Meio Ambiente
MPF defende integração institucional e cooperação internacional em evento sobre segurança e sustentabilidade na Amazônia
Workshop reuniu autoridades de diversos países e órgãos federais para debater o crime organizado e a crise climática no bioma
Foto: Organização Soberania e Clima
O Ministério Público Federal (MPF) participou do workshop Segurança e Sustentabilidade na Agenda de Cooperação Regional Amazônica, no último dia 21 de maio. Realizado no Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), em Manaus (AM), o evento reuniu autoridades civis, militares e de países vizinhos para traçar estratégias conjuntas contra crimes transfronteiriços que ameaçam a soberania e o equilíbrio climático da região.
Representando o MPF, o procurador da República André Luiz Porreca defendeu a urgência de maior coordenação e integração de políticas públicas. Ele também deu ênfase ao enfrentamento do garimpo ilegal, atividade que opera na clandestinidade em mais de 70% das áreas no Brasil, contaminando rios com mercúrio e financiando diversas outras atividades criminosas.
O encontro também reforçou que a segurança da floresta está diretamente ligada à crise climática. Eventos climáticos extremos, como secas e cheias, causam instabilidade social e deixam populações vulneráveis ao aliciamento do crime. Somado a isso, o desmatamento ilegal, superior a 90% na região, acelera a degradação do bioma.
Temas discutidos - O evento sobre segurança e sustentabilidade na agenda de cooperação regional amazônica debateu os impactos da crise climática e do avanço do crime organizado sobre a soberania dos países da Amazônia. Entre os principais temas discutidos estiveram o desmatamento ilegal, a grilagem de terras, o garimpo clandestino, o narcotráfico, a biopirataria e o tráfico de animais silvestres, além da forma como esses crimes se articulam em redes transnacionais que exploram a vulnerabilidade social e a ausência do Estado em áreas remotas. Também foram abordados os efeitos das mudanças climáticas como fator de agravamento da violência e da instabilidade social na região.
Os debates destacaram ainda a necessidade de ampliar a cooperação entre os países amazônicos, fortalecendo mecanismos de inteligência, monitoramento e atuação integrada entre forças de segurança, defesa e órgãos ambientais. Os participantes defenderam o uso de tecnologias como inteligência artificial, drones e sensoriamento remoto para prevenir crimes ambientais e reforçaram a importância da bioeconomia, da regularização fundiária e da rastreabilidade de cadeias produtivas como estratégias para promover desenvolvimento sustentável, reduzir o poder das organizações criminosas e garantir proteção às comunidades tradicionais e aos recursos naturais da Amazônia.
Além do MPF, participaram representantes da Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Casa Civil da Presidência da República, Polícias Militares, Ministério das Relações Exteriores, dentre outros. Também participaram autoridades de países como Colômbia, Peru, Guiana, Guiana Francesa e outros.
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