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Documentário registra ações de recuperação da memória e da cultura nos bairros de Maceió afetados pela mineração do sal-gema
Filme de 22 minutos retrata uma importante frente de trabalho do MPF, que busca recompor os laços e as tradições das comunidades atingidas
Imagem: Comunicação/MPF
O afundamento de cinco bairros de Maceió (AL) em decorrência da mineração do sal-gema no subsolo da cidade é considerado um dos maiores desastres ambientais urbanos do Brasil. Mais de 60 mil pessoas foram atingidas pelo colapso progressivo do solo e tiveram de abandonar suas casas de uma hora para a outra. Muito mais do que imóveis e bens materiais, no entanto, perderam-se histórias, memórias, laços comunitários, redes de apoio para idosos, mulheres e pessoas com deficiência, manifestações culturais únicas e um rico patrimônio imaterial, num trauma coletivo que afetou toda a capital alagoana.
Refazer esses laços, ainda que parcialmente, recompor as tradições interrompidas, as memórias desses grupos e a identidade da cidade são alguns dos objetivos do Ministério Público Federal (MPF), que atua, desde o início do problema, em ações judiciais e extrajudiciais para garantir que a Braskem, empresa responsável pela extração do sal-gema, repare a totalidade dos danos causados à população de Maceió. A atuação em busca da reparação dos danos extrapatrimoniais é tema do documentário “Além do Afundamento – A Memória Persiste”, realizado pela SET Produções com a supervisão da Secretaria de Comunicação Social do MPF.
Já disponível no Canal do MPF no Youtube, o vídeo de 22 minutos acompanha a mobilização de moradores das áreas afetadas, procuradores da República e especialistas para preservar a cultura, a história e os direitos das comunidades impactadas. Por meio de relatos e depoimentos, o filme retrata, por exemplo, a situação do grupo cultural Coco de Roda Reviver, que ensaiava na Praça Lucena Maranhão, no bairro Bebedouro, o segundo mais antigo de Maceió. A praça está agora interditada, e os componentes foram realocados em bairros distantes. Apesar disso, eles mantêm a tradição e seguem em atividade, o que não aconteceu com inúmeros outros coletivos culturais dos lugares afetados.
Firmado entre o MPF e a Braskem em 2020, o acordo socioambiental prevê uma série de ações, entre elas a destinação de R$ 150 milhões em quatro anos para projetos de reparação dos danos coletivos. A medida permitiu a criação do programa Nosso Chão, Nossa História, que tem gestão participativa, busca estimular o protagonismo dos atingidos e conta com apoio do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (Unops/ONU). A ideia é fomentar iniciativas voltadas a cultura, saúde mental, economia local e fortalecimento comunitário como estratégia de reconstrução do tecido social.
O vídeo trata do plano de ações sociourbanísticas, que reúne mais de 40 medidas de compensação e busca recompor, inclusive, a mobilidade urbana afetada pela interdição de bairros inteiros, além de garantir a construção de equipamentos públicos nos lugares que receberam moradores realocados. O trabalho inclui a criação do Inventário Participativo do Patrimônio Imaterial de Maceió, projeto realizado em parceria com a Universidade Federal de Alagoas que já mapeou saberes e expressões culturais nas áreas afetadas, com mais de 300 fazedores de cultura entrevistados e 470 locais de referência de memória coletiva identificados.
O documentário evidencia a força da memória coletiva e o protagonismo dos moradores na proteção do que têm de mais precioso: sua identidade.
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