Direitos do Cidadão
MPF realiza lançamento do Banco Vermelho e abre exposição sobre protagonismo feminino em unidade de Arapiraca
Evento reuniu autoridades e sociedade civil para reforçar o enfrentamento à violência de gênero e ampliar o debate sobre proteção e direitos das mulheres
O Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas realizou, na manhã desta terça-feira (28), na sede da Procuradoria da República no Município de Arapiraca (PRM-Arapiraca), o lançamento do Banco Vermelho — símbolo internacional de combate ao feminicídio — e a abertura da exposição “Mulheres Invisibilizadas”. A iniciativa reforça o compromisso institucional com o enfrentamento à violência contra a mulher e com a promoção de direitos humanos.
O evento reuniu representantes de diversas instituições públicas, do sistema de justiça e da sociedade civil, em um momento marcado pela reflexão coletiva sobre a urgência de ações concretas para prevenir e combater a violência de gênero. A instalação do banco integra o programa instituído pela Lei nº 14.942/2024, que busca sensibilizar a sociedade, ampliar o debate e fortalecer a divulgação de canais de denúncia e apoio às vítimas.
Compromisso coletivo e papel das instituições
Ao abrir o evento, a procuradora-chefe da República em Alagoas, Roberta Bomfim, deu as boas-vindas aos presentes, agradeceu a participação das instituições e chamou a atenção para os números alarmantes relacionados à violência contra a mulher no Brasil, reforçando a urgência de ações permanentes de enfrentamento.
Na sequência, a procuradora-chefe substituta, Raquel Teixeira, convidou o público a refletir sobre o papel da educação na prevenção da violência, destacando que o respeito às mulheres começa no ambiente familiar. Para ela, é essencial repensar a forma como crianças e jovens estão sendo educados diante de um cenário de agravamento dos casos.
O procurador regional dos direitos do cidadão, Bruno Lamenha, dirigiu-se especialmente ao público masculino, conclamando os homens a se implicarem ativamente na causa. Ele ressaltou que não basta não praticar a violência, sendo necessário assumir uma postura ativa na transformação social: mais do que não agredir, é preciso atuar como agente de reflexão e mudança.
Violência evitável e desafios no acesso à proteção
Entre as palestrantes, a juíza Eliana Acioly destacou que o feminicídio é um crime evitável e ressaltou a importância das medidas protetivas de urgência. Embora não sejam capazes de impedir totalmente a ocorrência da violência, essas medidas podem funcionar como um freio ao agressor e são parte fundamental da atuação do sistema de justiça, que, segundo ela, deve estar atento e acessível às vítimas.
A presidente da Associação das Mulheres Advogadas de Alagoas (Amada), Anne Caroline Fidelis, reforçou os dados alarmantes e chamou a atenção para o fato de que, em muitos casos, o perigo está dentro de casa, no círculo de convivência das vítimas, o que torna o enfrentamento ainda mais complexo.
Representando a Secretaria de Estado da Segurança Pública, a coronel Camila Paiva abordou a dimensão estrutural da violência de gênero, destacando a persistência de crenças que sustentam uma hierarquia entre homens e mulheres. Para ela, é necessário enfrentar a misoginia enraizada na sociedade e reafirmar a igualdade de importância entre os gêneros, respeitando suas diferenças.
Já Kelly Damasceno, representante da Rede de Mulheres de Comunidades Tradicionais, trouxe à tona a realidade vivida em comunidades quilombolas, onde a falta de informação e as dificuldades de acesso às redes de apoio ainda são obstáculos significativos para o enfrentamento da violência doméstica.
Memória, reflexão e continuidade
Encerrando a programação, foi aberta ao público a exposição “Mulheres Invisibilizadas”, idealizada pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC/MPF). A mostra resgata a trajetória de mulheres cujas contribuições foram historicamente apagadas, promovendo uma reflexão sobre desigualdade de gênero, representatividade e memória.
Ao final do evento, Roberta Bomfim agradeceu novamente a presença dos participantes e convidou as instituições e a sociedade a replicarem a iniciativa do Banco Vermelho, ampliando os espaços de diálogo. Para ela, cada ação como essa representa uma oportunidade de aprofundar a discussão e fortalecer o compromisso coletivo no enfrentamento à violência contra a mulher.