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Comunidades Tradicionais

Maio Cigano: MPF debate direitos, visibilidade e políticas públicas para povos ciganos, em João Pessoa

Evento em alusão ao Dia dos Povos Ciganos reuniu lideranças e representantes do poder público na capital paraibana

Data: 14/05/2026 • 16:31 Unidade: Procuradoria da República na Paraíba
Em um auditório do Ministério Público Federal na Paraíba, seis pessoas estão sentadas em dois sofás pretos sobre um palco, participando de uma mesa de debate. Ao fundo, há uma tela de projeção exibindo um cartaz com o título “Maio Cigano – Desafios para a proteção aos povos ciganos”.

A cobrança por políticas públicas efetivas e o protagonismo dos povos ciganos no enfrentamento da invisibilidade histórica. Esses foram os principais pontos que nortearam os debates do evento “Desafios para a proteção aos povos ciganos”, promovido pelo Ministério Público Federal (MPF), nesta quinta-feira (13), em João Pessoa (PB). Uma iniciativa da Câmara de Populações Indígenas e Comunidades Tradicionais (6CCR) em colaboração com o MPF na Paraíba, o encontro integra as ações do Maio Cigano, campanha dedicada à valorização da cultura, da história e dos direitos dos povos ciganos do Brasil.

Na abertura do evento, a coordenadora da 6CCR, Eliana Torelly, frisou que a intenção do MPF é dar voz e espaço para os povos ciganos se manifestarem sobre suas próprias demandas. Ela também destacou a importância do reconhecimento da diversidade e da contribuição desses povos para a formação da sociedade brasileira. “Nós estamos aqui justamente para celebrar essa diversidade, celebrar a cultura dos povos ciganos e a contribuição dessas comunidades para a cultura do Brasil”, afirmou.

Lideranças, membros do MPF e representantes de órgãos públicos presentes no debate discutiram as dificuldades enfrentadas pelos ciganos no acesso a políticas públicas e direitos básicos, como saúde, educação, moradia e inclusão. A falta de dados oficiais consolidados sobre essa população também foi apontada como um dos principais entraves para a formulação de ações efetivas do poder público.

Direitos básicos - Dados do Ministério da Saúde apontam que os povos ciganos estão presentes em todos os estados brasileiros, podendo representar entre 800 mil e um milhão de pessoas no país. Ainda assim, o histórico de preconceito e discriminação faz com que muitos evitem se autodeclarar ciganos ou acessar serviços públicos, o que contribui para a subnotificação e para a exclusão social dessas comunidades.

Segundo informações reunidas pelo Ministério da Igualdade Racial, muitas comunidades ciganas brasileiras ainda enfrentam dificuldades de acesso a saneamento básico, documentação civil, educação formal, saúde e outras políticas públicas. O levantamento reuniu informações do Cadastro Único, do IBGE, do SUS e de pesquisas de campo realizadas em ranchos e acampamentos ciganos nas cinco regiões do país.

Nesse sentido, a presidente da Associação Comunitária dos Povos Ciganos do Condado Paraíba (Ascocic), Maria Jane Cavalcante, ressaltou a importância da participação direta das comunidades ciganas na construção das políticas públicas. A invisibilidade histórica, segundo ela, contribui para o apagamento da cultura, saberes, organização social e identidade próprias desses povos. “Os povos ciganos estão preparados para ocupar seus espaços, contribuir com políticas, pesquisas e ações que fortaleçam suas comunidades e garantam seus direitos”, pontuou.

Avanços e demandas - Os avanços na garantia de direitos aos povos ciganos nas últimas décadas também foram celebrados, entre eles o Plano Nacional de Políticas para Povos Ciganos, instituído pelo governo federal em 2024. O plano prevê ações voltadas ao combate ao anticiganismo, à ampliação do acesso a direitos sociais, ao reconhecimento da territorialidade cigana e à promoção de inclusão produtiva e cultural.

No entanto, para a procuradora regional dos Direitos do Cidadão na Paraíba, Janaina Andrade, “os avanços das últimas décadas ainda são insuficientes diante das demandas históricas” enfrentadas pelas comunidades ciganas.

A fala foi endossada pelo procurador da República Anderson Lima. De acordo com ele, embora o mês de maio seja tradicionalmente marcado por celebrações culturais — uma vez que o Dia dos Povos Ciganos é celebrado no dia 24 —, ele representa também um momento de reflexão sobre direitos ainda não garantidos. “Existe uma realidade de vulnerabilidade extrema e muito invisibilizada. As comunidades ciganas, diferentemente de outras comunidades tradicionais, ainda não têm visibilidade do poder público”, ponderou.

Compromissos - O encontro também buscou valorizar a diversidade étnica e cultural dos povos ciganos brasileiros, reforçando a necessidade de superar estereótipos historicamente associados a essas comunidades. Para os participantes, o reconhecimento da contribuição cigana para a formação cultural do país passa, necessariamente, pela garantia de direitos, pela ampliação da visibilidade institucional e pelo fortalecimento da participação social dessas populações.

Representante cigano presente no evento, Francisco Lacerda de Figueiredo, conhecido como Cigano Bozano, defendeu maior compromisso institucional com a pauta. “Nada para nós sem nós”, afirmou, ao pedir mais participação dos povos ciganos nos espaços de decisão e reforçar a expectativa pela aprovação do Estatuto dos Povos Ciganos, proposta em tramitação no Congresso Nacional.

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