Pular para o conteúdo

Meio Ambiente

MPF apresenta inciativas e soluções para enfrentar contaminação por mercúrio em território brasileiro

Atuação do órgão em diversas frentes foi discutida em audiência pública realizada pela Câmara dos Deputados

Data: 06/05/2026 • 12:05 Unidade: Procuradoria da República em Roraima

Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados.

Os desafios para combater o uso do mercúrio em território nacional, tanto em garimpos ilegais quanto em atividades de mineração autorizadas pelos órgãos ambientais, além de possíveis soluções para o problema, foram discutidos em audiência pública realizada nesta terça-feira (5) pela Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais da Câmara dos Deputados. O procurador da República André Luiz Porreca representou o Ministério Público Federal (MPF) no encontro e apresentou o trabalho da instituição na temática, enfatizando a importância da adoção de medidas como a implementação imediata da Convenção de Minamata sobre Mercúrio e a revogação de decretos que permitem o uso da substância em atividades de mineração legalizadas.

Segundo o procurador, que coordena ofício do MPF especializado na Amazônia Ocidental, com foco no combate ao garimpo ilegal, a contaminação não é um problema apenas da região amazônica. Embora afete de forma desproporcional as populações indígenas e tradicionais da floresta, o mercúrio utilizado no garimpo chega a localidades distantes, uma vez que o material evapora, se dispersa pelo ar e pode atingir pontos situados a mais de 500 km do local do uso. O mineral ainda contamina cursos d’água e peixes. Dados divulgados na audiência revelam que 44 das 63 grandes bacias hidrográficas brasileiras estão impactadas pela substância, o que corresponde a 65% do território nacional.

O procurador da República André Luiz Porreca representa o MPF na audiência pública "Impactos do uso do mercúrio em trabalhadores", realizada pela Câmara dos Deputados, em 05/05/2026. Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados. A imagem apresenta um plano médio de um homem jovem, de pele clara e cabelos escuros penteados para trás, em um ambiente formal que sugere uma audiência ou conferência. Ele utiliza óculos de grau com armação fina, veste um paletó azul-marinho sobre uma camisa social clara e uma gravata com padronagem geométrica cinza, ostentando um pequeno broche dourado na lapela. O homem está com a boca levemente aberta, capturado no momento em que fala ao microfone posicionado à sua frente. Ao redor dele, é possível ver parte de um monitor de computador à esquerda e o topo de uma placa de identificação na base da foto, reforçando o cenário institucional de debate ou pronunciamento oficial.Para assegurar um combate efetivo ao garimpo ilegal, o representante do MPF enfatizou que não basta atuar apenas nas áreas de extração, com apreensão e destruição de maquinário. É preciso desarticular as organizações criminosas que custeiam a atividade. “Existem dragas que chegam a custar R$ 15 milhões. Quem está financiando isso?”, pergunta o procurador. Além de cortar o fluxo de dinheiro, as autoridades devem impedir a chegada de insumos aos locais de extração e a exportação do produto.

Nesse sentido, a pedido do MPF, a Justiça determinou que a Agência Nacional de Petróleo (ANP) fiscalize a venda de combustível de aviação para inviabilizar as aeronaves que abastecem garimpos e escoam a produção. Em outras ações, MPF pede a reestruturação da fiscalização no Porto de Guajará-Mirim, em Rondônia, principal porta de entrada do mercúrio contrabandeado no país, e a implementação de planos de ação e fiscalização para destruir as mais de mil pistas de pouso clandestinas usadas por garimpeiros na Amazônia. A instituição também firmou acordo com a empresa Starlink para impedir que garimpeiros utilizem internet em áreas remotas e atuou para combater a venda de mercúrio na internet, em redes sociais e plataformas de e-commerce.

Soluções – De acordo com Porreca, um ponto crucial no combate ao problema é impedir o uso da substância em atividades de mineração autorizadas, o que é assegurado pelos Decretos 97.507/1989 e 97.634/1989. Levantamento realizado pelo MPF identificou centenas de garimpos regulares que utilizam mercúrio na Amazônia e, diante do cenário, a instituição recomendou ao Governo Federal a revogação das normas.

A integração e coordenação entre agências governamentais é outra estratégia que apresenta ótimos resultados, como ficou comprovado no combate ao garimpo ilegal em território Yanomami, em Roraima. A atuação integrada reduziu a atividade ilegal na região em mais de 90%, mas os garimpeiros ilegais acabaram migrando para outros lugares. Por isso a necessidade de adotar soluções semelhantes para outros estados, ampliar a integração e desenvolver estratégias coordenadas de combate ao problema.

O procurador manifestou apoio ao projeto de lei que busca proibir o mercúrio no Brasil e alertou para algumas ameaças legislativas, como os projetos que buscam regulamentar a mineração em terras indígenas ou impedir a destruição de maquinário apreendido. De acordo com o representante do MPF, é essencial implantar de forma imediata as previsões da Convenção de Minamata sobre Mercúrio. O tratado internacional impõe uma série de obrigações de monitoramento e de erradicação do mercúrio do território nacional, foi ratificado pelo Brasil em 2017, mas ainda não há ações concretas para sua implementação.

Vídeo da audiência no Youtube


Ministério Público Federal
Procuradoria da República em Roraima

Siga-nos no Instagram @mpf_rr
Facebook: /mpf.rr