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O acidente

Banner CesioO dia 13 de setembro de 1987 foi marcado pelo maior acidente radioativo de todos os tempos, no Brasil e no mundo, ocorrido fora das usinas nucleares: o acidente com o Césio 137, em Goiânia/GO.

Centenas de pessoas foram vítimas de uma única cápsula contendo o material radioativo. O equipamento que continha a cápsula pertencia ao Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), um instituto privado, localizado na avenida Paranaíba, no centro da capital Goiânia.

O equipamento entrou em funcionamento em 1971 e foi desativado em 1985, quando o IGR deixou de operar no endereço citado. Com a mudança do local de funcionamento da empresa, o equipamento de radioterapia foi abandonado no interior das antigas instalações. A maior parte das edificações foi demolida, permanecendo, no entanto, algumas salas, entre elas a que abrigava o aparelho, sem qualquer segurança.

Assim, em 13 de setembro de 1987, dois catadores de lixo adentraram no local, manusearam o aparelho de radioterapia que continha a cápsula e a retiraram, levando para a casa de um deles. Após algumas horas tentando desmontar o invólucro externo da cápsula – o que não foi concluído –, os dois homens sentiram náuseas, vômitos, diarreia e apresentaram queimaduras nas mãos e nos braços. No dia 18 de setembro, o material foi vendido a um ferro-velho de propriedade de Devair Ferreira, que a abriu para o reaproveitamento do chumbo. Com a beleza da luminosidade azul emitida pela cápsula, Devair a levou para sua casa, acessível à família, amigos e vizinhos.

Devair apresentou a sua descoberta para a esposa, Maria Gabriela, bem como o distribuiu para familiares e amigos. O irmão de Devair, Ivo Ferreira, levou um pouco da substância contida na cápsula para sua filha, Leide das Neves, que ingeriu as partículas do césio. Em 23 de outubro, pouco mais de um mês após o acidente, a criança Leide das Neves faleceu em decorrência dos efeitos radioativos. Maria Gabriela, esposa de Devair, passou por tratamento de descontaminação no Hospital Naval Marcílio Dias, no Rio de Janeiro, e sete anos depois também veio a falecer.

O objeto que continha a cápsula de césio foi recolhido pelo Exército Brasileiro e atualmente está exposto no interior da Escola de Instrução Especializada, no Rio de Janeiro.

A curiosidade e a desinformação, aliadas à irresponsabilidade do IGR, foram fatores decisivos para a ocorrência do acidente e das tragédias por ela ocasionadas.