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Comunidades Tradicionais

A pedido do MPF, Justiça determina elaboração e execução de plano de fiscalização do Território Quilombola Kalunga

Localizada em Goiás, comunidade tem enfrentado diversos conflitos com grileiros, o que tem provocado insegurança aos quilombolas

Data: 07/02/2025 • 13:25 Unidade: Procuradoria da República em Goiás
Vista da Comunidade quilombola Kalunga do Engenho II. Ao fundo uma casa simples de barro

Após pedido de cumprimento de decisão de tutela provisória (liminar) apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal determinou o prazo de 60 dias para que a União, o estado de Goiás, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Fundação Cultural Palmares comprovem o cumprimento da decisão que determinou a elaboração e a execução do plano conjunto de fiscalização do Território Quilombola Kalunga. A medida busca impedir novas invasões e conflitos entre grileiros e os quilombolas que vivem nos municípios goianos de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás.

Em 2023, como resultado de ação civil pública ajuizada pelo MPF, a Justiça já havia determinado a elaboração e a execução de um plano de fiscalização para o local. No entanto, a decisão ainda não foi cumprida e há muitos conflitos, com diversas áreas invadidas, o que causa violência e insegurança para os quilombolas. Dessa forma, segundo procurador da República José Ricardo Teixeira Alves, o objetivo do MPF é garantir a segurança dos quilombolas e garantir que o território seja definitivamente entregue aos Kalungas.

Breve histórico – Na ação, o MPF destacou a demora do Incra em demarcar e titular os territórios quilombolas. No caso particular do Território Quilombola Kalunga, as fronteiras já foram reconhecidas e devidamente delimitadas pelo poder público, inclusive por meio de lei. 

Na peça, o MPF explicou que as atividades de delimitação, demarcação e titulação, antes de responsabilidade da Fundação Palmares, foram transferidas ao Incra que, em 2004, iniciou processo administrativo para a titulação definitiva das terras reivindicadas pela pela Comunidade Quilombola Kalunga. Entretanto, o processo administrativo tramitou lentamente, foi arquivado em agosto de 2019 sem conclusão e, dos 262 mil hectares que integram o território, apenas cerca de 34 mil hectares foram titulados definitivamente para a comunidade.

Kalunga – O Território Quilombola Kalunga é considerado o maior do Brasil e é reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o primeiro Território e Área Conservada por Comunidades Indígenas e Locais (Ticca) do país. Segundo a Fiocruz, o território foi reconhecido, em 1991, pelo estado de Goiás como Sítio Histórico e Patrimônio Cultural e, no ano seguinte, pela Fundação Cultural Palmares do Ministério da Cultura (FCP/Minc). De acordo com a fundação, os quilombolas que fugiram do trabalho escravo na mineração, há mais de 300 anos, iniciaram ali as suas comunidades.