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Criminal

MPF conclui primeiro semestre de oitivas na ação penal do caso Brumadinho e reafirma busca por justiça

Equipe visita local da tragédia e ressalta importância da participação social e compromisso em levar os responsáveis a julgamento

Data: 03/07/2026 • 15:10 Unidade: Procuradoria da República em Minas Gerais
Uma fotografia ao ar livre mostra um grupo de pessoas reunidas em um gramado durante um evento em homenagem às vítimas do rompimento da barragem de Brumadinho. Em primeiro plano, quatro homens estão em pé, lado a lado: da esquerda para a direita, o primeiro veste camisa lilás e calça preta; o segundo veste blazer marrom, camisa branca e calça jeans; o terceiro fala ao microfone vestindo blazer escuro e calça jeans; e o quarto, de terno escuro, está com o corpo levemente inclinado para a frente. Ao fundo, à esquerda, uma mulher vestindo uma camiseta com colagens de fotos observa o grupo, e à extrema direita, parte do corpo de outras duas pessoas é visível. Atrás dos homens, há vasos de flores vermelhas enfileirados no chão e grandes letras decoradas com pequenas fotos de rostos, posicionadas diante de uma mureta azul. Acima deles, destaca-se uma grande faixa branca com uma ilustração do planeta Terra sustentado por mãos e os dizeres "05 de junho - Dia Mundial do MEIO AMBIENTE", acompanhada pelo logotipo da "AVABRUM" (Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem de Brumadinho).

Foto: Comunicação/MPF.

O Ministério Público Federal (MPF) realizou, no dia 25 de junho de 2026, uma série de agendas técnicas e institucionais em Brumadinho (MG) para fortalecer a atuação na ação penal que apura as responsabilidades pelo rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão. A visita ocorreu logo após o encerramento, no dia 22 do mesmo mês, do primeiro semestre da fase de oitivas — etapa do processo dedicada a ouvir testemunhas e colher provas.

Durante o encontro, os procuradores da República Bruno José Silva Nunes, Bruno Costa Magalhães e Samir Cabus Nachef Júnior, integrantes da equipe que conduz o caso, reafirmaram que o órgão não poupará esforços para garantir a punição dos responsáveis pelas 270 mortes e pelos danos ambientais causados pela tragédia, em 2019.

A agenda com a comunidade teve início com a participação dos procuradores no ato mensal realizado pela Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos (Avabrum), no letreiro da cidade. O evento, que ocorre todo dia 25 desde o desastre, é marcado pela leitura dos nomes das vítimas e pela soltura de balões.

Ao final da cerimônia, os procuradores conversaram com o público sobre a situação atual da ação judicial. "É um trabalho muito técnico e especializado, que demanda conhecer cada página do processo e apontar, para cada pessoa, a sua própria responsabilidade", afirmou Bruno Costa Magalhães durante o encontro. O procurador complementou: "Nossa equipe está trabalhando com dedicação para que o objetivo seja alcançado".

Antes de partir para a segunda agenda do dia, o procurador Bruno Nunes agradeceu a presença dos familiares das vítimas da tragédia durante as audiências realizadas ao longo dos últimos meses. “A gente ainda tem um ano e dois meses de audiências até setembro de 2027. E uma das questões mais importantes nesse processo é a participação de vocês, acompanhando as audiências. Quando a sociedade participa e cobra do sistema de justiça, há um impulso maior para que ele funcione”, finalizou.

As audiências acontecem semanalmente, às segundas e sextas-feiras, e são abertas ao público, mediante inscrição prévia, com um percentual das vagas reservado aos familiares das vítimas. Até o momento, todas as audiências contaram com a presença dos familiares. Para a presidente da Avabrum, Nayara Porto, este é um compromisso inegociável. “Nós sabemos que tem um longo período ainda pela frente, mas a ideia é não parar [de comparecer nas audiências], nós vamos até o final. Essa luta é nossa”, afirmou.

MPF-acompanhamento-oitivas-acao-penal-Brumadinho-2026-06-25-IMG_4929-EDIT-REDUZIDA.jpgNa sequência, a comitiva foi recebida no Memorial Brumadinho, um símbolo concreto de memória e resiliência para a comunidade. O local foi projetado para garantir a guarda digna de segmentos corpóreos, evitando que familiares sofressem com constantes convocações ao Instituto Médico Legal. O grupo visitou, ainda, alguns pontos do distrito de Córrego do Feijão que foram atingidos por rejeitos de mineração, provenientes do rompimento, e a Igreja Nossa Senhora das Dores, onde funcionou o posto de comando da operação de busca e resgate entre os dias 25 de janeiro e 20 de fevereiro de 2019.

Visita técnica avalia recuperação da área da mina – Além do encontro com os atingidos, o MPF realizou uma visita no Complexo Córrego do Feijão. Os procuradores estiveram no Mirante da Mina, de onde observaram o remanescente da barragem B1 e as áreas onde funcionavam o refeitório e prédios administrativos, locais atingidos pela lama. A equipe também percorreu trechos da "mancha de rejeitos" para conferir o andamento das obras de recuperação socioambiental realizadas na região.

Entenda o caso – O rompimento da barragem B1 ocorreu em 25 de janeiro de 2019, liberando cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos. O desastre matou 270 pessoas e atingiu a bacia do rio Paraopeba, impactando mais de 20 municípios. A denúncia do MPF aponta que as empresas Vale e TÜV SÜD, além de executivos e funcionários das empresas à época, teriam agido com omissão e negligência, ignorando sinais de instabilidade da estrutura para manter as operações no complexo.

O processo criminal está atualmente na fase de instrução, que é o momento de reunir todos os elementos que fundamentarão a decisão final da Justiça. A previsão é que as audiências ocorram regularmente até setembro de 2027. Os elementos e requerimentos apresentados pelo MPF serão apreciados pela Justiça Federal, que definirá, ao final desta etapa, se os 16 réus serão encaminhados a júri popular.


Assessoria de Comunicação Social
Ministério Público Federal em Minas Gerais
Tel.: (31) 2123-9008
E-mail: PRMG-Imprensa@mpf.mp.br

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