Direitos do Cidadão
MPF promove debate sobre equidade de gênero e justiça para mulheres em Florianópolis (SC)
O evento fez parte das comemorações ao Dia Internacional da Mulher
Foto: Comunicação/MPF
O Ministério Público Federal (MPF) e a Círculos de Hospitalidade, com o apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT), realizaram na última segunda-feira (30) o evento “Direitos, Justiça, Ação para Todas as Mulheres e Meninas”.
O debate integrou as comemorações do Dia Internacional das Mulheres de 2026 e trouxe como tema a campanha de mesmo nome da ONU Mulheres. A iniciativa da ONU tem como objetivo enfrentar as barreiras estruturais à justiça igualitária, combatendo leis discriminatórias e normas sociais que prejudicam os direitos de mulheres e meninas.
Promovido pela Comissão de Equidade de Gênero e Raça do MPF em Santa Catarina, o painel contou com a participação de Priscila Freitas, doutoranda em Educação e integrante do projeto de afroturismo Viva Monte Serrat; Amanda Miranda, jornalista, pesquisadora e ativista pelo direito à informação; e Sabado Gomes Dabó, enfermeira, doutoranda na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e CEO do Gastrobar Africano Okinka.
O evento foi conduzido pela procuradora da República Rafaella Alberici, coordenadora da comissão, que abriu a mesa, destacando a importância do apoio de outras mulheres: “é através da sororidade que vamos nos reerguer, não apenas para sobreviver, mas para viver plenamente, com a segurança necessária para termos liberdade e desfrutar de uma vida que vale a pena ser vivida”. A mediação foi realizada por Bruna Kadletz, presidente da organização Círculos de Hospitalidade, reunindo trajetórias diversas e experiências concretas na luta por justiça e equidade.
Além das trajetórias de conquistas, as painelistas compartilharam desafios enfrentados em suas vidas e carreiras. Sabado, de origem guineense, abordou sua ancestralidade e a forte influência das mulheres africanas, destacando diferentes formas de violência contra a mulher (psicológica, financeira e física) e a importância da educação no enfrentamento dessas situações: “é importante que meninas e mulheres entendam que aquilo é uma violência e denunciem. A educação é um caminho para o enfrentamento dessas violências”.
Priscila apresentou sua trajetória no afroturismo e no ativismo negro, ressaltando a importância do resgate histórico e da memória das lavadeiras da comunidade do Monte Serrat, no complexo do Morro da Cruz: “é importante evidenciar o protagonismo feminino de mulheres que ousam contar sua própria história e preservar sua memória, muitas vezes não reconhecida ou vista sob olhares preconceituosos”.
Já Amanda trouxe reflexões sobre a presença das mulheres no jornalismo. Segundo ela, o machismo estrutural também atinge as redações, lugar onde – paradoxalmente – elas são maioria, mas têm menos espaço. O mesmo se repete entre as fontes e a audiência, que também são tocadas pelo machismo, sendo alvos de mais hostilidade.
A jornalista pontuou a sua atuação no jornalismo como forma de ativismo, enfatizando o compromisso com a transformação social: “ser jornalista é ser um agente de transformação, é também ser um agente político”.
Bruna Kadletz reforçou que o evento não apenas marca uma data em alusão ao Dia Internacional da Mulher, mas o reconhecimento de um tempo na luta pelos direitos das mulheres: “Um tempo que nos exige lucidez para nomear as violências — sem naturalizá-las. Um tempo que nos exige direitos, justiça e ação para todas as mulheres e meninas. E, neste contexto, é urgente afirmarmos algo de forma clara: A misoginia não é opinião. Não é cultura. É violência. E precisa ser reconhecida, nomeada e enfrentada como crime de ódio e aversão às mulheres”.
O evento também se articulou com a campanha “Mulheres Vivas”, movimento nacional de combate ao feminicídio e à violência de gênero no Brasil. Ao final, foi realizado um café intercultural no auditório do MPT.
Assista ao evento
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