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Comunidades Tradicionais

MPF defende em Santa Catarina simplificação de processos de compras públicas da agricultura familiar

Durante seminário estadual, órgão apontou necessidade urgente de acelerar aplicação prática de leis para as comunidades tradicionais

Data: 10/07/2026 • 17:49 Unidade: Procuradoria da República em Santa Catarina
Foto no auditório do evento mostra sete pessoas entre homens e mulheres usando roupas formais sentadas em cadeiras de frente para o público que acompanha o seminário. ao fundo, um telão com o nome do evento Seminário Estadual - sobre compras públicas da agricultura familiar e povos e comunidades tradicionais

Foto: Comunicação/MPF

Simplificação de processos burocráticos, garantia de repasses financeiros diretos às comunidades tradicionais e resgate cultural. É o que defende o Ministério Público Federal (MPF) para as compras públicas da agricultura familiar. O órgão participou, na última quarta-feira (8), da abertura e dos debates iniciais do Seminário Estadual sobre Compras Públicas da Agricultura Familiar e Povos e Comunidades Tradicionais, realizado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).

O objetivo do evento foi debater mecanismos práticos para desburocratizar o acesso de povos originários e comunidades tradicionais aos recursos públicos de programas como o de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).

Reunindo especialistas, autoridades e movimentos sociais, o seminário buscou propor soluções integradas para reverter o histórico de exclusão dessas populações, garantindo autonomia econômica, segurança alimentar e a preservação cultural de indígenas, quilombolas e pesqueiros no estado, por meio das boas práticas desenvolvidas pela Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos no Amazonas (Catrapoa).

Durante as discussões, o procurador da República Renato de Rezende Gomes, responsável pela implantação da Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos (Catrapovos) em Santa Catarina, destacou que a relevância inicial do programa de compras públicas reside na simplificação de processos burocráticos e na garantia de repasses financeiros diretos às comunidades. Ele ressaltou, no entanto, que o maior ganho da iniciativa é o resgate cultural e o fortalecimento do sentimento de pertencimento. “É preocupante identificar terras indígenas sem produção própria, cenário que frequentemente exige a atuação firme do Estado para impedir o arrendamento ilegal dessas áreas para grandes monoculturas, como a soja", alertou o procurador.

Complementando a análise, o procurador da República Antonio Augusto Teixeira Diniz, representante da Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais (6CCR) do MPF em Santa Catarina, enfatizou a urgência de as instituições acelerarem a transição das leis do papel para o cotidiano dos cidadãos. E defendeu uma atuação coordenada no desenvolvimento e na avaliação constante das políticas públicas. Segundo Diniz, as comunidades tradicionais e indígenas do estado ainda sofrem com a escassez de incentivos específicos e com o distanciamento de programas voltados à alimentação e à agricultura familiar, o que acaba empurrando essas populações vulneráveis para atividades como a monocultura de transgênicos em terras tradicionais.

Catrapovos – A Comissão de Alimentos Tradicionais dos Povos (Catrapovos) é uma articulação nacional liderada pelo Ministério Público Federal para incluir alimentos regionais – como mandioca, peixe e frutas nativas – na merenda escolar. Em Santa Catarina, a implementação da comissão busca fortalecer a agricultura familiar, comunidades indígenas, quilombolas e pescadores artesanais no Pnae e no PAA. Saiba mais

A estratégia da Catrapovos foi abordada ao longo do evento como uma ferramenta essencial de inclusão e fortalecimento desses segmentos.


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