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Combate à Corrupção

MPF, PF e CGU deflagram segunda fase da Operação Conectados, no Piauí

Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão em Teresina e em Oeiras

Data: 02/06/2026 • 07:57 Unidade: Procuradoria da República no Piauí
A imagem mostra, em primeiro plano e com foco nítido, a barra de luzes de emergência azul e brilhante instalada no teto de uma viatura policial. O fundo da cena está completamente desfocado, revelando uma rua movimentada ao anoitecer ou amanhecer, com um céu de tonalidade alaranjada suave. É possível discernir as luzes circulares brancas e vermelhas dos faróis e lanternas de outros veículos enfileirados no trânsito, criando uma atmosfera de urgência urbana sob a iluminação fria e intensa do sinalizador policial.

Imagem ilustrativa: Canva

O Ministério Público Federal (MPF), a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Polícia Federal (PF) deflagraram, na manhã desta terça-feira (2), a segunda fase da Operação Conectados, no Piauí. Foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, em Teresina e em Oeiras, contra um grupo criminoso que fraudava licitações e superfaturava contratos com foco especial em verbas vinculadas ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O MPF explica que a operação de hoje busca interromper o esquema que persistiu após a primeira fase da operação, deflagrada em abril de 2024. A primeira fase da operação buscou interromper a prática criminosa, reunir provas e identificar envolvidos na simulação de competição nas licitações. Agora as investigações se aprofundam e miram na ‘segunda camada’ do grupo criminoso. A segunda fase visa a atingir as empresas sucessoras, alcançar sócios ocultos e operadores financeiros e assegurar a recuperação de ativos ilícitos.

Segundo o MPF, somente uma das empresas firmou contratos com diversas prefeituras do Piauí que totalizaram mais de R$ 7,3 milhões em um período de pouco mais de dois anos, correspondendo a 73 vezes o seu capital social, demonstrando a magnitude da fraude.

Em outra situação, os investigadores identificaram que, somente em um pregão eletrônico, houve uma revisão indevida de preços que gerou prejuízo potencial de cerca de R$ 1, 7 milhão aos cofres públicos. O grupo chegou a firmar contratos com sobrepreço de até 211,6%.

Além da prefeitura de Oeiras, que foi o ente que mais efetuou pagamentos à empresa do grupo, os investigadores já identificaram a atuação da estrutura criminosa em outros municípios do Piauí e até no Maranhão. O esquema se expandiu por meio de contratos de fornecimento de materiais, prestação de serviços de assessoria (contábil e jurídica) e a infiltração de pregoeiros.

Integrantes infiltrados – Inicialmente, o grupo estabelecia influência nas prefeituras através de assessorias contábeis e jurídicas, posicionando aliados como pregoeiros para controlar diretamente os processos licitatórios. Em seguida, integrantes infiltrados vazavam dados sobre futuras contratações meses antes da publicação dos editais, permitindo que a empresa do grupo preparasse o estoque e as propostas com antecedência.

As licitações eram fraudadas para favorecer as empresas do esquema, desclassificando concorrentes legítimos sob pretextos técnicos irrelevantes para assegurar a vitória do grupo. As empresas parceiras apresentavam propostas simuladas com valores elevados para inflar o preço de mercado artificialmente, o que permitia ao grupo firmar contratos com sobrepreço de até 211,6%.

Após receber os pagamentos, o grupo realizava saques fracionados (geralmente de R$ 9 mil e R$ 3 mil) para burlar os alertas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), distribuindo o lucro e pagando propinas a agentes públicos.


Assessoria de Comunicação Social
Ministério Público Federal no Estado do Piauí
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