Meio Ambiente
MPF: Guardião do litoral potiguar
Com a proximidade da Semana do Meio Ambiente, o MPF reforça a importância da atuação ambiental na preservação dos ecossistemas do Rio Grande do Norte.
Fonte: Secretaria de Turismo de Baía Formosa.
Com a proximidade da Semana Mundial do Meio Ambiente de 2026, o Ministério Público Federal (MPF) reforça a importância da atuação ambiental na preservação dos sistemas naturais do Rio Grande do Norte. Ao longo dos mais de 400 quilômetros do litoral potiguar, a instituição atua para proteger áreas sensíveis, garantir o cumprimento da legislação ambiental e assegurar os direitos das populações tradicionais.
O litoral potiguar reúne uma rica diversidade ecológica, composta por dunas, falésias, manguezais e áreas de grande biodiversidade marinha. Além de sustentar atividades econômicas, como o turismo e a pesca, esses territórios enfrentam pressões constantes, como ocupações irregulares, tráfego de veículos em praias e impactos de grandes empreendimentos.
Nesse contexto, o MPF desenvolve ações voltadas tanto à prevenção quanto à reparação de danos ambientais, buscando equilibrar desenvolvimento econômico e preservação ambiental por meio de ações judiciais, recomendações, acordos e monitoramento.
Natal e Região Metropolitana
Na capital potiguar, a atuação do MPF envolve o acompanhamento de intervenções urbanas e a proteção de áreas ambientalmente sensíveis. Entre os principais focos estão a engorda da praia de Ponta Negra, a preservação de manguezais e o ordenamento urbano da Via Costeira.
O órgão também atua na proteção da fauna marinha, especialmente em áreas de desova de tartarugas-marinhas ameaçadas de extinção. Além disso, acompanha projetos turísticos e urbanísticos, como a urbanização da praia da Redinha, buscando garantir a participação das comunidades tradicionais envolvidas.
Em Pirangi, no município de Parnamirim, o MPF acompanha ações de recuperação de áreas degradadas, incluindo regiões de dunas impactadas por ocupações irregulares.
Tibau do Sul (Praia de Pipa)
Na praia de Pipa, um dos principais destinos turísticos do país, um grande desafio é a preservação das falésias e o controle da ocupação urbana em áreas ambientalmente frágeis. O MPF atua para conter construções irregulares e exigir planejamento ambiental adequado para novos empreendimentos.
A proteção da fauna marinha também integra as ações na região. O órgão participou da construção de acordos com operadores turísticos para reduzir impactos sobre os golfinhos, espécie símbolo da região, com a definição de limites na quantidade e duração de passeios de barco.
Baía Formosa, Touros e São Miguel do Gostoso
Nesses municípios, o foco da atuação tem sido o combate ao tráfego irregular de veículos em praias e áreas de preservação ambiental. A circulação desordenada compromete a vegetação nativa, afeta espécies da fauna local e coloca em risco trabalhadores e frequentadores das praias. O MPF já obteve decisões judiciais que determinam a criação de vias alternativas e fiscalização efetiva das prefeituras.
Costa Branca: Macau, Areia Branca, Guamaré e Grossos
Na região da Costa Branca, a atuação concentra-se principalmente na atividade salineira. O MPF acompanha processos de regularização ambiental das salinas e busca garantir compensações por danos ambientais decorrentes da exploração econômica em áreas de preservação permanente, formadas principalmente por manguezais.
Também há atuação voltada à regularização de estações de tratamento de efluentes e à proteção de áreas próximas a manguezais, dunas e cursos d’água.
Casos históricos
Ponta Negra e reorganização da orla - A atuação do MPF em Ponta Negra marcou a história urbanística e ambiental de Natal. Com o crescimento turístico da região nas décadas de 1980 e 1990, aumentaram as ocupações irregulares na faixa de areia, além de problemas relacionados ao descarte inadequado de resíduos e à poluição sonora.
Em 1991, o MPF ingressou com ação civil pública contra o Município de Natal e dezenas de barraqueiros, defendendo a reorganização e urbanização da orla. Após anos de debates judiciais, a reestruturação da praia foi concluída no início dos anos 2000, com a retirada das antigas barracas, construção do calçadão e implantação de quiosques padronizados.
Proteção do Morro do Careca - O MPF também teve atuação importante na proteção do Morro do Careca, um dos principais cartões-postais do Rio Grande do Norte. O órgão atuou para reforçar a proibição de acesso ao morro e garantir fiscalização permanente em uma área ambientalmente sensível.
A circulação de pessoas no local já era proibida desde 1997, devido aos impactos provocados na vegetação e nas dunas, fundamentais para a estabilidade ambiental da região.
Estratégias de atuação
Entre os principais mecanismos utilizados pelo MPF estão o ajuizamento de ações civis públicas, com pedidos de liminares para interromper danos ambientais urgentes, além da expedição de recomendações e da celebração de acordos com órgãos públicos e setores econômicos.
O órgão também exige estudos técnicos e planejamento ambiental para empreendimentos instalados em áreas sensíveis, buscando evitar impactos irreversíveis aos ecossistemas costeiros.
Outra frente importante é a garantia da participação social em processos que envolvem territórios vulneráveis, assegurando o diálogo com comunidades tradicionais e grupos diretamente afetados pelas intervenções.
As iniciativas refletem uma atuação permanente e integrada do MPF no Rio Grande do Norte, combinando prevenção, responsabilização, recuperação ambiental e diálogo institucional para garantir que o desenvolvimento do litoral ocorra de forma sustentável.
Assessoria de Comunicação Social
Ministério Público Federal no Rio Grande do Norte
Fone: (84) 3232-3900
prrn-ascom@mpf.mp.br