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Comunidades Tradicionais

Sistema de Justiça e Educação: MPF destaca papel ativo na garantia de direitos quilombolas

Videoconferência nacional debateu educação para as relações étnico-raciais e a educação escolar quilombola

Data: 30/05/2025 • 19:45 Unidade: Procuradoria da República na Paraíba
A imagem mostra duas pessoas comemorando em um cenário à beira-mar. Uma delas veste beca e capelo de formatura, enquanto a outra usa camiseta branca e jeans. Ambas têm os braços erguidos fazendo o gesto de vitória. O sol se põe ao fundo.

O Ministério Público Federal (MPF) participou, nessa quinta-feira (29), da videoconferência nacional para tratar da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq). Transmitido pelo canal do MEC no Youtube, o evento debateu a educação para as relações étnico-raciais (Erer) e a educação escolar quilombola (EEQ). A videoconferência A Pneerq e a aplicabilidade das legislações sobre Erer e EEQ foi acompanhada por educadores de todo o país.

A videoconferência foi promovida pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), em parceria com o Ministério da Educação, e integra as estratégias de implementação da Pneerq, lançada em 2024. Representando o MPF, o procurador da República José Godoy abordou o papel do sistema de justiça na efetivação dos direitos relacionados ao tema, destacando a atuação do órgão como agente de garantia e promoção desses direitos constitucionais.

Tela de transmissão online com duas janelas onde aparecem o procurador e uma intérprete de librasEm sua fala, José Godoy destacou a função constitucional do MP brasileiro como instituição garantidora dos direitos fundamentais previstos na Constituição, entre eles o direito à educação diferenciada, à identidade e à cultura das comunidades quilombolas. “O Ministério Público não age de forma voluntarista. Atua em diálogo constante com as comunidades, porque o direito é delas, não é nosso”, afirmou.

Ao refletir sobre o papel do sistema de justiça nas políticas de equidade racial, o procurador defendeu uma atuação comprometida com a concretização dos direitos sociais. “Nosso dever é fazer com que esses direitos saiam do papel”, observou. Ele também alertou para os impactos do desequilíbrio orçamentário no âmbito federal, que compromete a execução de políticas públicas essenciais como a Pneerq e o Programa Dinheiro Direto na Escola Equidade (PDDE Equidade).

Godoy apresentou exemplos da atuação do MPF em diversos estados, especialmente em questões ligadas à criação de escolas quilombolas, à demarcação de territórios e ao monitoramento do cumprimento da legislação sobre o ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena (Leis 10.639/2003 e 11.645/2008). Ele também ressaltou a importância da fiscalização por parte dos vereadores e dos Conselhos Municipais de Educação, sobretudo no acompanhamento dos orçamentos voltados à promoção da equidade racial nas escolas.

Tela de transissão online com três janelas onde aparecem tres pessoasA professora doutora Gládis Kaercher, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), também participou do encontro e abordou os eixos da Pneerq com foco na formação de professores e no diagnóstico e monitoramento das políticas de educação para as relações étnico-raciais (Erer) e da educação escolar quilombola (EEQ). Gládis compartilhou a experiência do Rio Grande do Sul, onde há mais de uma década o Tribunal de Contas realiza auditorias específicas para verificar a aplicação das leis de educação étnico-racial nos municípios.

Segundo ela, os dados mostram que 85% das cidades enfrentam dificuldades na implementação do artigo 26 da Lei de Diretrizes Básicas (LDB), que trata do ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena. Para Kaercher, esse dado indica que os municípios enfrentam dificuldades para o cumprimento que são as mais variadas possíveis, “Tem faltado um planejamento de médio e longo prazo que vá estabelecendo metas exequíveis, metas materializáveis, com prazos definidos, com objetivos bem traçados”, alertou.

A professora também chamou atenção para o papel transformador da escola na promoção do orgulho da pertença racial e na valorização das epistemologias negras, quilombolas e indígenas. Para ela, a autodeclaração racial, muitas vezes evitada por medo do preconceito, é ferramenta essencial para orientar políticas públicas e assegurar recursos.

O que é a Pneerq? - A Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (Pneerq) é uma iniciativa do Ministério da Educação voltada à superação das desigualdades étnico-raciais e do racismo nos ambientes escolares.

Objetivos principais:

Efetivar o ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena (Leis 10.639/03 e 11.645/08);

Consolidar a educação escolar quilombola como modalidade específica de ensino;

Formar professores e gestores para atuação em Erer e EEQ;

Promover ações de monitoramento, prevenção e enfrentamento ao racismo nas escolas.

Lançada em 2024, a política prevê investimento federal, articulação com estados e municípios e formação de mais de 215 mil profissionais da educação.

Saiba mais em: www.gov.br/mec/pt-br/pneerq

Link para a assistir à gravação da videoconferência: https://www.youtube.com/watch?v=bat-ofJdKn0