Patrimônio Cultural
Patrimônio Cultural: atuação do MPF garante execução de projeto para preservação do tropeirismo no RS
Após decisão favorável ao MPF no TRF4, Iphan firma convênio com UFPel para cadastrar sítios arqueológicos nos Campos de Cima da Serra
Imagem: Wikipedia/Domínio Público. Arte: Comunicação/MPF.
Uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) viabilizou o início do mapeamento e cadastramento de sítios arqueológicos ligados ao tropeirismo no Rio Grande do Sul. Após decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) favorável aos pedidos do MPF na ação, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) firmou convênio com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) para executar o projeto voltado à preservação do patrimônio arqueológico.
A atuação do MPF teve início a partir de inquérito civil público instaurado pela Procuradoria da República em Caxias do Sul (RS), em 2009. O procedimento apurou a destruição de muros de taipas históricos devido ao avanço do plantio de eucalipto e identificou riscos materiais nos municípios de Bom Jesus, São José dos Ausentes, São Francisco de Paula e Santo Antônio da Patrulha, nos chamados Campos de Cima da Serra.
Diante da ameaça às estruturas e do potencial impacto da Usina Hidrelétrica de Pai Querê no sítio do Passo de Santa Vitória, o MPF ajuizou a ação em 2013, assinada pela procuradora da República Luciana Guarnieri. Foi pedido à Justiça Federal que determinasse ao Iphan a execução do mapeamento dos sítios arqueológicos, previsto em projeto de 2009 do próprio Instituto, que não havia sido executado sob a alegação de insuficiência de recursos orçamentários.
Após a sentença de primeira instância negar os pedidos formulados na ação, a 4ª Turma do TRF4 decidiu, em julho de 2021, por unanimidade, acolher a apelação do MPF. O acórdão reconheceu a omissão administrativa e fixou prazos objetivos para o Iphan: 7 meses para adotar as medidas e viabilizar os créditos orçamentários necessários ao início dos trabalhos, e 18 meses para a conclusão do projeto.
Cumprimento da decisão – Em março de 2026, o Iphan noticiou a destinação de verbas para o repasse à UFPel e requereu a extinção da ação. No entanto, a procuradora da República Flávia Nóbrega rejeitou o pedido e protocolou manifestação pedindo o cumprimento forçado do julgado, com pedido de fixação de multa diária. O MPF pontuou que a mera transferência orçamentária não comprova a efetiva execução do inventário determinado pela Justiça e requereu o prazo de 180 dias para que o Iphan apresente relatórios técnicos, cronogramas atualizados e resultados concretos das atividades de campo.
Execução e fases do projeto – A cooperação acadêmica e institucional entre o Iphan e o curso de Arqueologia da UFPel – a primeira firmada nesse formato pela autarquia no estado – abrange três etapas, com previsão de oito meses:
– Pesquisa bibliográfica e documental: Realizar o levantamento de dados históricos e mapeamento de registros preexistentes.
– Trabalho de campo: Executar a delimitação, georreferenciamento, registro fotográfico e avaliação do estado de conservação das taipas e vestígios nos quatro municípios.
– Consolidação dos dados: Atualizar o Sistema Integrado de Conhecimento e Gestão (SICG) do Iphan, elaborar catálogos municipais e produzir mapeamentos cartográficos e relatórios finais.
Atualmente, as duas primeiras etapas do cronograma estão em andamento com a participação de alunos e pesquisadores da universidade.
Tropeirismo – O tropeirismo foi um movimento econômico e cultural do Brasil colonial e imperial, em que condutores de tropas (os tropeiros) viajavam pelo interior do país transportando gado, mulas e mercadorias. A atividade contribuía para a integração das Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste entre os séculos XVII e o início do XX.
Agosto do Patrimônio Cultural – No mês do Dia Nacional do Patrimônio Histórico e Cultural, celebrado em 17 de agosto, a Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPF (4CCR) promove uma ação coordenada para dar visibilidade a projetos, iniciativas e atuações promovidas pelo órgão em defesa do patrimônio cultural brasileiro. Acompanhe todas as notícias no site do MPF.
Ação Civil Pública 5010994-18.2013.4.04.7107/RS
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