Direitos do Cidadão
Exposição Mulheres Invisibilizadas chega à Cidade da Polícia e amplia diálogo com rede de proteção às mulheres
Mostra segue até 20 de março e coincide com lançamento de campanha nos ônibus da capital que alerta sobre feminicídio
Foto: Marco Pimentel
A exposição Mulheres Invisibilizadas passou a integrar, desde a última segunda-feira (16), o espaço da Cidade da Polícia Civil, em João Pessoa, onde permanece aberta à visitação até o dia 20 de março. A iniciativa, idealizada pelo Grupo de Trabalho Igualdade de Gênero da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadãos (PFDC/MPF) e replicada na Paraíba pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), dá continuidade à agenda institucional voltada à promoção da igualdade de gênero, à valorização da memória feminina e ao enfrentamento à violência contra a mulher.
Instalada em um dos principais pontos de acesso da população aos serviços de segurança pública, a exposição fortalece o diálogo com a rede de proteção e evidencia o papel estratégico das instituições no acolhimento e na garantia de direitos das mulheres em situação de violência.
A procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Janaina Andrade, destacou a relevância de levar a exposição para espaços como a Cidade da Polícia. “Levar essa exposição para um ambiente como este é reafirmar que o enfrentamento à violência contra a mulher passa também pela informação, pela memória e pela conscientização. É uma iniciativa que conecta passado e presente, valoriza trajetórias invisibilizadas e fortalece a atuação integrada das instituições na proteção das mulheres”, afirmou.
Para a delegada Sileide Azevedo, coordenadora das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher na Paraíba, a presença da exposição na Polícia Civil tem significado simbólico e institucional. “Para nós que fazemos a Polícia Civil, é uma grande satisfação receber essa exposição justamente no mês em que celebramos o Dia Internacional da Mulher e reafirmamos nosso compromisso com a vida das mulheres paraibanas. A iniciativa é muito emblemática porque resgata a memória de mulheres que foram precursoras na ocupação de espaços de poder. Esse reconhecimento inspira e fortalece aquelas que passam por aqui diariamente, ao mesmo tempo em que reforça o nosso compromisso com essa pauta”, destacou.
A juíza Graziela Queiroga, coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça da Paraíba, ressaltou o caráter educativo e transformador da mostra. “É um momento singular estar com essa exposição aqui na Cidade da Polícia Civil, um espaço muito frequentado por homens e mulheres. Ela traz à luz histórias inspiradoras e também representa um momento de reparação, de fazer justiça àquelas mulheres que tanto lutaram para que estivéssemos aqui hoje. Que essas histórias inspirem outras mulheres e tragam esperança, mostrando que é possível vencer estruturas que ainda nos oprimem”, afirmou.
Representando o Ministério Público da Paraíba, a promotora de Justiça Rhomeika Porto destacou a importância da iniciativa como instrumento de educação e conscientização. “Essa exposição traz uma reparação histórica dessas mulheres que fizeram grandes avanços para que hoje possamos ocupar todos os espaços. É uma exposição educativa, que mostra que a mulher pode estar onde ela quiser e exercer qualquer cargo. Isso é importante não só para mulheres e meninas, mas para toda a sociedade”, pontuou.
Durante a abertura, também foi realizada uma homenagem à delegada Maísa Félix Ribeiro de Araújo, diretora da Academia de Polícia Civil da Paraíba, reconhecida por sua atuação no enfrentamento à violência contra a mulher.
“É importante demais para a Polícia Civil receber na sua casa, na Cidade da Polícia, a exposição Mulheres Invisibilizadas. É um momento de festa e reconhecimento do trabalho que a Polícia Civil desenvolve ao longo dos anos. Mas não é Maísa a homenageada, aqui estão todas as mulheres da segurança pública. O enfrentamento à violência contra a mulher é um trabalho coletivo, que envolve toda a instituição”, destacou.
Após o período na Cidade da Polícia, a exposição seguirá para o Ministério Público do Trabalho (MPT), de 24 a 27 de março, e para o Tribunal de Contas do Estado (TCE), de 30 de março a 3 de abril, ampliando o alcance da iniciativa e fortalecendo a rede de proteção.
