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Meio Ambiente

Instituições de Justiça discutem a execução do acordo para a reconstrução de comunidade atingida pela barragem de Fundão (MG)

Encontro detalhou planos de remoção de rejeitos, infraestrutura e o uso de mais de R$ 60 milhões em recursos para o reassentamento de Gesteira

Data: 19/12/2025 • 22:05 Unidade: Procuradoria da República em Minas Gerais
Grupo de pessoas posa em pé, na frente de casa atingida pela lama na comunidade de Gesteira Velho

No último dia 15 de dezembro de 2025, representantes do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) reuniram-se com a comunidade de Gesteira, em Barra Longa (MG), para dar continuidade à execução do Acordo de Gesteira. A comitiva participou primeiro de uma visita técnica à Gesteira Velho, que foi soterrada pelos rejeitos oriundos do rompimento da barragem de Fundão, em 2015. A visita foi seguida por uma reunião com a comunidade, passo decisivo para alinhar o cronograma de obras, a gestão financeira dos recursos e as estratégias de remoção dos rejeitos de mineração que ainda afetam a região.

Também participaram da reunião representantes do Grupo de Estudos e Pesquisas Socioambientais da Universidade Federal de Ouro Preto (GEPSA/UFOP), do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), do Consórcio Público para o Desenvolvimento do Alto Paraopeba (Codap), da Prefeitura de Barra Longa e da assessoria técnica Aedas.

Durante o encontro, os representantes das instituições de Justiça e órgãos técnicos buscaram esclarecer o andamento das ações de reparação. Na ocasião, foram abordadas dúvidas e perguntas da comunidade, tendo como foco, por exemplo, o plano para a retirada dos rejeitos, o Protocolo de Consulta da Comunidade Quilombola de Gesteira, a viabilidade financeira das intervenções e quanto à segurança do solo para plantio.

Também foram discutidos pontos sensíveis para os moradores, como o cronograma para o início da preparação do terreno (terraplanagem) e a marcação oficial dos lotes do reassentamento, além da situação dos recursos destinados à reforma da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, que é um símbolo de fé e união para o povoado.

Atualmente, o valor disponível para intervenções em Gesteira, sob custódia do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), é de R$ 61,8 milhões, montante que já inclui os rendimentos acumulados. Esse valor será revertido em melhorias estruturais, como implementação de água tratada, coleta e tratamento de esgoto, pavimentação das ruas, reformas de espaços públicos, dentre outros. O consórcio responsável pelas obras (Codap) afirmou estar pronto para iniciar as melhorias no "Mutirão" — como drenagem e calçamento — assim que a comunidade der o aval final.

Gesteira - A comunidade de Gesteira, situada no município de Barra Longa (MG), é um dos símbolos da tragédia provocada pelo rompimento da barragem de Fundão. Assim como Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, em Mariana, Gesteira foi inundada e soterrada pela lama de rejeitos.

A área conhecida como Gesteira Velho sofreu um deslocamento físico compulsório, o que incluiu a localidade em programas específicos de reparação. Entre eles, destaca-se o programa de reconstrução e realocação (conhecido como PG 8) e o programa de Memória Histórica, Cultural e Artística (PG 12), que visa recuperar o patrimônio material e a identidade das comunidades afetadas. A história de Gesteira é marcada pela luta de sua população quilombola para manter viva sua cultura, mesmo após o soterramento de casas e da histórica Igreja de Nossa Senhora da Conceição.

Próximos passos - A atuação do MPF e do MPMG visa assegurar que os prazos sejam respeitados e a reparação seja cumprida. O calendário para o início de 2026 já está definido, com reuniões agendadas entre janeiro e fevereiro para tratar especificamente do fundo de projetos comunitários e da reforma da Igreja. A comunidade de Gesteira também deve deliberar, até o final de janeiro, sobre o adiantamento de obras urgentes no setor conhecido como Mutirão.

Acesse a íntegra da ata aqui.