Sistema Prisional
Conselho Penitenciário de PE participa de lançamento de livro com relatos de detentas sobre violência de gênero
Foto: Ascom da Colônia Penal Feminina do Recife
Mulheres privadas de liberdade da Colônia Penal Feminina do Recife (PE) transformaram memórias e vivências de violência em cartas que integram o livro “180: Antes que seja tarde demais”, lançado na última terça-feira (22) na unidade prisional. O Conselho Penitenciário de Pernambuco (Copen/PE) foi representado no evento pela procuradora da República Silvia Pontes, integrante do Ministério Público Federal (MPF), e pela conselheira Karina Vasconcelos.
A publicação é resultado de uma oficina literária realizada na unidade, por meio das secretarias de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap-PE) e de Educação (SEE) —, em parceria com o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Editora Giostri. O projeto buscou estimular a reflexão e o enfrentamento à violência contra a mulher a partir da perspectiva e do protagonismo das próprias custodiadas. O título da obra faz referência ao "Ligue 180", canal nacional de atendimento e denúncia de violência de gênero.
Ressocialização e conscientização - Durante os encontros, as participantes produziram três cartas destinadas a si mesmas em diferentes momentos da vida (passado, presente e futuro), combinando dinâmicas de escrita, rodas de conversa e debates sobre obras literárias, músicas e documentários. A iniciativa permitiu que as internas reconhecessem e nomeassem diferentes formas de violações de direitos presentes em suas histórias, como abusos físicos, psicológicos e financeiros, fortalecendo o processo de conscientização e ressocialização.
Para Silvia Pontes, a participação do MPF no evento, por meio do Copen/PE, reforça o compromisso do órgão com a função regeneradora da pena. “O papel do Ministério Público não se exaure no encarceramento; ao contrário, ele inaugura uma nova fase focada na ressocialização. Projetos que incentivam a leitura e a educação dentro das unidades prisionais ajudam as pessoas custodiadas a ressignificarem seus passados e a se prepararem para contribuir positivamente com a sociedade”, enfatiza.
A conselheira Karina Vasconcelos ressaltou que a obra resgatou a mesma emoção de pesquisas que realizou no local em 2009, reforçando a urgência da humanização no sistema prisional. “Presenciar a emoção de todas as mulheres que tornaram possível aquele dia fez nascer uma esperança por penas mais justas e ambientes punitivos menos violentos”, ressalta. “É preciso pessoalizar as mulheres encarceradas, retirando da invisibilidade de rótulos e números suas vidas, suas lutas e sua dignidade. Empoderar essas mulheres para que contem suas próprias histórias é empoderá-las para construir seus projetos de vida”, acrescenta.
Além de representantes do Conselho Penitenciário, a cerimônia de lançamento contou com a presença de membros da Seap-PE, da Secretaria Estadual de Educação, da Defensoria Pública, do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Editora Giostri.
Com informações da Assessoria de Comunicação da Colônia Penal Feminina do Recife
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