Geral
MPF destaca avanços na proteção às mulheres nos 20 anos da Lei Maria da Penha
Em sessão solene na Câmara dos Deputados, Luiza Frischeisen ressaltou o papel da legislação na atuação do sistema de Justiça
Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados
O Ministério Público Federal (MPF) foi representado pela subprocuradora-geral da República Luiza Frischeisen em sessão solene que homenageou os 20 anos da Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006), realizada na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (12). Sancionada em 7 de agosto de 2006, a legislação estabeleceu mecanismos para prevenir e enfrentar a violência doméstica e familiar contra a mulher e se consolidou como um dos principais marcos brasileiros de proteção dos direitos das mulheres.
Ao discursar, Frischeisen destacou, entre os principais avanços proporcionados pela Lei Maria da Penha, a mudança na forma como o sistema de Justiça passou a enxergar e acolher as vítimas de violência. “O Ministério Público está acostumado à investigação e à propositura da ação penal, mas, desde a Lei Maria da Penha, ele incorpora um olhar para a vítima, de apoio à vítima, aos familiares e, muitas vezes, aos órfãos que ficam”, afirmou. Ela ressaltou, ainda, a importância das medidas protetivas e lembrou que a legislação abriu caminho para outros instrumentos de enfrentamento da violência de gênero, como a tipificação do feminicídio e o combate à violência política contra a mulher.
Apesar dos avanços legislativos das últimas duas décadas, os números mostram a persistência da violência de gênero no país. Em 2025, o Brasil registrou 1.571 feminicídios, o maior número da série histórica, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento aponta ainda que 62,5% das vítimas foram mortas dentro de casa e, entre os casos com autoria identificada, quase 80% dos crimes foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros. No mesmo período, foram registradas 4.189 tentativas de feminicídio, aumento de 5,9% em relação ao ano anterior.
Diante desse cenário, Luiza Frischeisen defendeu que a responsabilização dos agressores seja acompanhada de ações preventivas, especialmente por meio da educação. Para a subprocuradora-geral, é necessário ensinar desde cedo que a violência contra mulheres e meninas e a ideia de inferioridade feminina não podem ser naturalizadas. “Temos que trabalhar numa visão preventiva e numa visão punitiva, mas o ideal é que consigamos evitar as agressões”, afirmou.
Ao encerrar a participação, a representante do MPF homenageou as pessoas que contribuíram para a construção e o aperfeiçoamento da Lei Maria da Penha, especialmente Maria da Penha Maia Fernandes, por sua trajetória na defesa dos direitos das mulheres e meninas.
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