Comunidades Tradicionais
MPF promove o evento “Maio Cigano”
Evento ocorrerá em 20 de maio com roda de conversa e lançamento de livro
Humberto Eckhard
O Ministério Público Federal (MPF) promove no próximo dia 20, a partir das 14h, em Florianópolis, o “Maio Cigano“. A programação do evento, que é coordenado pelo procurador da República Antônio Augusto Teixeira Diniz e será realizado no Memorial do MPF, terá início com uma roda de conversa entre especialistas e lideranças, que irão abordar o tema “Realidade da população cigana em Santa Catarina e os desafios para o censo de 2030“.
Participarão dos debates o subprocurador-geral da República Luciano Mariz Maia, a pesquisadora e professora do CED/UFSC Patrícia Moraes de Lima, o membro da cátedra Antonieta de Barros/UFSC João Carlos Nogueira e o representante da Associação do Centro de Referência Cigana de Santa Catarina, Rogério da Silva (Calon).
O evento também contará com o lançamento e sessão de autógrafos do livro infantojuvenil "Aurora", de Rosecler Winter. A obra, vencedora do I Prêmio Nacional de Literatura Infantojuvenil para Ciganos e Quilombolas (2025), apresenta de forma sensível valores e tradições da infância Sinti, fortalecendo a identidade étnico-cultural desde os primeiros anos escolares.
Visibilidade e direitos
O marco inaugural da trajetória da atuação do MPF junto aos povos ciganos ocorreu em 1992, com a instauração de um inquérito civil público pelo então procurador da República Luciano Maia, para investigar violações contra ciganos da etnia Calon em Sousa, na Paraíba. A partir do Decreto nº 6.040/2004, que criou a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, houve uma mudança no cenário, intensificando a articulação das lideranças ciganas com o MPF e abrangendo direitos sociais e culturais, como moradia e saúde.
O projeto “Maio Cigano“, iniciado pelo MPF em 2018, reafirma seu compromisso constitucional com os povos tradicionais e busca enfrentar a histórica invisibilidade dos povos ciganos nas estatísticas oficiais e garantir o respeito à sua identidade cultural como patrimônio brasileiro.