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MPF instala o Banco Vermelho na sede de Florianópolis e adere à campanha Feminicídio Zero
Cerimônia precedeu roda de conversa sobre violência psicológica contra as mulheres
Nessa segunda-feira (17), o Ministério Público Federal (MPF) em Santa Catarina inaugurou o Banco Vermelho na sua sede em Florianópolis. A iniciativa integra a campanha Feminicídio Zero e tem como objetivo conscientizar a população sobre a prevenção e o combate ao feminicídio e a todas as formas de violência contra a mulher. O Banco Vermelho também faz uma homenagem às vítimas dessa violência e simboliza um espaço de reflexão, acolhimento e autocompaixão.
O projeto da Comissão de Equidade de Gênero e Raça do MPF em Santa Catarina, coordenada pela procuradora da República Rafaella Alberici, foi autorizado pelo ex-procurador-chefe do MPF, Daniel Ricken, idealizado pelo Programa Bem Viver, da Coordenadoria de Gestão de Pessoas, e executado pela equipe da administração da procuradoria da República.
A solenidade de inauguração foi conduzida pelas procuradoras da República Rafaella Alberici, Patrícia Muxfeldt e Jerusa Viecili, e contou com a presença de servidores, estagiários, trabalhadores terceirizados e o público externo. Durante a cerimônia de desate da fita inaugural do banco, que traz a mensagem "Você não está sozinha. Sentar e refletir. Levantar e agir", ressaltou-se que o feminicídio representa o ponto extremo de um ciclo de violências, que muitas vezes começa de forma silenciosa, por meio do abuso psicológico e de agressões não físicas.
Após a inauguração, foi realizada uma roda de conversa, do Projeto Mente e Prosa Feminina, mediada pela procuradora Rafaella Alberici, com a participação da juíza federal Adriana Regina Barni, que é ouvidora da mulher na Justiça Federal em Santa Catarina, e da defensora pública estadual Anne Teive Auras, que abordou a conscientização sobre a violência psicológica contra as mulheres e debateu com as participantes questões que envolvem as dificuldades e agressões sofridas pelas mulheres.
Para a procuradora Rafaella Alberici, o feminicídio é o extremo de uma linha do tempo, que abarca vários tipos de violência contra a mulher. “Eu gostaria de fazer um compromisso com todos aqui presentes, no sentido de que esse banco seja um lugar pra gente lembrar das mulheres que perderam a vida, mas também que seja um lugar de reflexão e de autocompaixão”, disse a procuradora no início da cerimônia. Ela também fez um apelo: “quando verificarmos os sinais de violência, nós temos que ter o compromisso de não virarmos as costas para essas mulheres, que a gente saiba acolhê-las sem julgar e ser um porto seguro para elas”.
A juíza Adriana Barni destacou que o Banco Vermelho é um símbolo do combate à violência contra a mulher dentro e fora das instituições, e, ao mesmo tempo, uma forma de dizer que, nesses lugares, as mulheres não estão sozinhas. Ela destacou também que a atuação das instituições em rede facilita esse combate, “que é um trabalho de formiguinha, porque nós temos enraizados anos de cultura patriarcal e de silenciamento”.
Segundo a defensora pública Anne Auras, “a gente precisa de fato lembrar, não apenas no Agosto Lilás, mas durante todo o ano, que essa realidade da violência contra a mulher existe, que a gente não pode silenciar, que nós somos, todos e todas, rede de apoio para essas mulheres”. Ela também incentivou as pessoas a oferecerem ajuda e escuta. “Uma escuta não culpabilizadora, uma escuta acolhedora, pra que essas mulheres se sintam seguras pra romper o silêncio e o ciclo da violência”, concluiu a defensora pública.
Veja aqui o álbum de fotos do evento.
Ouça aqui a entrevista da procuradora Rafaella Alberici, veiculada na rádio CBN Floripa.
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