Pular para o conteúdo

Criminal

Brumadinho: MPF acompanha audiências para apurar responsáveis pelo rompimento da Barragem B1 do Complexo Córrego do Feijão

Representantes do órgão participam das 76 sessões previstas para ouvir réus e testemunhas sobre mortes e crimes ambientais

Data: 02/03/2026 • 13:08 Unidade: Procuradoria da República em Minas Gerais
Fotografia de audiência judicial em plenário da Justiça Federal. Diversas pessoas em trajes formais ocupam uma bancada em formato de "U", com as bandeiras de Minas Gerais e do Brasil ao centro.

Foto: Divulgação Justiça Federal

A Justiça Federal de Minas Gerais iniciou, na última segunda-feira (23), as audiências para a coleta de provas e depoimentos no processo criminal sobre o rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho (MG). As sessões ocorrem na sede do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), em Belo Horizonte, com o objetivo de ouvir testemunhas de acusação e de defesa, além dos 17 réus do caso. O procedimento busca esclarecer as condutas que resultaram em 270 mortes e danos severos ao meio ambiente.

Entenda o caso – O processo criminal atualmente envolve 15 pessoas físicas e 2 empresas: a Vale S.A. e a TÜV SÜD. A denúncia imputa às pessoas físicas a prática de crimes de homicídio qualificado por 270  vezes, em referência às vítimas fatais do desastre. Além disso, os réus respondem por crimes contra a  fauna, contra a flora e crime de poluição (Lei 9.605/98). As pessoas jurídicas, por sua vez, foram denunciadas pelos crimes ambientais correlatos.

Esta etapa das audiências, chamada de fase de instrução, serve para que a Justiça Federal reúna elementos e ouça os envolvidos para fundamentar sua decisão futura. O caso passou a tramitar na esfera federal em janeiro de 2023, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O Ministério Público Federal (MPF) ratificou a denúncia apresentada anteriormente pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para dar continuidade ao processo.

Atuação do MPF – O acompanhamento do caso pelo MPF é realizado pelo 25º Ofício da Procuradoria da República em Minas Gerais (PRMG), com o suporte do Grupo de Apoio do Tribunal do Júri do MPF. Atualmente, o trabalho do órgão se divide em três ações penais: uma voltada aos crimes de homicídio qualificado e outras duas destinadas à responsabilização pelos crimes ambientais. 

No primeiro dia de atividades, foram ouvidas três testemunhas indicadas pela acusação, todas familiares de funcionários que perderam a vida no rompimento.

Cronograma – A previsão é que sejam realizadas 76 audiências até maio de 2027, sempre às segundas e sextas-feiras. Devido à complexidade e ao impacto emocional do caso, o TRF6 estruturou um espaço de acolhimento para os sobreviventes e familiares das vítimas, com apoio de equipes médicas, psicólogos e profissionais do Direito.

Histórico – O rompimento da barragem B1, na mina Córrego do Feijão, ocorreu em 25 de janeiro de 2019. Houve a liberação de aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de lama, atingindo a bacia do rio Paraopeba e causando impactos em mais de 20 municípios. Ao final desta fase de depoimentos, a Justiça definirá os próximos passos do processo, o que poderá incluir o encaminhamento dos réus para julgamento por um júri popular.

* Com informações da Justiça Federal 

Assessoria de Comunicação Social
Ministério Público Federal em Minas Gerais