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Me explica, MPF: quais fraudes eleitorais a urna eletrônica eliminou?

A urna eletrônica contribuiu para eliminar irregularidades na votação. Conheça algumas das fraudes que eram mais comuns na urna de lona e no voto em papel

Data: 11/05/2026 • 16:14 Unidade: Procuradoria-Geral da República
Imagem geométrica verde no canto esquerdo. Na frente dela, há três linhas semelhantes a uma onda, na cor branca. No canto inferior direito está em destaque o texto Me explica, MPF em roxo dentro de uma balão de fala branco. Acima está o texto Ministério Público nas Eleições 2026.

Arte: Comunicação/MPF

No dia 13 de maio de 2026, a urna eletrônica brasileira completa 30 anos. A data marca o envio das primeiras urnas eletrônicas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), para utilização nas eleições municipais daquele ano. Além de modernizar a votação, a informatização também tornou mais ágil e eficiente o trabalho de fiscalização do Ministério Público Eleitoral no acompanhamento da totalização dos votos e no combate a fraudes que eram frequentes no sistema de votação em papel.

Hoje, o Ministério Público participa de todas as etapas de auditoria nos sistemas de votação eletrônica, que também podem ser acompanhadas por partidos, especialistas e cidadãos, no intuito de aprimorar o sistema. 

Embora a urna eletrônica tenha sido implantada apenas nas Eleições de 1996, o Código Eleitoral de 1932 já previa a utilização de uma “máquina de votar” para as eleições brasileiras. 

Antes da urna eletrônica, o processo de votação era feito com cédulas de papel e a apuração era manual, o que abria espaço para diversos tipos de fraudes e erros. A partir do ano 2000, 100% das eleições brasileiras passaram a ser feitas de modo digital, tornando o processo mais rápido, seguro e transparente, além de reduzir significativamente as fraudes que eram comuns no passado. 

Atuação do MP Eleitoral em 1994 

As Eleições de 1994 mostraram de forma ainda mais evidente a necessidade de modernização do sistema. Naquela disputa, feita ainda com votação em cédulas de papel, houve grande demora na totalização dos votos e diversas suspeitas de falhas e manipulações. O MP Eleitoral chegou a pedir a anulação das eleições para deputados e senadores no estado, apontando diversas irregularidades. O TRE do Rio de Janeiro chegou a anular a eleição, o que foi revertido anos depois pelo TSE.  

Apesar disso, tudo o que ocorreu nas Eleições de 1994 no Rio de Janeiro reforçou a urgência de um sistema mais confiável e contribuiu diretamente para a implementação da urna eletrônica pelo TSE, em 1996. 

Fraudes mais comuns na votação em cédula de papel

- Urna grávida
Antes do início da votação, cédulas preenchidas eram depositadas na urna de lona, ou seja, a urna, que deveria estar vazia, já chegava à seção eleitoral com votos dentro dela.
Com a urna eletrônica e a emissão da zerésima - documento gerado antes da abertura da votação atestando que a urna está sem votos -, isso não é mais possível.

- Voto estoque
As cédulas de papel do estoque de segurança das seções eleitorais eram preenchidas e inseridas nas urnas.
Com o voto eletrônico, não é necessário ter um estoque de cédulas de papel.

- Fraudes no transporte das urnas de lona até o local de apuração

Ao final da votação, as urnas de lona com os votos coletados durante o dia eram substituídas por outras com votos diferentes. Havia necessidade de um enorme aparato de segurança para proteger as urnas em todas as seções de apuração. 

Hoje em dia, o envio dos votos coletados ocorre em um sistema seguro da Justiça Eleitoral. Além disso, os partidos, candidatos e o próprio eleitor podem conferir o resultado divulgado pelo TSE com o gerado no boletim de urna, que é impresso logo após o fim da votação e fica disponível para todos. 

- Fraude cantada

Os votos de papel eram consolidados em mapas eleitorais após serem contados. A fraude ocorria de duas maneiras: a pessoa que informava os números da apuração para serem registrados no mapa eleitoral, chamado de escrutinador, "cantava os votos", ou seja, falava em voz alta os números errados para serem registrados.

- Mapismo

Os votos de cada seção eleitoral eram incluídos num “mapa", com resultados locais e regionais. Esses mapas podiam ser trocados ou adulterados, com atribuição de votos a quem não os obteve. 

Com a urna eletrônica, a apuração é 100% digital e o Registro Digital do Voto (RDV) armazena, de forma aleatória, todos os votos digitados na seção eleitoral. 

⚠️ Atenção para as mentiras que circulam envolvendo as urnas! 

A ideia de que as urnas não são auditáveis não é verdadeira. A cada eleição, a Justiça Eleitoral contrata auditoria externa, que acompanha, no dia da eleição, uma votação paralela - com urnas que são publicamente sorteadas - e faz um relatório, conforme prevê a Resolução TSE n° 23.673/2021, que trata da fiscalização e auditoria nos sistema de votação.

O código-fonte das urnas, conjunto de instruções que orientam o funcionamento dos sistemas eleitorais desenvolvidos pelo TSE, também passa pela análise de diversas entidades, como o MP Eleitoral, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e técnicos indicados pelos partidos políticos, conforme previsto na Lei das Eleições (Lei n° 9.504/97).

Por isso, a urna eletrônica representa um marco importante na história da democracia brasileira: ela não apenas modernizou o processo eleitoral, mas também ajudou a proteger a vontade do eleitor, o sigilo do voto e a fortalecer a confiança nas eleições.

Me explica, MPF!

A série “Me explica, MPF!” aborda perguntas frequentes sobre o Ministério Público brasileiro, que inclui o Ministério Público da União (MPU) e os 26 ministérios públicos estaduais. Toda segunda-feira, um novo tema será publicado no portal do MPF.

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