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Indígenas

MPF e MPT recomendam fim de interferências políticas na contratação de profissionais de saúde indígena em Chapecó (SC)

Atuação em conjunto entre as instituições busca a adoção de critérios estritamente técnicos na gestão de pessoal

Data: 20/05/2026 • 08:01 Unidade: Procuradoria da República em Santa Catarina
Um profissional de saúde sorridente com estetoscópio examina um bebê indígena no colo de sua mãe na entrada de uma casa, enquanto uma criança observa de perto.

Foto ilustrativa: Alejandro Zambrana/Sesai

O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) expediram, na última sexta-feira (15), uma recomendação conjunta para coibir ingerências políticas e indicações arbitrárias de lideranças indígenas nas contratações e demissões de funcionários terceirizados que atuam na saúde e na vigilância escolar em aldeias da região de Chapecó (SC).

A medida, baseada em investigações de inquéritos civis em andamento, visa garantir a moralidade administrativa e a eficiência dos serviços essenciais prestados às comunidades, evitando que trabalhadores qualificados sejam dispensados por perseguição ou falta de alinhamento político.

O documento é assinado pelo procurador da República Antonio Augusto Teixeira Diniz e pela procuradora do Trabalho Elysa Tomazi. As instituições estipularam um prazo de 30 dias para que os envolvidos se manifestem sobre o cumprimento das orientações.

Às lideranças das Terras Indígenas Xapecó, Toldo Chimbangue, Toldo Pinhal, Toldo Imbu, Aldeia Kondá, Limeira e Araçá'í, MPF e MPT recomendam a abstenção de qualquer interferência ou pressão na gestão de trabalhadores, orientando que eventuais falhas no atendimento sejam formalizadas exclusivamente via canais oficiais.

Além disso, as empresas terceirizadas – tanto a atual prestadora, Limtec Serviços Especializados, quanto a futura vencedora da licitação em curso – devem manter o controle estrito do poder empregatício, ficando expressamente proibidas de realizar demissões arbitrárias durante a transição contratual, em especial, de funcionários que denunciaram irregularidades.

Na recomendação, o MPF e o MPT apontam ainda que cabe ao Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei-ISUL) fiscalizar e garantir que a nova empresa realize um processo seletivo amplo e objetivo, com critérios claros de avaliação que priorizem a contratação de profissionais indígenas residentes nas próprias comunidades assistidas, em estrito respeito à cultura local e à ordem de classificação.

Contexto e fiscalização – De acordo com os procuradores, a assistência básica de saúde e saneamento nas comunidades é de competência da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), executada por meio de contratos terceirizados. As investigações apontaram um histórico de denúncias sobre demissões e nomeações movidas por interesses pessoais ou partidários, prejudicando diretamente o atendimento à população local.

“As indicações políticas e as ingerências arbitrárias (...) não representam apenas uma violação aos princípios da impessoalidade e da moralidade, mas também ao princípio da eficiência, comprometendo especialmente a qualidade na prestação desses serviços”, aponta trecho da recomendação.

Os órgãos alertam que, caso a recomendação não seja respondida ou acatada no prazo fixado, o silêncio será interpretado como recusa, sujeitando os destinatários a medidas judiciais e administrativas cabíveis perante a Justiça.

Recomendação Conjunta nº 5/2026

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