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Meio Ambiente

MPF apura falhas na prevenção e na resposta a desastres climáticos em Juiz de Fora e Ubá (MG)

Objetivo é verificar a execução do Plano Nacional sobre Mudança do Clima após chuvas extremas atingirem a Zona da Mata mineira

Data: 06/03/2026 • 16:15 Unidade: Procuradoria da República em Minas Gerais
Casas são destruídas após fortes chuvas no bairro Cerâmica, na zona sudeste de Juiz de Fora.

Casas são destruídas após fortes chuvas no bairro Cerâmica, na zona sudeste de Juiz de Fora. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O Ministério Público Federal (MPF) abriu um procedimento administrativo para acompanhar e fiscalizar as ações de prevenção e socorro em municípios da Zona da Mata mineira atingidos por temporais. A iniciativa busca verificar se as diretrizes nacionais para lidar com crises climáticas foram seguidas e identificar eventuais obstáculos na proteção de moradores em áreas de risco.

De acordo com o despacho do MPF, especialistas relacionam a magnitude do desastre à emergência climática global, que gera uma atmosfera mais instável. Em apenas quatro horas, a região registrou chuvas de 160 milímetros (mm). O volume acumulado foi extraordinário: 579,3 mm nos primeiros 24 dias de fevereiro, quase o triplo da média histórica de 170,3 mm.

Até o dia 27 daquele mês, a estação meteorológica da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) já contabilizava mais de 750 mm. No total, a região enfrentou um volume de água 331% superior à média, resultando em dezenas de mortes e milhares de desabrigados.

Além disso, Juiz de Fora já havia sido identificada como a nona cidade do país com maior população em áreas de risco, com mais de 128 mil pessoas vivendo em locais sujeitos a inundações e deslizamentos. Durante os eventos climáticos de fevereiro, o município registrou pelo menos 1.243 escorregamentos de terra. Para o MPF, tais tragédias não são fenômenos isolados, mas parte de uma tendência de agravamento das mudanças climáticas no Brasil.

O procurador da República Carlos Bruno Ferreira da Silva ressalta que o MPF tem o dever de fiscalizar a eficácia das políticas públicas para garantir um meio ambiente equilibrado. A fiscalização foca na execução do Plano Nacional sobre Mudança do Clima, instrumento que orienta o país na redução de riscos e no fortalecimento das cidades contra eventos extremos. O órgão apura por que as medidas de retirada preventiva da população não foram plenamente efetivas em locais vulneráveis, mesmo com a existência de alertas emitidos por órgãos técnicos.

Providências – Como parte das primeiras medidas, o MPF enviou pedidos de informações às prefeituras de Juiz de Fora e de Ubá e às defesas civis municipais sobre o funcionamento de sirenes e sistemas de mensagens de alerta, além do perfil socioeconômico e racial das vítimas.

Também foram requisitados esclarecimentos ao Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e à UFJF sobre o monitoramento das áreas de risco na região.

Íntegra do despacho
Íntegra da portaria


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Assessoria de Comunicação Social
Ministério Público Federal em Minas Gerais
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