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Meio Ambiente

MPF cobra ações da prefeitura de Lucena (PB) para preservar áreas de restinga e controlar trânsito na areia

Medidas incluem a retirada de comerciantes ilegais das áreas de restinga e um maior controle do tráfego de veículos

Data: 30/07/2025 • 12:55 Unidade: Procuradoria da República na Paraíba
Um homem vestido com terno cinza está em pé, falando ao microfone diante de uma plateia reunida em auditório.

Em reunião realizada no último dia 24, o Ministério Público Federal (MPF) estabeleceu prazos e medidas concretas com a Prefeitura de Lucena para a proteção ambiental das praias de Lucena. As medidas incluem a retirada de comerciantes ilegais das áreas de restinga e a intensificação do controle do tráfego de veículos na faixa de areia, cobrando ações efetivas diante da omissão reiterada do município em não cumprir integralmente as providências acordadas com o Ministério Público. 

Durante a abertura da audiência, especialistas do Projeto Preamar apresentaram esclarecimentos técnicos sobre o ecossistema de restinga, destacando sua relevância na contenção da erosão costeira. Conforme exposto, trata-se de uma vegetação que atua na fixação de dunas e desempenha papel essencial na contenção do avanço do mar sobre o continente. A equipe também alertou para os principais fatores de degradação dessas áreas, como o pisoteio desordenado, a instalação de barracas e estruturas comerciais nas praias, além do tráfego irregular de veículos sobre a faixa de areia — práticas que comprometem a integridade ambiental da região.

Após o debate, foram definidas medidas concretas com prazos específicos para garantir a preservação das áreas de restinga em Lucena. A prefeitura se comprometeu a formalizar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MPF, visando a retirada dos comerciantes que atuam irregularmente na faixa litorânea. Esses comerciantes deverão desmontar suas estruturas até o dia 29 de agosto de 2025.

A partir de 1º de setembro, representantes da Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), da Superintendência do Patrimônio da União (SPU), do Batalhão Ambiental e do Policiamento Turístico realizarão ações de desocupação nos locais previamente mapeados. Além disso, o município instalará 25 placas de sinalização de trânsito, indicando a proibição da circulação de veículos entre os trechos compreendidos entre o Bar do Geraldo e a Barcaça, e providenciará o reposicionamento adequado das manilhas de contenção já existentes na área.

Além das medidas emergenciais discutidas na reunião, também vieram à tona os entraves enfrentados pela Secretaria de Meio Ambiente (Semam) de Lucena, especialmente a escassez de pessoal qualificado para executar políticas ambientais eficazes. Embora um TAC tenha sido firmado entre o Ministério Público Estadual e a prefeitura, em 2021, prevendo a criação, a estruturação e a realização de concurso público para fortalecer a Semam, até o momento, apenas a secretaria foi formalmente instituída — funcionando de maneira precária nas instalações da antiga delegacia do município.

Responsabilidade pública – Durante a reunião, o procurador-geral do município argumentou que a prefeitura enfrenta limitações financeiras significativas, o que dificultaria a adoção imediata de medidas para ordenar o uso da faixa de areia e remover estruturas irregulares das áreas de restinga. No entanto, o procurador do MPF, João Raphael, rebateu a alegação, destacando que a justificativa orçamentária vem sendo usada repetidamente para justificar a omissão do município, mesmo diante de determinações legais e compromissos previamente assumidos. 

O representante do MPF ressaltou, ainda, que a alegada falta de recursos contrasta com os gastos elevados da prefeitura com a realização de shows e eventos, evidenciando a possibilidade de realocação orçamentária para ações básicas, como a instalação de placas de sinalização e o alinhamento de manilhas nas áreas degradadas.

Foto mostra dezenas de pessoas em auditório, em pé, posando para foto, lado a lado, em três fileirasPróximos passos O secretário de Mobilidade informou que as placas serão instaladas em breve e que a prefeitura aguarda a municipalização do trânsito para ampliar sua capacidade de fiscalização.

O MPF seguirá monitorando o cumprimento dos prazos e ações pactuadas, reforçando que o desrespeito aos compromissos assumidos poderá acarretar responsabilizações jurídicas e administrativas.

A reunião contou com a presença de diversos órgãos e setores envolvidos na gestão ambiental e urbana de Lucena. Participaram representantes da Sudema, da SPU, do Batalhão Ambiental, do Policiamento Turístico do município, do Projeto Preamar, além de secretários municipais das pastas de Mobilidade e Trânsito, Meio Ambiente e Infraestrutura. Também estiveram presentes o procurador-geral e o procurador adjunto do município, além de comerciantes, pescadores e integrantes da Associação de Bugueiros.