“1 dia é pouco”: campanha amplia reflexão sobre direitos, liberdade e protagonismo das mulheres - A homenagem à delegada Maísa Félix integra a campanha “1 dia é pouco”, que propõe 30 dias de reflexão sobre direito, liberdade e protagonismo da mulher e põe em evidência uma causa ligada a cada uma das 30 mulheres homenageadas com uma pergunta que deve orientar a reflexão : “Qual o seu lugar em cada uma dessas causas?”. A iniciativa é promovida pelo projeto de extensão Just Imagine, vinculado ao curso de Ciências Jurídicas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em parceria com o MPF e outras instituições.
A ação busca ampliar o debate para além do 8 de março, reforçando que a luta por direitos das mulheres é contínua, estrutural e exige mobilização permanente da sociedade.
“A campanha ‘1 dia é pouco’ procura romper com a ideia de que o 8 de março esgota o compromisso em relação às causas das mulheres. O simbolismo do 8 de março precisa reverberar continuamente e despertar compromissos reais com os direitos das mulheres. Ao destacar 30 trajetórias, mostramos que são lutas atemporais e que exigem posicionamento, responsabilidade e ação de todas as pessoas”, afirmou a coordenadora do projeto, Alessandra Franca.
Campanha do Banco Vermelho leva alerta sobre feminicídio aos ônibus da capital - Também iniciada na segunda-feira (16), a campanha do projeto Banco Vermelho passou a circular em ônibus do transporte coletivo de João Pessoa, ampliando o alcance das ações de conscientização sobre a violência contra a mulher.
Ao todo, 20 ônibus de diferentes linhas circulam com busdoors contendo a mensagem “aqui poderia ter uma passageira, mas foi vítima de feminicídio”, além da divulgação dos canais de denúncia — 180, 190 e 197. A campanha segue ao longo de todo o mês de março, período marcado por ações de mobilização em todo o país.
A iniciativa é promovida pelo MPF, em parceria com a Sintur-JP, MPT, MPPB e MPC-PB, e busca atingir diretamente a população no cotidiano, utilizando o transporte público como meio de sensibilização e informação.
Dados recentes apontam que a Paraíba registrou aumento nos casos de feminicídio, evidenciando a necessidade de intensificar ações educativas, preventivas e de conscientização em toda a sociedade. Para a procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Janaina Andrade, a campanha tem papel essencial ao evidenciar a gravidade do problema. “A ideia é alertar que o feminicídio não é a primeira violência, mas o ápice de um ciclo de agressões. Levar essa mensagem para as ruas, por meio dos ônibus, amplia o alcance da campanha e reforça a necessidade de que a sociedade não se cale diante desses casos”, destacou.
“Temos plena consciência da nossa responsabilidade social e a importância de ações como essa, por isso, fazemos questão de sermos parceiros, de contribuir com a divulgação de mais uma campanha contra o feminicídio, disponibilizando anúncios em ônibus que já estão circulando em todas as áreas da cidade, proporcionando plena visibilidade, objetivando o engajamento da população”, afirmou Isaac Júnior Moreira, diretor de relações institucionais do Sintur-JP.
O procurador do Trabalho do MPT-PB, Raulino Maracajá, também endossou a questão da importância da visibilidade desse tema. “A ideia da campanha é cada vez mais publicizar para a sociedade, sobre todos os malefícios de casos de agressões a mulheres, meninas e trabalhadoras. A gente consegue fazer, através dos busdoors, com que as pessoas, os passageiros e toda a sociedade consiga visualizar e denunciar os casos, é importante não se calar”, alertou.
A procuradora do Ministério Público de Contas, Elvira Samara, também destacou o simbolismo da campanha e a importância de manter o debate sobre a violência de gênero presente na sociedade. “Sabemos que o feminicídio ainda é uma realidade dolorosa no nosso país e representa a forma mais extrema da violência de gênero. Cada mulher que perde a vida dessa forma deixa não apenas uma família devastada, mas também uma ausência que marca profundamente toda a sociedade. O símbolo escolhido para esta campanha é um banco vermelho vazio, é justamente um lembrete dessa ausência. Ele representa o lugar que deveria estar ocupado por uma mulher que teve sua vida interrompida pela violência. É um convite à reflexão e, ao mesmo tempo, um chamado à responsabilidade coletiva para que possamos mudar essa realidade”, afirmou.
A ação do Banco Vermelho é fruto da Lei 14.942/2024, cujo objetivo é sensibilizar a população, promover a reflexão e divulgar canais de denúncia e apoio às vítimas.
Com Ascom do Sintur-JP