Direitos do Cidadão
Exposição da PFDC resgata trajetórias de mulheres apagadas da história brasileira
Segunda edição de “Mulheres Invisibilizadas” apresenta 30 novas homenageadas e propõe reflexão sobre memória, igualdade e reparação histórica
Foto: Zeca Ribeiro/MPF
Dar visibilidade a mulheres que contribuíram para a construção do país, mas tiveram suas trajetórias apagadas ou pouco reconhecidas pela história oficial. Com esse propósito, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão do Ministério Público Federal (MPF), inaugurou, nesta quarta-feira (19), a segunda edição da exposição “Mulheres Invisibilizadas”. A mostra, que acontece na sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília, reúne 30 homenageadas, de diferentes épocas, origens e áreas de atuação, que se destacaram na política, nas artes, na ciência, na defesa dos direitos humanos e nas lutas sociais.
Na abertura do evento, o procurador federal dos Direitos do Cidadão, Paulo Thadeu, destacou que o apagamento dessas trajetórias é resultado de desigualdades históricas que, durante séculos, privilegiaram narrativas masculinas e elitizadas. Segundo ele, recuperar essas histórias significa reconhecer a contribuição de mulheres negras, indígenas, trans, periféricas e de outros grupos que participaram ativamente das transformações da sociedade brasileira. “Ao apresentarmos 30 novas trajetórias, reafirmamos o compromisso com um acervo dinâmico e em contínua expansão”, afirmou.
Entre as personalidades apresentadas nesta edição estão Enedina Alves Marques, primeira engenheira negra do Brasil; Laélia de Alcântara, primeira mulher negra a exercer o mandato de senadora; a artista indígena Moara Tupinambá; e Fernanda Benvenuti, referência na defesa dos direitos das pessoas trans. Paulo Thadeu ressaltou que a exposição também funciona como instrumento de sensibilização e educação, capaz de estimular, dentro e fora do sistema de justiça, reflexões sobre estereótipos e sobre a construção de políticas efetivas de equidade.
Histórias e memória - A exposição é uma iniciativa da Comissão de Igualdade de Gênero, ligada à PFDC, e está alinhada aos compromissos de promoção da igualdade e da não discriminação assumidos pelo Brasil. A primeira edição aconteceu em março de 2025, em alusão ao Dia da Mulher. Este ano, a data coincide com a campanha do Agosto Lilás, que busca conscientizar a população para o enfrentamento à violência contra a mulher.
Coordenadora da Comissão de Igualdade de Gênero da PFDC, a procuradora regional da República Acácia Suassuna afirmou que a iniciativa faz parte dos esforços do MPF em recuperar histórias e preservar a memória. O projeto, segundo ela, nasceu a partir de uma reflexão provocada por uma palestra da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia, que abordou personagens fundamentais para a história do Brasil, cujo as histórias são pouco ou nada conhecidas.
“Esta exposição não é apenas uma homenagem, é um ato de reparação para que elas ocupem seu devido lugar na sociedade e no nosso consciente”, afirmou Suassuna, ao lembrar a história de Bárbara de Alencar, homenageada na primeira edição da mostra e lembrada apenas por seu parentesco com o escritor José de Alencar, apesar de sua própria trajetória política.
Resistência e reconhecimento - Nesta edição, a exposição Mulheres Invisibilizadas joga luz sobre a vida e trajetória de 30 mulheres brasileiras que fizeram parte dos bastidores da construção histórica do Brasil. Entre elas está Eny Moreira, advogada e militante dos direitos humanos, que foi figura central na defesa dos presos políticos durante a ditadura militar, e fundadora do Comitê Brasileiro pela Anistia.
Outra personagem importante contemplada na mostra de fotografias é Enedina Alves Marques, que enfrentou barreiras sociais, raciais e de gênero até se tornar engenheira em 1945. “Se estamos aqui hoje, é porque muitas lutaram antes de nós”, sintetizou Acácia Suassuna.
A cerimônia de abertura também contou com um recital de piano e violoncelo, concebido pela procuradora da República Luciana Loureiro e por Leila Olaik. A apresentação prestou homenagem à compositora, pianista e maestrina Chiquinha Gonzaga, e à sambista Ivone Lara, uma das precursoras do samba no Brasil, reforçando, por meio da música, o propósito da iniciativa de manter vivas trajetórias femininas que ajudaram a transformar a história e a cultura brasileiras.
Visitação - A segunda edição de “Mulheres Invisibilizadas” fica em cartaz no Memorial do MPF, na Procuradoria-Geral da República, até 18 de setembro. A visitação é gratuita e aberta aos públicos interno e externo, de segunda a sexta-feira, das 13h às 17h. Para grupos, é necessário agendamento prévio, pelo e-mail pgr-memorialmpf@mpf.mp.br.
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