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Eleitoral

Eleições 2026: MP Eleitoral lança roteiro para identificar indícios de fraude nas cotas para mulheres, negros e indígenas

Material busca reforçar fiscalização sobre recursos de campanha e ampliar representatividade política

Data: 02/06/2026 • 17:20 Unidade: Procuradoria Regional da República da 1ª Região
Imagem mostra, de costas, uma mulher negra de colete azul falando em um púlpito amarelo. No fundo desfocado, há uma plateia diversa. Linhas onduladas verdes e azuis simbolizam a mudança.

Arte: Comunicação/MPF

Com o objetivo de garantir a aplicação dos recursos públicos destinados às candidaturas de mulheres, negros e indígenas nas Eleições 2026, o Ministério Público Eleitoral produziu um roteiro com orientações a procuradores e promotores eleitorais. Elaborado pelo Grupo de Trabalho (GT) de Prevenção e Combate à Violência Política de Gênero, o material apresenta 19 situações de alerta que podem identificar, de forma imediata, irregularidades no uso de verbas destinadas às cotas de gênero, raça e etnia. O guia foi encaminhado aos procuradores regionais eleitorais de todo o país na última sexta-feira (29).

A coordenadora do GT, procuradora regional da República Raquel Branquinho, explica que a iniciativa busca facilitar a atuação dos membros do MP Eleitoral na fiscalização do cumprimento das regras sobre cotas eleitorais. “Nas eleições, o tempo é curto, as demandas são muitas e a necessidade de rapidez na atuação daqueles que trabalham para garantir a lisura do pleito requer uma estrutura adequada de apoio”, destacou.

Segundo Branquinho, as orientações tornam mais prática a identificação de situações que aparentam cumprir formalmente a legislação eleitoral, mas que podem ocultar irregularidades. “Para cada situação, o roteiro indica o que pode acontecer, por que isso preocupa e quais verificações devem ser feitas”, pontuou.

Cotas de gênero, raça e etnia – No Brasil, os partidos políticos são obrigados a reservar pelo menos 30% das candidaturas para mulheres, além de destinar a elas o mesmo percentual mínimo dos recursos públicos de campanha e do tempo de propaganda eleitoral. Os recursos e o tempo de propaganda também devem ser distribuídos de forma proporcional entre candidatos negros (no piso de 30%) e indígenas (proporcional a quantidade de candidatos), nesse último caso, a partir do pleito deste ano. Apesar dessas regras, nem sempre a destinação dos recursos é feita de forma adequada.

Um dos exemplos apontados no roteiro ocorre quando o partido registra candidaturas de mulheres, negros ou indígenas, mas repassa recursos em valor inferior ao exigido pela legislação eleitoral. Nesses casos, embora a cota seja formalmente cumprida, não ocorre a efetiva inclusão política desses grupos. O documento também alerta para repasses feitos às vésperas da eleição, candidaturas sem atividade efetiva de campanha e o uso indevido de verbas destinadas às cotas para beneficiar terceiros ou estruturas partidárias.

O material traz ainda orientações específicas para candidaturas indígenas, considerando as particularidades étnicas, culturais e territoriais dos povos originários. Entre os pontos de atenção estão a verificação do vínculo do candidato com a comunidade indígena, a adequação do financiamento às realidades locais e a prevenção de situações em que candidaturas possam ser estimuladas por interesses externos.

Nesse contexto, Branquinho destaca que o sistema de cotas foi criado para enfrentar desigualdades históricas e ampliar a participação de grupos sub-representados nos espaços de poder, além de assegurar o uso correto dos recursos públicos. “Cumprir e respeitar o sistema de cotas significa fortalecer a democracia e ampliar a eleição desses grupos, observando a pluralidade da nossa sociedade”, concluiu a coordenadora.

Roteiro de Situações de Alerta

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