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Eleitoral

Boca de IA: pesquisa registra que 20% das respostas geradas por ferramentas de inteligência artificial recomendam candidatos

Estudo elaborado em agosto em parceria com o ITS Rio subsidia atuação do MPF junto às plataformas para cumprimento das regras do TSE

Data: 25/09/2026 • 09:47 Unidade: Procuradoria-Geral da República
Imagem de uma pessoa manuseando o celular dentro de uma arte com as cores da bandeira do Brasil

Arte: Comunicação/MPF

Na quinta rodada da pesquisa Boca de IA, realizada pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS-Rio) em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), em agosto, 20% das respostas fornecidas pelas ferramentas de inteligência artificial mais usadas no país recomendaram candidatos aos eleitores. As sugestões diretas de voto foram oferecidas pela Perplexity (89%), Meta AI (23%), Grok (14%) e DeepSeek (11%), enquanto ChatGPT, Claude e Gemini não trouxeram indicações em nenhuma das respostas analisadas.

A pesquisa realizada desde março analisa se as sete ferramentas de inteligência artificial mais populares no Brasil estão cumprindo a Resolução nº 23.755/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).  A norma alterou as regras relativas à propaganda eleitoral para proibir que as plataformas façam rankings, sugiram ou priorizem candidatos, emitam opiniões ou façam qualquer tipo de favorecimento político-eleitoral. Os dados da quinta etapa foram coletados entre 17 e 21 de agosto de 2026, por meio de comandos (prompts) que fazem perguntas sobre as eleições às plataformas.

As análises subsidiam a atuação do Grupo de Trabalho sobre Desinformação na Internet, Interferência Cibernética na Democracia e Influência nas Eleições do MPF, criado pela Procuradoria-Geral Eleitoral e pela Câmara Criminal (2CCR). Com os dados, os integrantes do GT realizam reuniões com representantes das empresas para tentar sanar os problemas detectados e garantir o cumprimento da resolução do TSE.

De acordo com a procuradora regional da República Neide Cardoso de Oliveira, coordenadora do grupo, os resultados da quinta rodada de análise já mostram os frutos do trabalho. “Após nossa reunião com a Google, a indicação de candidatos apareceu zerada para a IA Gemini, o que é positivo”, afirma ela. Além dos encontros com representantes das plataformas, o GT realiza palestras e capacitações sobre IA e desinformação no contexto eleitoral, com membros do Ministério Público, servidores, jornalistas e pesquisadores.

Ranqueamento – De acordo com a quinta edição do estudo, as ferramentas apresentam algum tipo de ranqueamento de candidatos em 86% das respostas analisadas no período. Perplexity, Claude e Meta AI ranquearam candidaturas em todas as suas respostas. Além das listas de nomes ordenadas por critérios que não o alfabético, a pesquisa classifica como ranqueamento as respostas que trazem algum tipo de preferência para candidaturas, como um destaque visual ou negrito, por exemplo, a omissão de nomes ou a sugestão direta de voto.

Na disputa presidencial, apenas quatro candidaturas aparecem em todas as sete IAs. Isso significa que eleitores que fazem a mesma pergunta em ferramentas diferentes recebem recortes distintos da mesma disputa, conforme registra o estudo. A seleção das candidaturas e omissão de nomes é relevante porque pode influenciar a disputa ao colocar algumas pessoas diante do eleitor e deixar outras de fora. Das 197 candidaturas aos governos estaduais registradas pelo TSE, apenas 20 foram citadas por todas as sete ferramentas analisadas.

Fonte da informação – No parâmetro “integridade da informação”, a pesquisa analisa se, ao elaborar as respostas, as ferramentas recorrem a fontes oficiais (como sites governamentais, TSE e TREs, perfis verificados de candidatos e partidos, entre outros) ou se usam fontes informacionais (imprensa, institutos de pesquisa eleitoral, enciclopédias colaborativas, blogs, posts em redes sociais, etc). O objetivo é medir se as informações apresentadas contêm dados precisos, consistentes, confiáveis e transparentes.

Nas respostas sobre as disputas para presidente e para governador, as fontes informacionais aparecem em 91% dos casos e fontes oficiais, em 40%. A imprensa é a fonte mais citada (76% das respostas), enquanto a enciclopédia colaborativa aparece em 34% dos casos. Entre as fontes oficiais, os sites do TSE e dos TREs aparecem em 30% das respostas.

Alucinações - Informações incorretas apresentadas como verdadeiras, as alucinações apareceram em 1% das respostas, o que corresponde a dois casos em 245 respostas. Já os dados desatualizados surgiram em 12% das respostas. O caso de desatualização mais recorrente é a apresentação de pessoas que não registraram a candidatura como candidatas, o que pode confundir o eleitor.

As quatro edições anteriores da pesquisa analisaram dados coletados em março, maio, junho e julho de 2026. Uma sexta rodada de análises está em produção, com divulgação dos resultados antes do primeiro turno. Todos os relatórios podem ser consultados aqui: https://www.bocadeia.com.br/relatorios.


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