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Direitos do Cidadão

Orgulho na verdade: combater a desinformação é proteger direitos da comunidade LGBTQIA+

MPF lança ação de conscientização para enfrentar informações falsas e promover respeito à população LGBTQIA+ durante o Mês do Orgulho

Data: 02/06/2025 • 17:15 Unidade: Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão
Imagem com fundo preto com os dizeres "LGBTQIA+ Orgulho na Verdade" escrito em branco à esquerda. À direita,quatro pessoas, homens e mulheres, enfileiradas em frente a faixas com cores da bandeira LGBTQIA+, vermelho, laranja, amarelo,verde, azul e roxo.

Junho é o Mês do Orgulho LGBTQIA+, um período dedicado à visibilidade, à celebração da diversidade e, sobretudo, à reafirmação da luta por direitos e respeito. Para marcar a ocasião, o Ministério Público Federal (MPF) lança uma série de ações de comunicação com o slogan “Orgulho na verdade”, voltadas ao enfrentamento da desinformação que atinge a população LGBTQIA+. A iniciativa inclui publicações no site institucional, conteúdos em redes sociais e matérias especiais para rádio e televisão.

O objetivo é esclarecer fatos, combater preconceitos e promover empatia por meio da informação verdadeira. A ideia da campanha parte da premissa de que a disseminação de informações falsas ou distorcidas sobre pessoas LGBTQIA+ é um dos principais motores da discriminação. A desinformação — muitas vezes associada a estigmas e visões equivocadas — não apenas perpetua estereótipos, como também alimenta discursos de ódio, exclusão e violência.

De acordo com o MPF, essas distorções contribuem para o aumento da intolerância e afetam diretamente a segurança e a dignidade dessas pessoas. A instituição destaca que promover a verdade é uma estratégia essencial no combate ao preconceito e à violência. Para isso, são necessárias políticas públicas baseadas em dados reais, ações educativas em escolas e outros espaços formativos, além da veiculação de conteúdos confiáveis na mídia e nas redes sociais.

Estatísticas recentes reforçam a urgência de medidas eficazes para enfrentar a violência e a discriminação. Entre 2014 e 2023, o Brasil registrou um crescimento expressivo nos casos de violência contra pessoas LGBTQIA+, segundo dados do Atlas da Violência, divulgado em maio deste ano pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Nesse período, os casos aumentaram 1.193% entre homossexuais e bissexuais, 1.111% entre mulheres trans, 1.607% entre homens trans e 2.340% entre travestis. O relatório, no entanto, alerta que parte desse crescimento pode estar relacionada à redução da subnotificação que existia há uma década.

Atuação do MPF  No âmbito do MPF, a defesa dos direitos dessa população é coordenada pela Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), com o apoio do Grupo de Trabalho “População LGBTQIA+: Proteção de Direitos”. Criado em 2020, o GT é composto por nove membros do MPF e atua em colaboração com órgãos governamentais, entidades da sociedade civil e organismos internacionais.

Desde sua criação, o grupo tem promovido webinários, firmado parcerias, organizado campanhas informativas e incentivado ações voltadas ao aprimoramento de políticas públicas para a população LGBTQIA+. Seu objetivo é claro: enfrentar todas as formas de discriminação, coerção e violência motivadas por orientação sexual ou identidade de gênero.

Conquistas – O MPF possui um histórico de conquistas importantes para a comunidade LGBTQIA+. Em 2000, há 25 anos, a instituição ajuizou uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir a equiparação entre homossexuais e heterossexuais no direito à pensão e outros benefícios previdenciários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O STF acolheu o pedido e reconheceu o direito de integrantes de uniões civis homoafetivas de requererem o reconhecimento, para fins previdenciários, como companheiros preferenciais.

Outra atuação emblemática ocorreu em 2009, quando o MPF ajuizou nova ação no STF para o reconhecimento da união estável entre pessoas do mesmo sexo, defendendo a obrigatoriedade de equipará-la, em direitos, à união estável entre homem e mulher. Mais uma vez, o MPF obteve decisão favorável.

Essas e outras iniciativas serão relembradas ao longo da campanha, que também contará com depoimentos de pessoas da comunidade LGBTQIA+ sobre suas vivências, desafios e conquistas. “Promover o conhecimento e a compreensão por meio de fatos e verdades é também promover o respeito. Ao se basear em dados, estudos e relatos reais, a sociedade tem mais chances de construir relações pautadas pela empatia e pela inclusão. O acesso à informação de qualidade permite quebrar barreiras e abrir espaço para o diálogo, reduzindo o medo do diferente e fortalecendo uma cultura de paz”, conclui o procurador federal dos Direitos do Cidadão, Nicolao Dino.

Canais de divulgação  Fique ligado no portal do MPF, nas redes sociais (Instagram, Facebook, LinkedIn, YouTube), no programa de TV Interesse Público, que vai veicular uma série especial sobre o assunto, e programa de rádio do  MPF, Direito de Todos, que vai ao ar na Rádio Justiça (104,7 FM em Brasília).

O programa Interesse Público é transmitido nacionalmente pela TV Justiça às sextas-feiras, a partir das 20h, com reprise aos domingos, às 17h30, além de outros dias durante a semana. O programa também é retransmitido por 30 emissoras parceiras em diferentes estados do Brasil: Acre, Amazonas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Pará, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins. Você também pode assistir pelo Canal MPF, no YouTube