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Meio Ambiente

Caso Vale: Nova solução tecnológica de combate ao Aedes aegypti começa a ser utilizada em Brumadinho (MG)

Solução é produzida com recursos do Acordo de Reparação de Brumadinho, firmado pelo MPF e outras instituições com a Vale

Data: 05/03/2026 • 10:54 Unidade: Procuradoria da República em Minas Gerais
Arte mostra ao fundo uma foto escura, em tons marrons, como uma imensa enxurrada de lama. Sobre a foto se lê, em letras brancas, a expressão "DESASTRE DA VALE".

Arte: Comunicação/MPF

As instituições compromitentes do Acordo de Brumadinho iniciaram, nesta segunda-feira (2), em Brumadinho (MG), a liberação de espécimes do mosquito Aedes aegypti com Wolbachia, uma tecnologia inovadora de combate à dengue e às arboviroses. Chamados de wolbitos, os mosquitos são produzidos na biofábrica instalada em Belo Horizonte (MG), construída com recursos do Acordo de Reparação de Brumadinho, contando com investimentos totais superiores a R$ 77 milhões.

O acordo foi firmado em 2021 entre o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Defensoria Pública de Minas Gerais, Governo de Minas Gerais e a Vale, em virtude dos danos coletivos e sociais causados pela Vale devido ao rompimento de barragens da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, ocorrido em 25 de janeiro de 2019.

Responsável por acompanhar a execução do acordo, o procurador da República Carlos Bruno ressaltou a importância da fiscalização dos recursos do acordo, para que os investimentos se revertam e melhorias para a população.

“A soltura dos mosquitos representa um avanço no combate à dengue em Brumadinho. O acordo tem priorizado investimentos em hospitais, unidades básicas de saúde, saneamento e agora na biofábrica. Há fiscalização permanente, conduzida pela Fundação Getúlio Vargas, e os recursos estão sendo aplicados para melhorar a qualidade de vida da população”, destacou.

Combate à dengue e às arboviroses – A ação, coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), marca uma nova etapa da política pública de enfrentamento à dengue, à chikungunya e à zika na Bacia do Paraopeba. O Método Wolbachia utiliza o mosquito com a bactéria natural Wolbachia, capaz de reduzir a transmissão dos vírus da dengue, chikungunya e zika.

A estratégia já apresenta resultados positivos em outras cidades brasileiras e agora começa a ser aplicada na região atingida pelo rompimento da barragem. Ela será ampliada gradualmente para outros 21 municípios da Bacia do Paraopeba. A iniciativa é realizada pelo WMP Brasil, com apoio da Fiocruz, da SES-MG e da Prefeitura de Brumadinho.

Método seguro e baseado em ciência – A iniciativa inclui ainda a Exposição Método Wolbachia, aberta ao público no Centro Administrativo da Prefeitura de Brumadinho até a primeira quinzena de abril, com informações sobre a tecnologia e seus resultados.

Para a gestora de implementação do Método Wolbachia no Brasil, Ana Carolina Rabelo, a estratégia complementa as ações tradicionais de controle do Aedes aegypti.

“O método é natural, eficaz e autossustentável, sem qualquer modificação genética. Há comprovação científica da redução da transmissão das arboviroses. Após o período de liberações, a Wolbachia se estabelece naturalmente, contribuindo para diminuir os casos na região”, explicou.

O Método Wolbachia não envolve modificação genética. A bactéria é natural e está presente em cerca de 50% das espécies de insetos. Não causa danos à saúde humana, aos animais ou ao meio ambiente.

Após a liberação, os mosquitos com Wolbachia se reproduzem com o Aedes aegypti local e transmitem a bactéria às próximas gerações. Com o tempo, a maioria da população do mosquito passa a carregar a Wolbachia, reduzindo a transmissão dos vírus hospedados pelos mosquitos e, consequentemente, os casos de dengue e outras arboviroses.

Assessoria de Comunicação Social
Ministério Público Federal em Minas Gerais
Tel.: (31) 2123-9008
E-mail: PRMG-Imprensa@mpf.mp.br

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