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MPF debate reparação histórica a Canudos em entrevista ao JusPod

Procuradora da República Ludmilla Vieira destacou permanência dos danos causados pela guerra e a necessidade de reconhecimento estatal

Data: 19/05/2026 • 09:23 Unidade: Procuradoria da República na Bahia
4 pessoas estão em pé sorrindo para a foto. Dois homens e duas mulheres. Uma delas é a procuradora Ludmilla Vieira.

A procuradora da República Ludmilla Vieira participou de entrevista ao podcast JusPod, conduzido por Karina Calixto e Matheus Biset, para debater aspectos jurídicos e sociais relacionados à ação movida pelo município de Canudos contra a União em busca de reparação histórica pelos danos decorrentes da Guerra de Canudos.

Durante a conversa, Ludmilla destacou os fundamentos que embasam seu entendimento de que a ação não está prescrita, apesar de os fatos históricos remontarem ao ano de 1897. Segundo ela, embora a primeira impressão ao receber o processo tenha sido a de que o pedido estaria fora do prazo legal, a análise aprofundada do caso demonstrou que os impactos da guerra permanecem presentes até hoje no município.

A procuradora explicou que a discussão não se limita ao fato histórico ocorrido há mais de um século, mas aos danos permanentes sofridos pela população e pelo território de Canudos. Entre os exemplos citados, ela mencionou dificuldades estruturais, ausência de investimentos e limitações ao desenvolvimento econômico e social da região.

Para Ludmilla Vieira, a situação envolve também uma grave violação de direitos humanos, o que exige uma análise que vá além dos aspectos patrimoniais tradicionais do direito civil. Segundo a procuradora, cabe ao Estado brasileiro reconhecer os impactos históricos e promover medidas de reparação compatíveis com a permanência desses danos.

A entrevista também abordou os desafios históricos de desenvolvimento da região de Canudos. O juiz federal João Paulo Pirôpo ressaltou a necessidade de políticas públicas e investimentos estruturantes capazes de transformar o município em um polo de desenvolvimento regional, inclusive com potencial turístico e histórico.

Ao longo do programa, os participantes discutiram ainda o papel do sistema de Justiça na promoção da memória histórica e na construção de soluções institucionais voltadas à reparação de violações históricas.

Veja a entrevista na íntegra


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