20/04/2026 • 13:56 Unidade: Procuradoria Regional da República da 4ª Região
Visão ampla do evento.

Foto: Comunicação MPF

Servidores e membros do Ministério Público Federal (MPF), além do público externo, puderam aprender um pouco sobre a inclusão e o desenvolvimento de pessoas autistas na quarta-feira (15), no auditório da Procuradoria Regional da República da 4ª Região (PRR4), em Porto Alegre (RS). Promovido pelo Programa de Saúde e Assistência Social do Ministério Público da União (Plan-Assiste), o evento “Vamos falar sobre autismo? Os quatro pilares para o desenvolvimento TEA: família, terapia, escola e sociedade” contou com a presença de especialistas na área para debater uma temática tão cara, tanto para as pessoas com deficiência, quanto para o sistema de saúde e para a sociedade.

A procuradora-chefe adjunta da PRR4, Cristianna Dutra Brunelli Nácul, destacou a relevância do tema na atualidade. “É um assunto realmente preocupante, que está envolvendo autoridades do mundo inteiro e merece um olhar muito sensível, muita dedicação de todos nós, não só o Estado, mas também a sociedade”, declarou na abertura do evento.

O diretor nacional de Saúde e Assistência do Plan-Assiste, Alexandre Teixeira de Oliveira, também parabenizou a iniciativa. “Tratar deste tema é algo extremamente importante, não só pra quem vive isso no dia a dia, mas para nós do Plan-Assiste porque prestar aos nossos beneficiários, que estão no Brasil inteiro, um tratamento de qualidade tem sido um desafio, pois nem sempre existem muitas clínicas credenciadas ou profissionais habilitados para realizar esse tipo de tratamento”.

O evento contou com palestras de três especialistas na área. A psicóloga Elisângela Modena apresentou pontos relevantes sobre os pilares do desenvolvimento da criança autista. Explicou que a família é a base do desenvolvimento afetivo de qualquer pessoa, seja ela típica ou atípica. Segundo ela, é ali que está o “fator humano” do processo, fora de consultórios e que tem dinâmica própria. “A família precisa ter seus momentos, de utilizar o carinho, o abraço, a brincadeira, a gargalhada. Ela nunca deixará de ter sua cultura, seus costumes, e a gente precisa também, como terapeutas, ajudar essa família a não perder sua característica”, afirmou.

Ela enfatizou também que a família é o laboratório para ensinar autonomia e comunicação funcional que será praticada fora de casa, destacando a importância do reforço positivo dos familiares, com carinho e consistência, para o desenvolvimento e bem-estar da criança. Sobre o segundo pilar do desenvolvimento da criança autista - a escola -, Modena ressaltou a importância da adaptação curricular e do manejo comportamental, bem como da mediação nas interações sociais. 

A terapeuta ocupacional Luiza Lima da Silva falou sobre a importância da equipe transdisciplinar para a promoção da autonomia e da funcionalidade no desenvolvimento da pessoa autista, inclusive de adultos e adolescentes. “A equipe que transcende a clínica é a melhor proposta para o paciente. É aquela que vai fazer a relação dar certo com a questão da escola, do trabalho, das atividades de lazer, principalmente relacionamentos”, declarou.

Ela ainda esclareceu que as equipes, formadas por profissionais diversos, como psicólogo, psicomotricista, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, entre outros, desenvolvem estratégias sensoriais, comportamentais e comunicacionais reguladoras, além de promoverem um apoio à autonomia nas atividades do dia a dia, uma abordagem muito mais ampla do que a clínica.

Por fim, a fonoaudióloga Eduarda Winter Malcorra lembrou das dificuldades relacionadas à identificação de uma pessoa autista, o que pode gerar barreiras para a acessibilidade. “O autismo é a única deficiência que a gente não vê porque ela não é adquirida e não é uma deficiência física”, destacou a fonoaudióloga, lembrando que a inclusão deve existir para todas as deficiências: “Eu acredito que para além do autismo a gente precisa de um mundo que seja adaptado para todas as dificuldades”.

Acesse aqui a íntegra do evento