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Direitos do Cidadão

PFDC reforça necessidade inadiável de defender e promover a democracia na Semana do Nunca Mais

Fruto de parceria entre a PFDC e a Universidade de Brasília, seminário segue até sexta-feira (4)

Data: 01/04/2025 • 20:55 Unidade: Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão
Imagem mostra um homem em pé, atrás do púlpito, fazendo discurso. Atrás dele, uma mesa composta por quatro autoridades.

“As tentativas de corrosão da democracia, que vemos no Brasil e no mundo, são situações que precisam ser discutidas na sociedade como um todo, para que possamos levantar as grades de defesa da democracia, resgatando a memória histórica e a sua função pedagógica e preventiva”. A afirmação foi feita pelo procurador federal dos Direitos do Cidadão, Nicolao Dino, durante a abertura da “Semana do Nunca Mais” na noite dessa segunda-feira (31), na Universidade de Brasília (UnB). Ele participou da conferência de abertura do evento, com o tema “40 Anos de Reconstrução Democrática: Pendências, Riscos e Garantias de Não Repetição”.

A semana de debates é fruto de uma parceria entre a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), órgão do Ministério Público Federal (MPF), e o Grupo de Pesquisa Justiça de Transição, vinculado à Faculdade de Direito da UnB. O seminário conta com diversos painéis e palestras ministrados por autoridades, acadêmicos e especialistas e segue até a sexta-feira (4), na UnB, com transmissão pelo YouTube. Confira aqui a programação.

Ação e prevenção - Em sua participação, o PFDC destacou que o evento nasce de uma convergência de pensamentos e de certezas em torno de dois pontos principais: a necessidade permanente e inadiável de defesa e promoção da democracia e a obrigação de que as instituições e a sociedade como um todo reflitam sobre o reconhecimento do direito à memória e à verdade como parte do rol dos direitos humanos. “É absolutamente fundamental tentar compreender e, sobretudo, prevenir o que está acontecendo nos dias de hoje, não só no Brasil, mas no mundo, em que estão sendo varridos os ideais democráticos”, pontuou.

Entre os principais fatores que contribuem para a desmoralização da democracia, Dino destacou a polarização crescente das sociedades, que se dividem em “campos políticos cujas visões de mundo não são apenas diferentes, mas mutuamente excludentes”, abrindo espaço para a intolerância. Outro fator relevante é a disseminação de desinformação, que “coloca em xeque valores isentos de qualquer dúvida”, como a legitimidade dos processos eleitorais no Brasil. “São situações que precisam ser discutidas no âmbito das instituições nas academias e na sociedade como um todo, para que possamos juntos construir antídotos”, ressaltou o PDFC.

Também participaram da abertura do evento a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministra Maria Elizabeth Rocha; o relator da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Memória, Verdade e Reparação, Bernard Duhaime; a coordenadora do grupo de pesquisa Justiça de Transição e coordenadora do programa de pós-graduação em Direito da UnB, Eneá de Stutz e Almeida; a reitora da UnB, professora Rosana Naves; e o diretor da Faculdade de Direito da UnB Alexandre Bernardino Costa.

Justiça de Transição –  A Justiça de Transição refere-se ao conjunto de mecanismos que devem ser implementados em sociedades que passaram por períodos autoritários. Trata-se de medidas fundamentais para a reconciliação nacional e a cura das feridas deixadas por regimes de exceção ou conflitos armados.  Justiça de Transição contempla quatro eixos principais: memória e verdade, reparação integral, reforma das instituições e responsabilização ou persecução penal dos violadores de direitos humanos.

A PFDC conta com o Grupo de Trabalho Memória, Verdade e Defesa da Democracia, coordenado pelo procurador regional da República Marlon Alberto Weichert, cujo objetivo é atuar pela observância da Lei nº 9.140, de 1995 (Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos), da Lei nº 10.559, de 2002 (Comissão de Anistia) e da Lei nº 12.528, de 2011 (Comissão Nacional da Verdade), bem como pelo cumprimento das decisões internacionais em direitos humanos pelo Estado brasileiro. O MPF também tem um site exclusivo que reúne informações sobre a atuação da instituição na temática

Confira aqui fotos do evento.