Patrimônio Cultural
MPF celebra reconhecimento do Sítio Histórico de São José do Queimado, no Espírito Santo, como patrimônio cultural brasileiro
Tombamento do local é uma forma de reparação simbólica, que valoriza a trajetória da população negra na história brasileira
Foto: Divulgação
O Ministério Público Federal (MPF) participou da solenidade de reconhecimento do Sítio Histórico de São José do Queimado, no Espírito Santo (ES), como patrimônio cultural brasileiro, realizada no último domingo (22). O evento marcou uma conquista histórica para o estado, e ocorreu na semana em que se completam 177 anos da Insurreição de Queimado, considerada a maior revolta de pessoas escravizadas no território capixaba e um marco da resistência negra no Brasil
Durante o ato solene, o procurador-chefe da unidade do MPF no estado, Carlos Vinicius Cabeleira, ressaltou que a proteção do patrimônio cultural e histórico é uma pauta prioritária para o MPF, que acompanhou o processo de tombamento junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) por dez anos, articulando esforços junto aos órgãos locais e federais.
O procurador enfatizou que a relação institucional com o Iphan avançou, passando de um cenário de enfrentamento jurídico para uma parceria produtiva em prol dos tombamentos, fruto do compromisso do órgão federal com o reconhecimento de bens de matriz africana. A importância da mobilização social também foi destacada como fator determinante para o êxito da titulação nacional.
"Quando o povo está envolvido, o povo movimenta os seus representantes. Então vocês aqui estão de parabéns, são exemplo para todas as comunidades do Espírito Santo", disse.
Sítio histórico tombado - O Sítio Histórico de São José do Queimado evoca a memória da luta por liberdade iniciada em 1849, quando centenas de insurgentes se rebelaram após promessas não cumpridas de alforria vinculadas à construção da igreja.
O reconhecimento federal é uma forma de reparação simbólica, que valoriza a trajetória da população negra na história brasileira e garante que o local seja preservado como um espaço de educação e resistência para as futuras gerações
Ao concluir sua participação, Carlos Vinícius Cabeleira ressaltou a responsabilidade da gestão municipal como curadora de um patrimônio que agora pertence a toda a nação brasileira. Ele destacou que o local possui potencial para se consolidar como um polo de "turismo da memória", focado na luta pela justiça e pela liberdade.