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Fiscalização de Atos Administrativos

MPF acompanha cumprimento de acordo judicial sobre proteção animal na Universidade Federal de Sergipe

Após morte de mais de dez gatos no último fim de semana, órgão pede apuração criminal e cobra informações

Data: 09/06/2026 • 15:59 Unidade: Procuradoria da República em Sergipe
Foto mostra três gatos perto de uma casinha

Elisa Lemos/Ascom UFS

O Ministério Público Federal (MPF) enviou ofícios à Universidade Federal de Sergipe (UFS), à Polícia Civil e à prefeitura de São Cristóvão para apurar as causas e as responsabilidades pela morte de dezenas de animais comunitários no campus de São Cristóvão. A iniciativa decorre do óbito recente de mais de dez felinos no último fim de semana e de dados da própria instituição que apontam, pelo menos, 46 mortes (45 felinos e um canino) entre setembro de 2025 e junho de 2026. 

A apuração ocorre no procedimento aberto pelo MPF para fiscalizar o cumprimento do acordo judicial firmado para garantir a proteção, a segurança e o manejo adequado dos animais que vivem nas dependências da universidade. 

Apuração criminal – Como a atuação do MPF no procedimento está concentrada nas esferas cível e administrativa, os fatos foram comunicados à Delegacia Especializada de Proteção Animal e Meio Ambiente (Depama). A intenção é fazer com que as informações colhidas subsidiem as investigações criminais das autoridades competentes, uma vez que identificar as causas das mortes é fundamental tanto para a responsabilização de ilícitos quanto para orientar decisões da administração universitária e aumentar a segurança da comunidade acadêmica.

O procurador da República Ígor Miranda ressalta que a elucidação dos fatos é crucial para a política pública local. “Identificar a causa desses óbitos não atende apenas ao dever de buscar a responsabilização por eventuais crimes, mas serve, fundamentalmente, para orientar as decisões da administração e aperfeiçoar os protocolos de proteção que resguardam tanto os animais quanto a própria comunidade acadêmica”, destacou.

Prevenção e segurança – Além da apuração dos óbitos, o MPF busca identificar soluções capazes de fortalecer as ações de proteção animal desenvolvidas pela instituição. Nesse contexto, foi encaminhada à UFS sugestão para avaliação da viabilidade técnica, operacional e financeira de implantação de projeto-piloto de videomonitoramento em áreas com maior recorrência de registros de óbitos de animais comunitários. A proposta prevê a utilização de câmeras conectadas a plataformas de armazenamento em nuvem, modelo já utilizado por instituições públicas e que pode ser implementado de forma gradual e com custos reduzidos em comparação aos sistemas convencionais de monitoramento. O equipamento ajudará a identificar causas de óbitos, coibir ações humanas e verificar o ingresso irregular de predadores.

Fiscalização do acordo – Paralelamente, o MPF segue solicitando informações periódicas sobre o cumprimento das metas previstas no Plano de Ação Emergencial para o Bem-Estar dos Animais Comunitários da UFS, que envolve manejo ético populacional, estruturação da Divisão de Animais Comunitários (Diacom), educação ambiental e vigilância sanitária.

A fiscalização do órgão também abrange as obrigações do município de São Cristóvão. No ofício, o MPF ressalta que a gestão ética das populações de cães e gatos ultrapassa os limites físicos da Universidade e exige que a administração municipal atue no entorno do campus com ações de conscientização, promoção da guarda responsável e prevenção do abandono. A redução do ingresso de novos animais nas proximidades da instituição é considerada indispensável para o êxito das medidas pactuadas em juízo.


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