Meio Ambiente
MPF acompanha primeira oficina de cartografia social e planejamento participativo do projeto Pró-Manguezais
Evento acontece em Coruripe e reúne instituições e moradores para mapear território e planejar ações de preservação ambiental no povoado Barreiras
Comunicação MPF/AL
Na manhã desta quarta-feira (8), o Ministério Público Federal (MPF) acompanhou a realização da primeira oficina de cartografia social e planejamento participativo do projeto Pró-Manguezais, sediada no Município de Coruripe. A iniciativa busca fortalecer a recuperação e preservação dos manguezais em Alagoas a partir do envolvimento direto das comunidades locais.
A atividade, organizada pela secretária de meio ambiente Luana Gonzalez do município de Coruripe, foi realizada com pessoas do povoado Barreiras, região onde estão localizadas as áreas indicadas para o replantio de manguezal, na região próxima à foz do rio Coruripe. O encontro reuniu moradores, pescadores, marisqueiras e representantes de instituições públicas e pesquisadores, em um esforço conjunto para mapear o território, identificar desafios e construir soluções para a proteção ambiental da região.
Participação social como base da preservação
As oficinas de cartografia social são técnicas de mapeamento coletivo na educação e gestão ambiental que colocam a comunidade no centro do processo de planejamento. Durante a atividade, os participantes contribuíram com informações sobre o território, incluindo características ambientais, atividades econômicas, manifestações culturais, conflitos territoriais e potencialidades locais.
A proposta é integrar o conhecimento técnico ao saber das populações que vivem na região, permitindo que as ações de recuperação dos manguezais atendam às reais necessidades do território.
A procuradora da República Juliana Câmara destacou a importância do engajamento coletivo na proteção ambiental: “Este momento é para colher informações de quem vive o território todos os dias e buscar juntos a preservação dos manguezais, unindo o conhecimento técnico ao tradicional. Assim como nós do MPF, convido cada um a ser também um guardião do futuro”.
Atuação integrada das instituições
A oficina contou com a participação do Ministério Público Federal (MPF), do Ministério Público do Estado de Alagoas (MP/AL), do Tribunal Regional do Trabalho da 19ª Região (TRT19), do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), além de representantes dos Municípios de Coruripe e Marechal Deodoro e lideranças locais.
O promotor de Justiça Alberto Fonseca ressaltou a importância do protagonismo da comunidade: “O manguezal é uma riqueza de todos, especialmente das comunidades que dele dependem. É essencial ouvir quem vive no território para construir propostas que garantam um futuro melhor para todos”.
Representando o TRT19, Rodrigo Rodrigues destacou o compromisso institucional com a pauta socioambiental: “A Justiça do Trabalho também tem responsabilidade com a sustentabilidade. Estamos de portas abertas para apoiar iniciativas que integrem a proteção ambiental e o desenvolvimento social.”
Educação ambiental e planejamento participativo
A atividade foi realizada no âmbito do projeto EducAPA, iniciativa vinculada ao Instituto de Geografia, Desenvolvimento e Meio Ambiente (Igdema) da Ufal, que promove ações de educação ambiental e planejamento participativo nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) do estado, sob a coordenação da Profª Dra. Simone Affonso da Silva.
Durante a oficina, também foi apresentada uma cartilha com informações sobre o projeto e as primeiras áreas indicadas como de especial interesse para recuperação de manguezais.
A iniciativa contou ainda com a participação da cooperativa Ascamari, que atua na coleta de materiais recicláveis em Coruripe e reforçou a importância da conscientização ambiental para a geração de renda e redução de resíduos.
Entenda o Pró-Manguezais
O Pró-Manguezais é um programa coordenado pelos Ministérios Públicos Federal e Estadual voltado à conservação de espécies ameaçadas de extinção em Alagoas, com foco na proteção e recuperação dos manguezais — ecossistemas fundamentais para a biodiversidade, a economia local e o equilíbrio ambiental.
Considerados Áreas de Preservação Permanente (APPs), os manguezais são essenciais para a reprodução de diversas espécies e para a subsistência de comunidades tradicionais. Apesar disso, sofrem com ameaças como desmatamento, poluição e perda de habitat, o que torna indispensável a atuação integrada do poder público e da sociedade.
Além dos Ministérios Públicos, integram o projeto a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), o Instituto para Preservação da Mata Atlântica (IPMA) e as secretarias municipais de meio ambiente de Roteiro, Barra de São Miguel e Marechal Deodoro. O negócio de impacto Nosso Mangue, o Instituto Biota de Conservação, o Instituto Federal de Alagoas (IFAL) e os laboratórios de Pesquisas em Estuários e Manguezais (LAPEM) e de Diversidade e Biotecnologia Microbiana (LDBM) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) são importantes parceiros nesse projeto.