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Direitos do Cidadão

Em reunião com MPF, órgãos do Poder Executivo comprometem-se a melhorar atendimento à população em situação de rua no Pará

Compromissos foram assumidos por órgãos do governo estadual e prefeitura de Belém junto ao MPF, MPPA, DPU e DPE-PA

Data: 22/04/2025 • 21:40 Unidade: Procuradoria da República no Pará
foto de um grupo de pessoas, predominantemente homens, vestidas com trajes formais, sentadas ao redor de uma grande mesa clara em uma sala de reuniões. Um homem em primeiro plano à esquerda está escrevendo em um caderno. Em frente a ele, outro homem manuseia um celular. Os demais participantes observam, e há notebooks e papéis sobre a mesa. Ao fundo, a sala possui grandes janelas e piso de madeira.

Órgãos do Poder Executivo estadual e municipal em Belém (PA) comprometeram-se, no último dia 15, a adotar uma série de medidas para ampliar e melhorar o atendimento à população em situação de rua no Pará. Os compromissos foram assumidos em reunião com o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), a Defensoria Pública da União (DPU) e a Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE-PA).

Confira quais foram os compromissos assumidos e encaminhamentos previstos:

• a Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) comprometeu-se a retomar, até o final de maio, o funcionamento do Consultório na Rua, que oferece serviços de equipe multidisciplinar de saúde para atendimento de populações com maior grau de vulnerabilidade, como a população em situação de rua;

• a Sesma também comprometeu-se a concluir, até o final de abril, a retomada estrutural da Casa Rua, unidade de saúde multiprofissional também especializada no atendimento à população em situação de rua;

• a Companhia de Habitação do Estado do Pará (Cohab), a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop) e a Fundação Papa João XXIII (Funpapa) trocarão informações para verificar se o perfil da população atendida pelo Centro Pop adequa-se às políticas habitacionais já oferecidas pela Cohab;

• a Cohab vai verificar com a prefeitura de Belém a possibilidade de que seja aumentado o percentual de imóveis do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), integrante do Programa Minha Casa, Minha Vida, que prioritariamente é sorteado entre pessoas em situação de rua elegíveis como beneficiárias do programa. Atualmente, o percentual de unidades habitacionais priorizadas para pessoas em situação de rua é de 3% do total de imóveis;

• a Funpapa e a Sesma vão elaborar protocolos de saúde e assistência e de segurança alimentar para o atendimento à população em situação de rua.

Demais providências – Além dos compromissos e encaminhamentos sob responsabilidade de órgãos do Poder Executivo, na reunião foi decidido pelo MPF, MPPA, DPU e DPE-PA, que estes órgãos do sistema de Justiça tomarão as seguintes providências:

• solicitação, à Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup), de cronograma de capacitações à Polícia Militar e à Polícia Civil sobre o enfrentamento e prevenção à violência que atinge a população de rua;

• agendamento de reunião, no MPPA, para tratar do cadastramento da população em situação de rua e atendimento prioritário dessa população nos programas habitacionais Minha Casa Minha Vida, do governo federal, e Sua Casa, do governo estadual;

• solicitação, à Câmara Municipal de Belém, de prioridade na tramitação do projeto de lei que institui a política municipal para a população em situação de rua na capital paraense;

• solicitação, à prefeitura de Belém, de cronograma físico-financeiro do projeto relativo ao restaurante popular, para verificação se há previsão de retorno do funcionamento do serviço;

• solicitação, à Sesma, de informações sobre a ampliação da Rede de Atenção Psicossocial (Raps).

Contexto – A reunião foi convocada pelo MPF, MPPA, DPU e DPE-PA para coletar informações sobre o estágio do cumprimento, em Belém, de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que obrigou estados e municípios a seguirem e a executarem as diretrizes da Política Nacional para a População em Situação de Rua. A reunião também teve como objetivo reunir informações úteis para monitorar os serviços públicos disponibilizados à população em situação de rua na capital paraense. Segundo dados de janeiro apresentados pela Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda do Pará (Seaster), o Pará tem 3.234 pessoas em situação de rua, das quais 1.534 estão em Belém.

Foram convocadas para a reunião as seguintes instituições: Funpapa, Sesma, Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Direitos Humanos (Semcad), Sehab, Seaster, Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), Procuradoria do Município de Belém e Procuradoria do Estado do Pará. O evento contou com a participação do escritório em Belém da Agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para Refugiados.

Balanço – “Essa é uma pauta extremamente importante, considerando que a população em situação de rua é bastante estigmatizada e invisibilizada. E é importante que o nosso trabalho – do Ministério Público Federal, Estadual, Defensorias Públicas Estadual e da União – sirva como um motor de promoção dessas políticas públicas e garantia dos direitos dessa população”, explica o procurador regional dos direitos do Cidadão no Pará, Sadi Machado. “Essa reunião foi bastante produtiva, na medida em que as diferentes iniciativas que são realizadas – por vezes de uma maneira não coordenada –, elas tendem a ser muito mais efetivas se houver um diálogo e houver, de fato, uma cooperação e colaboração entre as diferentes instituições que estão trabalhando nessa temática”, complementa o membro do MPF.

O promotor de Justiça Raimundo Moraes aponta que um dos encaminhamentos estabelecidos na reunião, de que sejam cadastrados os moradores de rua para concretizar o atendimento prioritário a essa população por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, atende ao principal compromisso pendente de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pelo município de Belém com o MPPA. Moraes também frisa que o MPPA e o MPF atuam em conjunto para que a União destine recursos para a execução das políticas públicas para a população em situação de rua. “É uma atuação para que a União venha a realmente fazer, não somente a estratégia de organização com o plano nacional, mas com aporte de recursos específicos para esse tipo de política, estabelecendo compromissos concretos para a destinação desses recursos, como estruturas físicas de atendimento, conjuntos habitacionais, ampliação da estratégia habitacional”, exemplificou.

O defensor regional de direitos humanos no Pará, Marcos Teixeira, registra que a reunião foi importante para que DPU, DPE-PA, MPF e MPPA pudessem saber, de fato, o que está sendo feito pelas instituições responsáveis pelo atendimento à população em situação de rua. ”Infelizmente, questões que já deveriam estar resolvidas – como a discussão sobre o atendimento à saúde, o atendimento social, o cadastro para se indicar se a pessoa está ou não em situação de rua –, isso ainda é muito precário, e a gente não verifica ainda uma efetividade”, critica o membro da DPU. “Mas é uma reunião importante para que DPU, DPE-PA, MPF e MPPA tenhamos essa oportunidade de verificar as dificuldades dos órgãos, para ver o que é que podemos fazer para auxiliar, de fato, na execução das políticas públicas voltadas à população de rua”.

 

Procedimento 1.23.000.002677/2023-27