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Comunidades Tradicionais

MPF pede reforma urgente em cinco escolas quilombolas de São Mateus (ES)

Pedido de execução imediata de sentença busca sanar anos de omissão do município; obras devem garantir segurança e higiene para alunos e professores.

Data: 16/07/2026 • 11:58 Unidade: Procuradoria da República no Espírito Santo
Fotografia mostra a fachada da escola municipal Divino Espírito Santo. A sede é uma casa simples, com grades na janela azul e na porta de entrada, além de telhado feito com telhas de amianto. É possível ver, em letras pretas pintadas na fachada, o nome da unidade de ensino e a logomarca da Prefeitura de São Mateus. A rua na frente da escola é de terra e há canteiros de flores plantados na frente.

Foto: MPF/imagem retirada de relatório de diligência anexado ao processo

O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça Federal o cumprimento imediato de uma sentença que obriga o município de São Mateus, no norte do Espírito Santo, a reformar cinco escolas em comunidades quilombolas.

O pedido foi feito porque, após sete anos do início do processo judicial para garantir um ambiente educacional digno e seguro para crianças e professores, e com decisões favoráveis em duas instâncias judiciais, a prefeitura ainda não regularizou a situação das unidades de ensino.

As escolas beneficiadas são Divino Espírito Santo, Nova Vista, Dilô Barbosa, Córrego do Chiado e São Jorge, todas localizadas na zona rural do município. Segundo o MPF, as reformas definitivas são fundamentais para que os prédios consigam o alvará de funcionamento do Corpo de Bombeiros e o laudo positivo da Vigilância Sanitária, assegurando às crianças e adolescentes quilombolas condições para o exercício pleno do direito fundamental à educação.

A situação mais crítica é a da escola Nova Vista, cuja obra, iniciada em 2014, está abandonada e registra menos de 30% de execução. O MPF destaca que a prefeitura recebeu recursos federais para a reforma, ignorou diversos alertas e corre o risco de perder mais de R$ 500 mil em verbas por falta de providências técnicas, como a apresentação de projetos estruturais e de prevenção contra incêndio. Já a unidade de Córrego do Chiado não recebeu nenhuma melhoria desde que a ação foi proposta, enquanto três outras escolas passaram por reformas parciais e insuficientes.

No pedido enviado à Justiça, o MPF solicita que o município apresente um plano de trabalho detalhado em 30 dias e conclua todas as intervenções em até 12 meses. O órgão também requer a fixação de multa diária para garantir que a prefeitura cumpra a obrigação.

Além disso, o MPF instaurou procedimento para investigar possível ato de improbidade administrativa e crime de prevaricação por parte dos gestores municipais.


Assessoria de Comunicação Social
Ministério Público Federal no Espírito Santo
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