Direitos do Cidadão
MPF realiza debate sobre o filme Cheiro de Diesel
Evento lotou o auditório do Memorial da PRRJ
Foto: MPF
O auditório da Procuradoria da República no Rio de Janeiro virou cinema por um dia na última quinta (16) para assistir ao filme Cheiro de Diesel, que conta os impactos da presença das Forças Armadas e favelas do Rio de Janeiro na década passada.
O encontro, uma iniciativa da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), teve como objetivo discutir o papel do cinema na denúncia de violações de direitos humanos e a necessidade urgente de reparação para as vítimas da violência estatal.
“O grande mérito do filme é mostrar de forma contundente uma realidade que está à nossa porta e nem sempre é devidamente considerada pelo sistema de Justiça. A arte tem essa capacidade de nos convidar à reflexão e também pensar como podemos fazer diferente”, pontuou o procurador regional Direitos do Cidadão adjunto.
O filme, dirigido por Gizele Martins e Natasha Neri, foi premiado no último Festival do Rio e estreou nos cinemas no dia 2 de abril. Para Natasha, o filme transcende o entretenimento: "A gente não faz filme para ganhar prêmio, mas para causar impacto e usar a metodologia do cinema como uma ferramenta de luta social". Essa visão é compartilhada pela também diretora e comunicadora da Maré, Gisele Martins, que vê na obra uma ponte para o diálogo institucional: "Isso é a luta por justiça, é fazer com que a gente na favela seja ouvido e também visto por quem está no escritório, no ar condicionado, para que vejam o quanto a gente sofre dentro desse território".
Além da exibição do filme, o evento contou com um debate com a participação das diretoras, do PRDC. Também participou da conversa a pesquisadora e ativista Drica Neves. Personagem do documentário e mãe de Loran, jovem morto durante uma operação do exército em 2017, Drica reflete sobre “O Cheiro de Diesel como uma oportunidade de dar vida à minha voz e à voz de outras mães e familiares que são invisibilizadas e marginalizadas”.
O documentário registra os traumas deixados por esta ocupação de favelas e morros do Rio de Janeiro pelas Forças Armadas a partir de decretos presidenciais de Garantia da Lei e Ordem, as GLOs. No filme, moradores das favelas da Maré e da Penha, na zona norte, e do Morro do Salgueiro, em São Gonçalo, relatam a rotina de medo com a presença de soldados armados com fuzis e tanques de guerra nas ruas.
A plateia diversa contou ainda com a participação de membros do Ministério Público, juízes, advogados e defensores públicos, além de servidores da PRRJ.
Ao falar sobre o filme, Pedro Cunha do Coletivo RJ por Memória, Verdade e Justiça expressou: "É impressionante notar a continuidade dos mesmos esquemas de impunidade e de violência de Estado que vêm desde a ditadura militar".
O juiz federal Carlos Adriano destacou a gravidade da rotina militarizada nas comunidades "O filme mostra que não tem como dizer que a atividade policial militarizada, com fuzis apontados para crianças indo à escola, não seja uma atividade de risco extremo".
O filme é uma produção da Amana Cine e Baracoa Filmes, com coprodução do Canal Brasil, apoio da RioFilme, distribuição da Descoloniza Filmes, distribuído com a parceria da RioFilme, órgão da Secretaria de Cultura da Prefeitura do Rio. Cheiro de Diesel segue em exibição em circuitos comerciais e está aberto para sessões autogestionadas em universidades e espaços de defesa de direitos.
Confira o debate
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