Direitos do Cidadão
Hospital de Trauma de João Pessoa recebe exposição Mulheres Invisibilizadas e reforça rede de proteção às vítimas de violência
Mostra permanece aberta ao público até 22 de fevereiro e integra ações institucionais de educação em direitos humanos e fortalecimento da rede de proteção às mulheres
Dando continuidade às ações institucionais de promoção da igualdade de gênero e de enfrentamento à violência contra a mulher, o Ministério Público Federal (MPF), por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), levou a exposição Mulheres Invisibilizadas ao Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa. A mostra foi aberta nesta segunda-feira (9) e permanece no local até o dia 22 de fevereiro, com visitação aberta ao público.
Desenvolvida pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), por meio do Grupo de Trabalho Igualdade de Gênero, a exposição integra um conjunto de iniciativas do MPF voltadas à difusão de informação, à educação em direitos humanos e ao fortalecimento das políticas públicas de proteção às mulheres. Antes de chegar ao hospital, a mostra já havia sido apresentada em outros espaços institucionais na Paraíba, ampliando o acesso da população às narrativas históricas resgatadas.
A instalação da exposição no Hospital de Trauma possui caráter simbólico e estratégico. A unidade é a principal porta de entrada da rede pública estadual para o atendimento de vítimas de violência, especialmente em casos de agressões físicas e violência sexual. Somente em 2025, foram registrados 383 atendimentos a mulheres vítimas de agressão, número que, segundo especialistas, ainda é subnotificado, já que muitas vítimas não chegam ao serviço de saúde ou não formalizam denúncia.
O diretor-geral do Hospital de Trauma, Laércio Bragante, destacou o compromisso da unidade com o acolhimento humanizado às vítimas. “Buscamos ser um porto seguro para essas mulheres, oferecendo atendimento humanizado e garantindo o encaminhamento adequado para a rede de proteção”, afirmou.
A procuradora regional dos Direitos do Cidadão, Janaina Andrade, ressaltou a importância da Lei do Minuto Seguinte (Lei nº 12.845/2013), que garante atendimento obrigatório, imediato e integral às pessoas em situação de violência sexual nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), independentemente de registro prévio de boletim de ocorrência. A norma assegura, entre outros direitos, atendimento médico emergencial, apoio psicológico, realização de exames e profilaxia da gravidez e de infecções sexualmente transmissíveis.
A procuradora explicou que a presença da exposição no hospital reforça o papel da saúde como porta de entrada para a garantia de direitos. “É importante reforçar que a mulher pode procurar diretamente a unidade, sem necessidade prévia de boletim de ocorrência. Aqui ela recebe atendimento médico, acolhimento e orientação para acessar a rede de proteção”, destacou.
Segundo Janaina Andrade, as primeiras 72 horas após a violência são decisivas para a realização de exames e adoção de medidas de proteção. “Quando fortalecemos a integração entre saúde e sistema de justiça, garantimos que essas mulheres tenham acesso não apenas ao tratamento médico, mas também à proteção e à garantia de direitos”, pontuou.
Mais informações sobre a Lei do Minuto Seguinte estão disponíveis AQUI.
Educação, memória e direitos humanos - A exposição Mulheres Invisibilizadas reúne histórias de 30 brasileiras que tiveram papel relevante na construção do país, mas cujas trajetórias foram apagadas ou pouco reconhecidas pela história oficial. São mulheres negras, indígenas, quilombolas, educadoras, lideranças políticas, artistas e ativistas que romperam barreiras e abriram caminhos em diferentes áreas, contribuindo para reflexões sobre desigualdade de gênero, memória histórica e democracia.
Para o procurador da República José Guilherme Ferraz da Costa, a iniciativa expressa a atuação do MPF para além da esfera exclusivamente jurídica. “Vejo que o Ministério Público Federal, por meio da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, exerce sua função não apenas na busca por medidas jurídicas, punitivas ou preventivas, mas também pela difusão da informação e pela educação. A exposição Mulheres Invisibilizadas é, por excelência, uma forma de educar, resgatar a história, transmitir bons exemplos e levar o cidadão à reflexão sobre as trajetórias e os papéis que essas mulheres exerceram na história do nosso país”, afirmou.
O procurador destacou ainda o simbolismo da mostra no ambiente hospitalar. “O Hospital de Trauma é um local de acolhimento, inclusive para mulheres vítimas de violência. Por isso, considero essa exposição neste espaço extremamente significativa. Louvo a disponibilidade da direção do hospital em acolher esse trabalho educativo, informativo e de homenagem”, acrescentou.
Integração da rede de proteção - A delegada de Polícia Civil e coordenadora das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher da Paraíba, Sileide Azevedo, ressaltou a importância da atuação integrada das instituições. “Gostaríamos de enfatizar a importância do Ministério Público Federal nessa atuação conjunta no enfrentamento à violência contra a mulher. Nosso trabalho diário é atender mulheres vítimas, oferecer acolhimento e buscar a responsabilização criminal dos autores, conforme determina a Lei Maria da Penha. O MPF fortalece o entendimento de que toda a rede — especializada e não especializada — precisa se envolver nesse enfrentamento”, afirmou.
A delegada destacou ainda o papel estratégico da saúde nesse fluxo. “Muitas mulheres, num primeiro momento, procuram os serviços de saúde após uma agressão física. É essencial que as mulheres atendidas também sejam encaminhadas às DEAMs, onde terão acesso às medidas de proteção previstas na lei. A integração entre saúde e segurança pública é decisiva para que essa vítima receba, posteriormente, o acolhimento policial adequado”, completou.
A promotora de Justiça Anne Emanuele Malheiros Costa, coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias Cíveis de Família, Cidadania e Direitos Fundamentais do Ministério Público da Paraíba, ressaltou o caráter simbólico e educativo da exposição. “A exposição é um espaço de acolhimento para mulheres e para o público em geral. Ela resgata a memória e a trajetória de mulheres que foram extremamente importantes, conquistaram avanços em diversas áreas e, ainda assim, foram invisibilizadas. Iniciativas como essa evitam o apagamento histórico e honram mulheres que não foram devidamente reconhecidas em seu tempo”, afirmou.
Continuidade das ações - A exposição Mulheres Invisibilizadas integra um conjunto de ações desenvolvidas pela PRDC ao longo de 2025 na Paraíba, incluindo iniciativas realizadas em João Pessoa e Campina Grande, voltadas à conscientização sobre violência de gênero, valorização da memória feminina e fortalecimento das políticas públicas de proteção às mulheres.
Mais do que uma homenagem, a mostra se consolida como espaço permanente de reflexão. Os painéis permanecem como marco simbólico e alerta sobre a urgência do enfrentamento da violência contra a mulher, fortalecendo a integração entre saúde, justiça e segurança pública na construção de uma sociedade mais justa e segura para todas.
Além da versão física, a mostra também pode ser conferida de forma virtual, ampliando o acesso da população às histórias apresentadas (clique AQUI).
Assista ao vídeo com imagens da exposição no Hospital de Trauma.
Com Ascom do Hospital de Trauma