Pular para o conteúdo

Meio Ambiente

Comunidades quilombolas, Iphan e SPU serão ouvidos sobre obras do Mirante do Pai Vitório, em Búzios (RJ)

Ficou acertada a demolição do portal e manifestação das comunidades tradicionais e órgãos públicos

Data: 12/12/2025 • 17:56 Unidade: Procuradoria da República no Rio de Janeiro
Foto mostra procurador da República com integrantes da reunião

As obras do novo portal do Mirante Pai Vitório, em Búzios (RJ), deverão ser submetidas à consulta da comunidade quilombola da Rasa e da Comunidade das Marisqueiras. O projeto foi readequado para evitar impactos ambientais e socioculturais às comunidades tradicionais que utilizam o Mangue de Pedras em suas atividades e modos de vida.

A medida é resultado da atuação do Ministério Público Federal (MPF) para assegurar a consulta prévia, livre e informada aos povos potencialmente atingidos e garantir a preservação da área. No início de novembro, o procurador da República Leandro Mitidieri recomendou à prefeitura de Búzios a suspensão imediata das obras para a realização de consulta à comunidade quilombola e das marisqueiras da Rasa.

Após reunião pública e vistoria do MPF, o projeto será submetido à manifestação das comunidades quilombolas da Rasa e das Marisqueiras, da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A solução foi construída de forma conjunta pela Prefeitura, representantes comunitários e órgãos públicos durante encontro convocado pelo MPF em 27 de novembro.

A proposta revisada prevê a utilização de concreto apenas nas bases — as “sapatas” — que sustentarão o deck de madeira do mirante, evitando a pavimentação de toda a trilha com concreto em área ambiental sensível.

Após a reunião, o MPF fixou prazo de 15 dias para que a Prefeitura envie o projeto reformulado, detalhando as mudanças no uso de concreto e informando sobre a demolição do portal já construído. A gestão municipal também deverá comunicar o início das consultas públicas com as comunidades locais para definir o novo formato do espaço.

A SPU terá igualmente 15 dias para informar se o Mirante se encontra em área de marinha e, em caso afirmativo, indicar as medidas que devem ser adotadas no âmbito federal.

O Iphan deverá se manifestar no mesmo prazo sobre os aspectos arqueológicos, a necessidade de participação no licenciamento ambiental da área e a possibilidade de tombamento dos caminhos dos escravos presentes na trilha do Mirante.

As comunidades quilombolas da Rasa e das Marisqueiras também apresentarão manifestação oficial, em igual prazo, sobre o novo portal.

O procurador da República encaminhou ainda ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) parte do acompanhamento do caso, por se tratar de matérias de competência estadual, como: ausência de plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) do Mangue de Pedras; impactos sobre unidades de conservação municipais e estaduais — a APA e o Parque Estadual da Costa do Sol; e a falta de debate prévio no Conselho Municipal de Meio Ambiente, no Conselho Gestor das Unidades de Conservação e no Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

Procedimento nº 1.30.009.000207/2019-28