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Direitos do Cidadão

MPF participa de audiência pública no Senado sobre o Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas

Representante do órgão destacou a importância do Provita para a proteção de pessoas em situação de risco e apontou desafios para o fortalecimento da política pública

Data: 03/06/2026 • 17:02 Unidade: Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão
A imagem mostra três pessoas de terno sentadas em uma mesa de conferência formal com microfones.

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão do Ministério Público Federal (MPF), participou, nessa terça-feira (2), de audiência pública promovida pela Comissão de Segurança Pública (CSP) do Senado Federal para avaliar o Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (Provita). O debate teve como objetivo examinar os critérios legais para inclusão e proteção de vítimas, testemunhas e colaboradores da Justiça, além da aplicação da política pública diante dos riscos enfrentados por pessoas que contribuem com investigações criminais e processos judiciais.

Integrante do Conselho Federal do Provita pelo MPF, o procurador regional da República Leonardo Cardoso de Freitas representou a PFDC na audiência. Na ocasião, ele ressaltou a relevância do programa para a proteção de pessoas ameaçadas e destacou sua experiência de mais de duas décadas na área.

“O Provita é um tema que acompanha minha trajetória há mais de 20 anos. É uma política pública muito importante e merece esse olhar e essa atenção do Senado Federal”, afirmou.

Ao abordar os critérios de ingresso no programa, Leonardo Cardoso avaliou que a legislação vigente apresenta parâmetros claros e aplicáveis. Segundo ele, os conselhos deliberativos responsáveis pelas decisões de inclusão e acompanhamento dos casos exercem papel fundamental na implementação da política.

O procurador explicou que a avaliação da pessoa candidata à proteção considera, sobretudo, sua capacidade de adaptação às regras do programa. “A pessoa que entra no Programa de Proteção a Testemunhas está sujeita a um regime duro. Ela vai romper laços, interromper atividades profissionais e se afastar de pessoas próximas. É uma medida difícil, mas necessária diante dos riscos enfrentados”, observou.

Vulnerabilidade e governança - Durante a audiência, Leonardo Cardoso também destacou que as testemunhas protegidas geralmente se encontram em contextos de vulnerabilidade social e que a atuação dos conselhos busca priorizar o acolhimento e a preservação da proteção. Segundo ele, medidas mais severas, como a exclusão do programa, são adotadas apenas em situações excepcionais, quando a própria pessoa protegida compromete as condições necessárias para sua segurança.

Outro ponto abordado foi a governança do Provita. O representante da PFDC defendeu a importância dos mecanismos de prestação de contas da política pública, observando que o programa exige procedimentos específicos em razão da necessidade de preservação do sigilo das informações. Nesse contexto, ressaltou o papel dos conselhos federal e estaduais, compostos por representantes de diferentes instituições públicas.

Ao comentar a vinculação do programa ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Leonardo Cardoso afirmou que o Provita possui natureza transversal. “Ele tem um elemento de segurança pública muito forte, mas nasce como um programa de direitos humanos”, destacou.

Desafios - Em sua exposição, o procurador também apontou desafios para o aperfeiçoamento da política. Entre eles, citou os impactos do avanço das tecnologias de reconhecimento facial sobre a proteção da identidade das testemunhas e as dificuldades relacionadas ao acesso a serviços públicos que exigem identificação por CPF.

Segundo ele, a legislação poderia prever instrumentos que facilitassem o atendimento de pessoas protegidas em áreas como saúde e educação, reduzindo riscos à segurança e custos adicionais para o programa. Também mencionou a necessidade de discutir mecanismos de inclusão e exclusão provisórias de beneficiários, além da ampliação da estrutura de proteção em âmbito nacional.

Fortalecimento - Leonardo Cardoso defendeu ainda o fortalecimento da cooperação internacional entre programas de proteção a testemunhas. Para ele, a possibilidade de intercâmbio de pessoas protegidas entre países poderia ampliar as alternativas de segurança em situações de maior risco.

Ao final da audiência, o procurador ressaltou o comprometimento das equipes responsáveis pela execução do Provita e a importância da preservação do sigilo das informações. “São as pessoas mais sensíveis com quem já trabalhei em termos de tratamento da informação e proteção de dados”, afirmou.

Encerrando sua participação, Leonardo Cardoso reiterou a relevância da iniciativa do Senado de avaliar a política pública. “É uma política que merece esse olhar e essa atenção do Senado Federal”, concluiu.

Também participaram da audiência representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal e da Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social do estado de Santa Catarina.


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