Pular para o conteúdo

Meio Ambiente

Justiça aceita denúncia do MPF sobre superpostes em Matinhos (PR)

Decisão unânime determina o recebimento da ação penal contra o IAT e a empresa Samar

Data: 19/10/2026 • 18:14 Unidade: Procuradoria da República no Paraná
Foto aérea mostra Orla de Matinhos

Foto: Reprodução/JFPR

O Ministério Público Federal (MPF) obteve decisão favorável no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) para dar andamento à ação penal que apura irregularidades na instalação de superpostes na orla de Matinhos, no litoral do Paraná, por ausência de estudo de luminosidade e contrariedade a normas histórico-culturais. Por unanimidade, o tribunal recebeu a denúncia contra o Instituto Água e Terra (IAT) e a empresa Samar Iluminação e Engenharia, determinando o prosseguimento do processo.

A denúncia do MPF trata da instalação e do funcionamento de 145 superpostes em área tombada como Patrimônio Cultural do Paraná desde 1970. Segundo o MPF, as estruturas foram instaladas sem estudo prévio do impacto da iluminação no meio ambiente costeiro e sem a aprovação regular do Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Cepha). O órgão também apontou que a empresa ligou os equipamentos mesmo após o cancelamento da autorização ambiental pelo IAT.

O MPF sustentou que intervenções em áreas protegidas sem a autorização dos órgãos competentes podem configurar crime, independentemente de alterações urbanísticas anteriores. O órgão também defendeu que a ligação dos superpostes após o cancelamento da autorização ambiental deveria ser considerada na análise das condutas atribuídas à empresa.

O TRF4 reconheceu os argumentos do MPF e determinou o recebimento da peça de acusação, reformando a decisão de 1º grau. Nessa fase processual, a análise se limita à existência de elementos que justifiquem o início da ação penal, sem representar um julgamento definitivo sobre a responsabilidade dos acusados. Os desembargadores também ressaltaram que intervenções antigas na paisagem não autorizam novas alterações irregulares.

Entenda o caso – Após recomendação do MPF, o IAT cancelou a autorização ambiental do projeto e determinou o desligamento da iluminação. A Samar, no entanto, acionou os equipamentos, o que levou à lavratura de um auto de infração ambiental.

Em dezembro de 2024, diante da proximidade das festividades de final de ano, mesmo com a autorização ambiental cancelada, ainda sem estudo adequado, o IAT emitiu nova autorização para regularizar os postes já instalados. O MPF também pede o pagamento de quase R$ 1,5 milhão para a reparação mínima dos danos, após os acusados recusarem uma proposta de acordo.

Com o recebimento da denúncia pelo TRF4, o processo retorna à 13ª Vara Federal de Curitiba para que os acusados sejam citados, apresentem defesa e, posteriormente, sejam produzidas as provas necessárias ao julgamento.


Assessoria de Comunicação
Ministério Público Federal no Paraná
(41) 3219-8843 (exclusivo para imprensa)
Atendimento ao Cidadão
(41) 3219-8754 (segunda a sexta, de 13h a 18h)

 

Tags